A câmara venérea da NASA

Eu pensei em vários títulos quando eu vi a notícia sobre a qual falarei. Pensei também em "NASA traz o Inferno para a Terra", por exemplo. Mas vamos manter o título atual. Tudo porque a NASA procura entender como se dá o ecossistema venusiano (sem os incas). Os engenheiros do Centro de Pesquisa Glenn trabalham numa câmara que terá a missão de reproduzir as condições ambientais de um do mais violentos (senão "O" mais violento) dos planetas do Sistema Solar: Vênus, uma fornalha gigantesca em forma de planeta, com ácidos em suspensão em sua atmosfera densa, um efeito estufa que saiu de um pesadelo insano temperaturas que superam os 500 ºC.

O Inferno existe e não estou falando da casa da minha sogra. Placidamente orbitando o Sol, Vênus mostra o que pode sair errado com um planeta, apesar que tudo é perfeitinho nesse vasto Universo. Vênus não sabe que as coisas têm que ser belas e perfeitas e mostra-se um mundo turbulento, maléfico, venenoso e avesso a qualquer coisa que se imaginasse poder sustentar vida. Isso não faz da Terra um paraíso, pois por muito pouco escapamos disso e o período hadeano tem muita similaridade ao pesadelo que é aquele lugar desgraçado.

O primeiro equipamento feito pelo Homem a visitar Vênus, ainda que estivesse apenas em sua atmosfera, foi a sonda Vênera 4, em 1965, 4 anos depois de Yuri Gagarin ter ido ao Espaço e 2 anos antes de Vladmir Komarov ter sido assassinado por causa dos brios dos idiotas do Politburo. Em 1970, a sonda Vênera 7 chegou até a superfície do Planeta-Deusa e seus longos 23 minutos de existência trouxeram muitos dados sobre o pandemônio que é aquele lugar. Infelizmente, tais equipamentos são carinhos e, por causa disso, sempre se procurou uma alternativa de estudar o que acontece com aquele lugar sem gastar rios amazonas de dinheiro. Um córrego já é suficiente.

Pensando nisso, os engenheiros da NASA projetaram uma espécie de "terrário" venusiano (ou seria mais correto chamá-lo de "venusiário"?). A câmara pretende reproduzir localmente o que acontece em Vênus, simulando as condições extremas de temperatura, pressão e demais condições físicas e químicas, de forma a estudar e pesquisar novos materiais e técnicas de projeto, de formas a construírem equipamentos que possam durar, não alguns minutos, mas alguns dias… talvez meses. Caso contrário, ainda ficará inviável o uso de novas sondas, já que elas custam quase na faixa de 1 bilhão de dólares; e quando os EUA chegam ao ponto de fazer um corte no orçamento militar na ordem de cerca 450 bilhões de dólares nos próximos 10 anos, é porque o caixa realmente anda em baixa.

O projeto impressiona, mas não necessariamente pelo tamanho. São cerca de 4 m de comprimento por 3 de largura. A câmara terá uma parede de aço de 2,54 cm de espessura (I beg your pardon. O SI usa sistema métrico). O projeto visa simular não só as condições em Vênus, mas todo o trajeto, quando a sonda estará viajando pelo Espaço até chegar ao seu destino e pousar na santa paz de Hades em meio a algo que pouco tem a ver com os Campos Elísios. Ao lado, o desenho do projeto, feito com a mais avançada técnica de desenho de projeto. Clique para ampliar.

Ok, você é um chato e quer ver coisa mais bonitinha. Pronto, taí:

A câmara, obviamente, não pretende ser um substituto para a a pesquisa de Vênus in loco. No máximo, um vislumbre do que os cientistas poderão encontrar ao enviar mais sondas para lá. A bem da verdade, os EUA nunca conseguiram uma imagem diretamente do solo venusiano. Com a câmara, cientistas se debruçarão em suas bancadas, sacarão suas réguas-de-cálculo modernas e tentarão projetar veículos que possam suportar as condições inclementes do Planeta-Deusa. Isso permitirá, ainda, reproduzir condições ambientais das luas de Júpiter e Saturno, bem como desenvolver novas técnicas de projeto, construção e materiais.

A deusa permanece impassível. Todos os dias, ao entardecer e ao amanhecer, podemos ver a Estrela d’Alva brilhando a longuíssimos 41 milhões de quilômetros daqui. A Estrela Vespertina está lá e ainda a poderemos ver hoje, daqui a algumas horas. Seu sorriso irônico desenha-se no céu e nos convida a desvendar os seus segredos, bem protegidos pelo seu imenso poder e sua sedução que perdura por bilhões de anos e que continuará fascinando e aterrorizando qualquer um que queira dominá-la, pois assim são as deusas.


Fonte: Wired

7 comentários em “A câmara venérea da NASA

  1. realmente não tem nada com artigo… apenas imaginei que fosse de seu interesse…ou melhor… foi, haja vista, vc já ter assistido!

    1. Eu vejo um monte de coisa. Não significa que eu seja obrigado a gostar de gente choramingando “oh, pq não gostam da gente? buááááá”

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