Descoberta nova espécie de planta assassina

Nós, seres humanos antiéticos, normalmente somos especistas e pouco nos importamos com outros animais. Agora, muito pior é quando reinos atacam reinos e uma verdadeira guerra começa. Nos recônditos do reino Plantae, há algumas criaturas maléficas que caçam, enganam e devoram animaizinhos indefesos. São as chamadas "plantas carnívoras", o pesadelo dos pobres e éticos vegans. Em termos de tamanho, as maiores são do gênero Nepenthes e Triphyophyllum, que podem ter até dezenas de centímetros de altura e/ou largura. Plantas destes gêneros são capazes de devorar até mesmo rãs! (não, não é daquelas rãs gigantes também, engraçadinho). Existem até mesmo plantas carnívoras subaquáticas, como as do gênero Utricularia. Agora, foi descoberta uma nova espécie de plantas carnívoras. O que ela tem de diferente? Ela caça suas vítimas embaixo da terra.

O mundo natural é bem mais assustador que as criaturinhas criadas a leite com pêra que moram em apartamentos de condomínio chique. A Natureza pouco se importa se você viveu, construiu um ônibus espacial e morreu escorregando no piso molhado e bateu com a cabeça no vaso sanitário. Plantas como a famosa Vênus Papa-mosca (Dionaea muscipula) está lá, à espreita. E quando um insetinho feliz chega todo serelepe, atraído pelo odor doce que é emanado dentro da armadilha daquela coisa abominável, ele fica preso e as garras se fecham, selando o destino da pobre mosquinha. Mas você é um porco especista por comer um hambúrguer, já que isso é comportamento antinatural. Pergunte aos maníacos que querem fazer cães e gatos comerem apenas vegetais (se bem que o PETA é está no mesmo grau evolutivo de um fungo com problemas mentais).

O Brasil abriga 80 espécies diferentes, perdendo apenas para a Austrália no ranking de países que mais têm espécies carnívoras no mundo. E é no na região do Cerrado que foi descoberta a Philcoxia minensis, uma plantinha com uma bela cor lilás, mas uma verdadeira pulha! Como muitas outras plantas assassinas, vive em um local úmido, ensolarado, mas com um solo com baixa concentração de nutrientes. Como aprendemos em Jurassic Park, a vida sempre encontra um jeito e o jeito que as plantas carnívoras encontraram de sobreviver é se alimentar de outros seres; no caso: animais. Vida consome vida para continuar viva.

O sistema radicular da P. minensis não forma uma relação simbiótica com fungos para ajudá-la a obter nutrientes, ao contrário da planta fantasma (Monotropa uniflora), que possui este nome porque não faz fotossíntese. Ah, sim… você não sabia? Nem toda planta faz fotossíntese, porque planta nenhuma faz fotossíntese. Quem faz são os cloroplastos, algas azuis que vivem em endossimbiose com as plantas, assim como as mitocôndrias o fazem conosco, animais. Eu ainda abordarei mais detalhadamente sobre isso e apresentarei animais que "fazem" fotossíntese.

O dr. Rafael Silva de Oliveira, do Instituto de Biologia da UNICAMP, e seus colaboradores suspeitaram que a a suspeitar P. minensis só poderia obter nutrientes através carnivoria. Por quê? Porque, segundo eles, o terreno lá é "praticamente vidro moído", já que o terreno é arenoso (obviamente, se você leu meu artigo sobre O Vidro, entendeu o que eles quiseram dizer). O problema é que não era bem claro como a desgracenta pegava suas presas… pelo menos, não pelas partes expostas acima da terra. Nada de garras, armadilhas, tentáculos ou varas de pesca. As iguarias são nematoides, pequenos vermes que abundam (mas hein?).

A plantinha safadeenha secreta uma espécie de "cola" para prender os nematoides, e quando o pobre coitado, que nem o PETA se interessa por ele, está preso, seus minutos estão contados, pois a P. minensis vai pegar todos os nutrientes que precisa, sem se importar com conceitos bobos de ética, os quais não fazem sentido no dia-a-dia da biosfera. A pesquisa foi publicada na PNAS (a qual não é mencionada na página do dr. Oliveira).

OK, beleza, mas como saber que a planta realmente estava "comendo"  os vermes? Bom, na falta de coisa melhor pra usar, os pesquisadores marcaram os vermes com isótopos radioativos (a saber, com nitrogênio-15, 15N), e colocaram no ambiente. Depois, mediram se havia a presença de 15N nas estruturas da planta. Havia. Em 24 horas, houve absorção de 5% de 15N, percentual que pulou para 15% depois de dois dias. Então, ou a planta realmente se alimentou dos nematoides ou criou uma usina nuclear em seu interior. O que não se sabe, ainda, é como se dá a digestão dos nematoides., já que não foram, até o presente momento, identificadas enzimas digestivas, o que indica a possibilidade de simbiose com bactérias, oque não é nada incomum (o que você acha que tem no seu intestino e lhe ajuda a absorver nutrientes?).

A Natureza sempre encontra um jeito. Nem que seja num lugar com pouco alimento, onde até mesmo seres autótrofos têm que possuir alguma forma de se alimentar ou não passarão de apenas uma nota de rodapé na história evolutiva.

3 comentários em “Descoberta nova espécie de planta assassina

  1. Sempre bom ver que uma nova espécie foi encontrada, o problema é saber que ainda estamos bem longe de mapear todas as espécies da terra.

    André, no primeiro parágrafo, quando você diz: “que podem ter até dezenas de comprimento”, creio que na hora de escrever passou despercebido a palavra “metros”, nada que atrapalhe o texto.

  2. estou pasmo. aqui perto de casa há um monte dessas plantas. eu tinha plantas carnívoras no quintal e nem sabia :mrgreen:

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