Por causa de grupo de Candomblé, bispo do MS cancela missa, mas Jesus te ama

Eu vejo com reserva certas atitudes. Não creio eu que ritos religiosos devam ser misturados de qualquer jeito ou pode acabar em problemas, e a experiência mostra que isso é mais regra que exceção. Um exemplo é quando misturam rituais católicos (como missas, por exemplo) e ritos africanos. Os dois têm tanto amor conjunto como um judeu hassídico adoraria participar de uma reza numa mesquita sunita.

Em Corumbá, Mato Grosso do Sul, isso fica bem evidenciado como uma ideia (ao meu ver, não muito esperta) pode acabar em saia justa, quando o bispo de lá resolveu cancelar a Santa Missa e impediu seguidores do Candomblé de participar de rituais da Igreja Matriz da referida cidade. O que se faz agora? Reclama-se com um cardeal?

Há muitos pontos a serem abordados nisso. De certa forma, até conflitantes, mas os seres humanos são assim mesmo. Em muitos lugares, costumam institucionalizar o sincretismo religioso, misturando missas com rituais africanos. Sinceramente, isso não faz o menor sentido para mim. Ou reza-se mediante as doutrinas católicas ou faz-se rituais de candomblé e/ou umbanda. Misturar os dois é prenúncio do desastre. Se bem que o Brasil é o único lugar do mundo que tem a figura do "católico não-praticante"; mais parecendo o caso do sujeito que não saca nada de futebol e quando é perguntado, diz que é flamenguista porque a maioria é. Com o catolicismo é a mesma coisa, onde 99% nunca leu a Bíblia e é incapaz de dizer quais são os 7 pecados capitais, por exemplo. Misturar ritos de duas religiões acaba, portanto, no ritmo musical do afro-brasileiro com problemas psiquiátricos.

O leitor Wagner me enviou uma notícia do G1 em que o bispo de Corumbá – a mais de 400 km da capital, Campo Grande – resolveu que misturar ritos não era coisa de católico de verdade. Sendo assim, ele proibiu que integrantes do candomblé e da umbanda participassem das missas, na melhor forma do "cada um no seu quadrado". No máximo, ele permitiu que esses integrantes lavassem a escadaria da Igreja Matriz.

Para o bispo, a presença do grupo na missa não tem coerência religiosa, pois nunca houve uma união real entre os cultos, o que eu concordo plenamente.

Seu raçista desgrassado! Vossê fala isso pruque são negros, né? Vô te denunssiar!

Não é questão de racismo, eu acho que a decisão tem fundamento, pois ou se faz uma cerimônia católica ou africana. Os dois juntos é bagunça e as religiões já são bagunçadas o suficiente em suas essências, não precisam de ninguém para zonear mais ainda. O bispo reforçou que é uma questão doutrinária e o pároco da igreja em questão concordou com o bispo, já que ele não é idiota e sabe quem manda no local.

O presidente da Associação Corumbaense das Religiões de Matrizes Africanas do Pantanal e Região (Acorema), Clemílson Pereira Medina, está na dele e disse que não recebeu comunicado oficial nenhum da cúria local sobre o cancelamento da missa, não que eu ache que isso faria o menor sentido caso recebesse. Para ele, Corumbá vai "perder muito com isso", reiterando que tanto o bispo quanto o padre não estão respeitando os fiéis da igreja deles. No fundo, é apelo sentimentaloide. Ele não está se importando com as "famílias mais tradicionais que esperam pela missa", e sim porque ELE não pode participar do serviço religioso.

Sejamos sinceros: você segue uma determinada religião (digamos a Igreja Andreística dos 7 Deuses-Astronautas). Não entra na minha cabeça que você, ilustre fiel, queira ver um serviço religioso com participação do R. R. Soares. Se você, segundo meu pensamento, quisesse assistir ao R. R. Soares, você iria na igreja dele, ora pitombas! Sabe o que você perde com isso? Nada! Da mesma forma que a igreja de Corumbá nada perde. Quem passará a boicotar a igreja é, com certeza, quem não é católico (eu falo católico mesmo e não um mané que vai assistir missa e sequer sabe o nome da "bolsinha que está pegando fogo", como diz a piada).

Medina ainda aproveita o mimimi e um dia antes da lavagem da bendita escadaria, que será feita no dia 30 de dezembro, está previsto uma caminhada em defesa da liberdade religiosa, como coisa que o bispo tenha dito que ele não pode cultuar Iansã ou arriar um despacho pro seu bode favorito ou qualquer outra religião que ele queira. Liberdade não é você querer fazer o que quer na minha casa, mas as pessoas fazem de tudo para aparecer, só faltando pendurar um alguidar com frango e farofa no pescoço.

Vendo esta notícia, me lembrei do Evangelho de Tomé, em que uma das passagens diz: "Jesus disse: Eu sou a luz que está acima deles todos. Eu sou o todo: o todo saiu de mim e o todo se reuniu a mim. Rachai uma madeira: eu estou ali. Levantai uma pedra e me achareis”. Se eles querem brigar tanto por um espaço do outro, então façam logo uma missa campal, uma cerimônia ecumênica ou algo nesse sentido, mas não creio que esta seja a intenção nem de um grupo nem de outro. Tolo foi quem achou que devia-se fazer pacotão teológico entre eles.

5 comentários em “Por causa de grupo de Candomblé, bispo do MS cancela missa, mas Jesus te ama

  1. Mano… realmente… esse tipo de mistura é igual a óleo e água… não tem jeito! Mas, se tratando de terra brasilis… já não estranho nada. Nos terreiros de candomblé e umbanda, você pode perceber inúmeras estátuas de santos católicos… mas na igreja católica vc não encontra orixá nenhum… tudo bem… os mais fanáticos vão dizer os santos são os orixás e tudo mais… então por quê não econtramos estátua de exú, estátua de Omulú??? De qualquer forma… como diz no texto.. é melhor cada um ficar no seu quadrado!!!

    1. @ANUBIS1313,

      Não sou especialista em religiões (nem tenho essa pretensão) mas o sincretismo religioso foi um via de mão única.
      Ou seja, as religiões afro-brasileiras tiveram que se adaptar, à época da escravidão, a religião católica, para que pudessem manifestar seus cultos em paz.
      Por isso você encontra santos católicos representados por figuras das religiões afro-brasileiras e não o contrário.

  2. Mas que seria engraçado ver o padre recendo, sei lá, Iansã, e segurando a batina levantada com as duas mãos, fazer uma dancinha e entoar uns cânticos, ah, seria.

  3. Olá, céticos.

    Eu já frequentei igrejas, nunca fui assíduo, mas frequentava, era o chamado brasileiro católico não-praticante por osmose. Gozado que a medida que fui me aproximando da bíblia, fui me afastando da crença, até que deu na descrença total em coisas sobrenaturais.

    Durante um tempo, por causa de uma garota, frequentei uma igreja batista e presenciei minha irmã, católica, dando chilique ao ouvir o sermão do pastor, sobre as Bodas de Canaã, da forma como ele retratou Maria.

    Resumindo, se só isso é motivo de chilique, não faz o menor sentido juntar crenças tão diferentes como as mencionadas. É lógico que vai dar m…

    Abraços.

  4. Há brigas e divergências dentro das próprias religiões, vide os Carismáticos, ou o PARA aceitava ou eles fundariam outra igreja (mais uma não!), agora, imagine misturar nada a ver com coisa alguma.

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