Cientista culpa James Bond por aversão a energia nuclear

Nos meus memoráveis anos da infância/adolescência, eu sempre adorei os filmes do James Bond. Carros de luxo, cassinos, tiroteio, violência não muito violenta e 007 pegando tudo que era rabo-de-saia que aparecesse, enquanto tomava uma vodka-martini (batida e não misturada) e fumava um cigarro. Em anos politicamente corretos, o James Bond de Sean Connery não teria lugar. Tempo foi passando e eu preferi filmes mais dramaticamente profundos e com linguagem própria (Rambo, Comando para Matar, Braddock e etc). Outra coisa que eu apreciava muito eram os imensos cenários, rodados nos estúdios da Pinewood, onde o vilão parecia sempre viver num imenso hangar, armazém decoradíssimo ou coisa que o valha.

Uma das aventuras era contra Goldfinger, cujo plano diabólico (sim, vem um tenebroso spoiler) era explodir uma bomba atômica em Fort Knox, deixando toda a reserva em ouro dos EUA radioativo, fazendo o preço do metal ir às alturas (Nixon ainda nem sonhava em ser eleito presidente, se me compreendem). Enquanto vivíamos o pesadelo da 3ª Guerra Mundial ali na esquina, com uma chuva de ICBM caindo em nossas cabeças, James Bond lançou o medo do poder do átomo. Começou com a disseminação do cagaço e das críticas negativas no tocante da energia atômica. Bom, pelo menos é o que a Royal Society of Chemistry acha.

O dr. David Phillips tem tantas letrinhas após o seu nome que nem sei por onde começar. Fiquemos no "doutô", mesmo. Além de ter um sem-número de homônimos, que vão desde cantores até loja de móveis (dá uma googlada aí e divirta-se), tio David é presidente da Royal Society of Chemistry. Segundo ele, se as pessoas têm uma verdadeira desconfiança, medo, ojeriza e aversão à energia nuclear — ainda mais depois do que aconteceu em Fukushima — a culpa é de mr. Bond, James Bond, juntamente com outras obras televisivas. Curiosamente, Homer Simpson não está entre elas.

A alegação (estúpida) remete ao fato de vários vilões terem fortalezas secretas em algum lugar em Deus-me-livre, sendo que lá pro final do filme tudo acaba explodindo. Ok, é verdade. Explodindo porque a droga do agente bisbilhoteiro colocou toneladas de Semtex lá e mandou tudo pelos ares. Caso contrário, o Dr. No já teria deixado o mundo a mando da ESPECTRE, todo mundo estaria usando energia atômica e ninguém ficaria criando vídeo idiota com ator global contra a usina de Belo Monte.

Phillips disse à BBC, em notícia veiculada pelo The Guardian, que "não é de todo surpreendente que o público em casa e no exterior estejam céticos [com relação à energia nuclear]". Afirmou ainda que a sociedade acreditava que "a energia nuclear tem de ser parte do futuro energético nacional, em que desempenha um papel importante, complementada por fontes renováveis. Combustíveis fósseis tem que ser erradicados para que as pessoas vivem em um ambiente saudável."

Ok, tio David, vosmicê tem certa razão. Entretanto, o lance das energias renováveis ainda são discutíveis. Energia eólica é linda e maravilhosa… e barulhenta, mata pássaros e morcegos (não, morcegos não são aves nem anjos da guarda dos ratos), além de ter manutenção cara. Energia solar é cara e pouco eficiente. Tais tipos de energia apenas servem como apoio, mas não serão as principais fontes de energia tão cedo. Entretanto, dizer que o 007 deixou as pessoas com medo, é ser um tanto exagerado. Eu apostaria mais em Chernobil, se bem que o acidente foi em 1986 e já naquela época estava mais do que obsoleta, mal-cuidada, mal-cheirosa e mal-fadada. No caso de Fukushima o que se pode dizer? Ela tomou uma porrada de um motherfucking tsunami. O que esperavam que acontecesse? Bom, pelo menos, o que aconteceu: nada de grave. Por causa de simples chuvas, as cidades serranas do Rio de Janeiro ficaram destruídas. Chuva versus Tsunami, pensem nisso.

Filmes como o The Day After mostram realmente os horrores da radioatividade. Só que foi por causa de uma ogiva nuclear. Levar isso em conta com o medo que as pessoas têm com relação à energia atômica acarreta no pensamento que ninguém mais iria querer um fogão em casa por causa das bombas de napalm usadas no Vetnã (por sinal, adoro o cheiro de napalm pela manhã). O terrorismo psicológico sobre o uso da energia nuclear pode ser mais facilmente creditado a essas organizações metidas a defensoras do ambiente. A desinformação vem mascarada com alertas e isso não é difícil de ver quando todo dia minha caixa de e-mail traz algum absurdo como "margarina tem uma molécula a menos que plástico" ou que "coca-cola faz mal pois ‘derrete’ pregos".

Se uma pessoa fica com medo, receio ou cagaço de algo por causa de um filme, a culpa não são dos produtores do filme. Culpa de um sistema educacional rolando ladeira abaixo, somado à estupidez característica dos seres humanos. Se você pega uma arma e atira em todo mundo num cinema por causa de um filme, você é estúpido. Porque, curiosamente, ninguém vê um filme, documentário ou especial sobre Thomas Edison e corre pra oficina de casa e só sai de lá com mais de 500 inventos ou constrói uma asa delta com restos de um satélite porque viu o MacGyver fazer.

Usinas nucleares são a melhor opção, estação cada vez mais seguras e eficientes. Não apresentam impacto ambiental como outras formas de geração de energia, e o acidente de Goiânia não teve nada a ver com usinas e sim com uma cápsula de césio, usada em aparelhos de radioterapias. Se ao invés dos colégios ficarem de besteiras ensinando bobagens só para colocar alunos nas universidades e realmente tivessem um conteúdo programático que visasse o aprendizado, as pessoas não seriam tão idiotas. Mas depois que eu vi "prefessoras" ensinando que beber clorofila é bom, não se pode esperar muito.

16 comentários em “Cientista culpa James Bond por aversão a energia nuclear

  1. Por aquilo que eu li em seu currículo, esse Dr. Phillips tem jogo de cintura com a mídia (ele já participou de programas de rádio e TV e serviços de educação à distância via internet). Daí eu acho que ele quis atrair atenção para a sua defesa do uso da matriz nuclear, usando uma notória série de filmes de espionagem como fishing bait. Deu certo. :cool:
    Na mesma reportagem do “The Guardian”, podemos ler as declarações “verdolengas”, com o blá-blá-blá anti-atômico de sempre. :mrgreen:

  2. Eu fico com muita raiva dessas pessoas que se posicionam contra a energia nuclear só por causa do medo de uma explosão nuclear ou coisa que o valha. Sabe, se posicionar contra a energia nuclear acarreta em se posicionar à favor de usinas termoelétricas (especialmente aquelas que a China usa), ou à favor de fontes ineficientes (a eólica e a solar).

    Além do mais, há países que há anos usam energia nuclear (como a França e a Alemanha, se não me engano) e até hoje só houve um acidente DE VERDADE (por que o de Fukushima é só estardalhaço da imprensa, por que ele nem de longe causou tanto estrago quanto Chernobyl), e tal acidente foi por causa de incompetência operacional da parte dos funcionário da usina e não por causa só dos perigos da tecnologia.

  3. Falando em Fukushima certa vez li numa revista aqui dizendo que a “Central Nuclear I de Fukushima” não estava preparada para ser atingida pelo tsunami de 17 metros (imagine essa água vindo a centenas de quilômetros por hora). A primeira coisa que veio a cabeça: “Qual usina está?”

    Deve ser considerado também os riscos das hidrelétricas (quase ninguém fala de Banqiao, mas lembrar de Chernobil todo mundo lembra) e as epidemias de asma que as termelétricas já provocou pelo mundo (aqui no Japão há registro de quatro). Essa notícia só serve para alimentar os ecochatos anti-nucleares.

  4. Nixon ainda nem sonhava em ser eleito presidente, se me compreendem

    Oras, Nixon foi o candidato a presidência dos EUA derrotado por John F. Kennedy, não? E a bem da verdade, Nixon foi vice de Eisenhower também.

      1. @André, notei que você estava abordando indiretamente a questão do Sr. Richard Nixon ter sido o responsável por mandar o “padrão-ouro” para o baú da história, sendo que tal aspecto é mesmo um ponto acessório na sua abordagem.

        Só lembrei que Nixon, antes de ser eleito presidente dos EUA em 1968, foi o candidato a presidência derrotado por Kennedy nas eleições de 1960 (antes do lançamento de TODOS os filmes do 007) e foi vice-presidente dos EUA durante todo o governo Eisenhower (1953-1961).

        E não… Não estou questionando a sua posição em prol da energia nuclear. Não sou que nem certas “pombas de Deus” que só fazem merda e volta e meia aparecem no Voz dos Alienados.

        1. O que eu quis dizer é que eu só fiz uma piadinha. Just that. Em nenhum momento eu disse que vc falou que eu externei que eu sou contra energia nuclear.

  5. Ainda bem que não comprei Gen Pés Descalços e por
    coicidencia era frete gratis.Falando sobre 007 tem um
    filme que quebra o galho o inicio e o fim (amém) que seria
    007 a serviço de sua majestade,também lembro do homen
    da pistóla de ouro,que morre de uma maneira meio irônica…
    Voltado ao texto concordo que esse medo todo vem de um educação ladeira
    á baixo é também tem uma boa retórica quando diz sobre assistir um filme
    que o tema não seja violência e não repetir os mesmos atos. :mrgreen:

      1. @André, Eu só sei que Gen Pés Descalços é um mangá que envolve a famigerada bomba atômica de Hiroshima. Mas para desvendar o resto acho que vamos precisar de uma pedra de roseta…

        Pensando bem, como não tenho muita louça pra lavar vou tentar… Challenge accepted!

        – Tatsumi não comprou um mangá que coincidentemente (?!) era frete grátis. Fenomenal, mas e o kéko?

        – Existe um filme do 007 que Tatsumi considera legal. Ele então agradece a algum deus não especificado pela película divina.

        – Súbitamente Tatsumi se recorda de um homem e sua pistola de ouro mas que tem um fim irônico.

        – Tatsumi finalmente se vira ao texto e diz que o mesmo possui uma boa ‘retórica’ sobre não assistir filmes violentos e não repetir os mesmos atos. O que é uma afirmação maluca pois não é utilizada a retórica no trecho mencionado. Retórica seria caso perguntassem ao Tatsumi se ele sabe português.

  6. Parece ta faltando alguns acentos e virgulas,um pouco de concordáncia.
    Gen Pés Descalços” seria um mangá que aborda as experiencias de
    de um garoto quando os americanos soltam a bomba nuclear nas ilhas japonesas. :!:

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