Matemática deliciosa: Sobre as formas do macarrão

Eu aprecio uma boa massa. Gosto muito de macarrão e seus variantes. Salvo miojo, pois, como sabemos, miojo não é comida. Miojo é um nojo , uma invenção japonesa que os kamikazes usaram para atacar Pearl Harbor, apesar do que a história convencional conta. Seja espagueti, ravioli ou capeleti (sim, aportuguesei como manda a norma culta), pessoas de bom gosto apreciamos uma boa massa bem temperada com um molho bem feito acompanhando, um bom vinho e uma conta absurda no restaurante.

Olhando para os diferentes tipos de massa, não nos damos conta da sua enganosa simplicidade de formas, mas esta simplicidade não engana os olhos dos matemáticos, onde alguns deles — por pura falta do que fazer, mas bom senso de observação — procuram dar nomes aos bois… ou fórmulas às massas.

O dr. Sander Huisman, graduou-se em Física na Universidade de Twente (e é muito pouco provável que ele conheça seu homônimo geocientista) e tem até página no You Tube. Durante uma refeição, o bom Sander se perguntou quais seriam as equações matemáticas que descreveriam as formas daquilo que ele estava comendo. Você, no máximo, colocaria mais queijo ralado e continuaria comendo (mea culpa: eu também). Ele largou o que estava fazendo e correu pro computador e usou o Mathematica para estudar qual equação poderia dar forma àquela iguaria (a saber, era um guemeli).

Como todo pai orgulhoso de sua criação, Huisman postou um exemplo do que tinha conseguido, cujos parâmetros você pode ver abaixo (o resultado é justamente a imagem que abre o artigo):

ParametricPlot3D[ Evaluate[RotationMatrix[0.7 z, {0, 0, 1}].{Sin[x]/(1 + Cos[x]^2), (Cos[x] Sin[x])/(1 + Cos[x]^2), z}], {x, 0.2 Pi, 1.8 Pi }, {z, -2, 18}, Mesh -> None, Axes -> None, Boxed -> False, PlotStyle -> Hue[0.118], Lighting -> "Neutral", ImageSize -> {500}, PlotPoints -> 50]

Outros cientistas da área fizeram suas brincadeiras, associando diversas formas de massas a equações matemáticas. Alguns até as usaram em trabalhos acadêmicos.

As coisas com que nós, profissionais de nossas áreas, são tão chatas às vezes que esquecemos que podemos usar corpos, substâncias, imagens e exemplos quotidianos em nossas tarefas.

Se seu trabalho é tão complexo que você não possa dar um único exemplo concreto que chegue perto do dia-a-dia das pessoas, ou seu trabalho é inútil ou VOCÊ é um inútil. O mundo não está apenas em telas de computadores ou equações sem vida. A vida está lá, escondida, só temos que construir as pontes entre o teórico e o prático. porque, como o próprio Liebig disse: não confio em nenhuma teoria que não esteja respaldada experimentalmente.

A matemática, por si só, não existe. Nós a usamos como ferramentas para entender nosso mundo, muitas vezes para CONSTRUIR um amplo universo, e o estudo das formas é uma das mais preciosas tarefas que podemos empregá-la. Estudar Matemática enquanto números e variáveis é fazer menoscabo de uma das mais maravilhosas Ciências. Números não existem em nosso mundo de "realidade", são apenas expressões de nossas ideias, na tentativa de ver e prever acontecimentos diários e reconstruí-los mediante nosso intelecto. Podemos fazer isso com formas com 9 dimensões ou apenas com um fiapo de macarrão. Tudo vai da sensibilidade de quem usa a ferramenta.


Fonte: The New York Times

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