Besouro que ataca cafezais tem gene de bactéria

Existe gente capaz de tentar me convencer que a Natureza é lindinha. Na verdade, é a coisa mais zoneada que existe. Claro, eu posso estar muito enganado. Se a Evolução existisse, veríamos coisas estranhas acontecendo, como dois seres vivos roubando material genético um do outro. Mesmo porque, o vírus da AIDS não existe. Não sei o que o pessoal da FIOCRUZ está fazendo lá, gastando rios de dinheiro com pesquisa?

O problema de afirmações assim esbarram no fato que a Natureza é tão sacana que pouco se importa com os “fatos”. Um perfeito exemplo é a larva do Hypothenumus hampei, também conhecido como broca-do-café[1] [2(PDF)] [3], que adquiriu a capacidade de atacar as pobres plantinhas, graças a um trecho genético adquirido de uma bactéria. (Mas evolução não existe)

Esta tristeza representa um problema sério para a produção mundial de café. 20 milhões de famílias são afetadas, perfazendo prejuízos da ordem de US$ 500 milhões, algo ligeiramente superior ao meu salário anual.

O dr. José Ricardo Acuña Zornosa trabalha para a Cenicafé; mesmo porque, o preto é levado a sério na Colômbia, ainda mais se for acompanhado de um branquinho (diet ou não). Ele descobriu que os ancestrais do besouro resolveram cobrar uma espécie de aluguel das bactérias que vivem em seus intestinos. Assim, os hexápodes mais odiado pelos baristas pegaram um gene emprestado das queridas bactérias, dando-lhes a capacidade de digerir carboidratos complexos encontrados em grãos de café. A pesquisa foi publicada na PNAS.

O que temos aqui é o que chamamos de “transferência horizontal de genes”,  onde um determinado organismo transfere material genético para outra célula que não é sua descendente. Vírus são mestres nisso e ao misturarem seus genes com os da célula infectada, eles produzem mais vírus, já que esta desgraceira não se reproduz por si só. Eu, de minha parte, tenho minhas reservas a considerar vírus como ser vivo, mas Estocolmo não quis saber da minha opinião.

O caso mais comum, entretanto, é o da Transferência Vertical de Genes, onde um organismo recebe material genético de seu antecessor, sendo isso o que acontece em quase totalidade, pois você recebeu material genético de seus pais, assim como você passará seus genes para seus filhos. Agora, meu caro, se você está preocupadíssimo se seu filho não abre o olho para mais de um mês, quem tem que abrir o olho é o senhor, enquanto eu deveria parar de fazer piadinhas com músicas antigas.

Transferências horizontais, apesar de serem mais incomuns que as transferências verticais, não esbarram em nenhuma raridade. Até mesmo humanos trocam genes com bactérias, e nem precisa-se de cientistas fazendo ratos fosforescentes para mostrar isso. Eu poderia escrever bastante sobre isso, mas o blog Meio de Cultura tem muito bom material a respeito.

John Donne disse que nenhum homem é uma ilha. E vemos que nem mesmo em nível genético o é.

3 comentários em “Besouro que ataca cafezais tem gene de bactéria

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