Você está aí, na cozinha do seu conjugado de quarto-sala-cozinha-banheiro-peniquinho, lendo as notícias do dia em seu site favorito de fofocas. Então, resolve mudar para algo realmente inteligente e dá de cara com esta matéria. Claro que você ficaria feliz da vida por estar de fronte ao maior portal de sabedoria do mundo, mas, infelizmente, o editor-chefe da Montfort está em casa, pregadão, e você resolveu ir ao seu site favorito pra xingar e esbravejar na santa paz de Deus,e logo de saída sabe que não foi um Ser Supremo o responsável por você ser inteligente (ou quase), e sim por causa de minúsculas bactérias. Tem como não ficar felicíssimo com isso?
Vamos direto ao assunto: você é um poço de bactérias,filho. Sim, não adianta gritar um “Não!” desesperado. Você não seria o que é sem as bactérias que estão dentro do seu organismo (se bem que algumas pessoas não mudariam em nada se não fossem elas). Não só o seu intestino está repleto de bactérias (sem as quais você morreria de inanição), como todo o corpo. Algumas existem em endossimbiose conosco, outras são patogênicas e vão passar o cerol em você, o que é uma grande burrice, posto que se o hospedeiro morre, o “inquilino” vai pro beleléu também, mas quem espera algo de inteligente nos seres vivos?
Só que não é só isso. Segundo a pesquisa da drª. Rochellys Heijtz Diaz, do Departamento de Neurociência do Instituto Karolinska, o microbioma dentro dos seres humanos moldou como nosso cérebro se desenvolveu, proporcionando-nos a nos tornar o que somos… literalmente. Não só em termos neurológicos, como psicológicos, pois se bactérias modificam a estrutura do nosso cérebro, elas determinarão a posteriori o nosso comportamento. Em suma, se alguém lhe chamar de “Cabeça de bactéria”, não reclame.
A drª. Diaz não é daquelas de ficar com melindres com os pobres ratinhos brancos. Ela estudou como duas cepas separadas de camundongos se desenvolveriam. Uma das cepas estava completamente livre das bactérias, enquanto a outra cepa servia de grupo de controle, para efeitos de comparação. Neste caso, as bactérias vivendo felizes e pululantes no segundo grupo não pertenciam a nenhum grupo patogênico, já que Diaz seria completamente idiota se o fizesse. Como resultado, Diaz descobriu que as bactérias do intestino de um mamífero pode afetar a maneira como seu cérebro se desenvolve à medida que cresce. Estas bactérias até poderiam influenciar a forma como o hospedeiro se comporta quando na idade adulta. A pesquisa foi publicada na PNAS.
A drª Rochellys percebeu que os dois grupos de camundongos se comportaram de forma diferente. Os camundongos sem germes estavam mais ativos, e passaram mais tempo correndo ao redor de seus gabinetes, no entanto, eu não espero que você dê uma injeção de bactérias em seu marido para ver se o preguiçoso sai da cama e vai consertar a torneira da pia. Como efeito secundário, os Mickeys sem as bactérias estavam menos ansiosos e mais propensos a assumir riscos, como entrar numa casa cheia de gatos e chamar os felinos pra porrada (se não fizeram isso, deveriam tentar. Caso cinquentinha em favor dos camundongos).
A questão é: Como estas desgraças microscópicas podem fazer isso?
Todo o microbioma escondido nos interiores de seu intestino não está paradinho, pelo contrário, está fervilhando de vida. As bactérias lá não param de fazer o que sabem fazer: produzir substâncias químicas, se alimentar, produzir substâncias químicas, se reproduzir, produzir substâncias químicas, produzir substâncias químicas e… bem, etc. Com a secreção de algumas substâncias químicas, várias reações acontecem, o que faz com que mensagens sejam enviadas ao cérebro. Química não acontece só num único lugarzinho, e bioquímica é muito mais sacana. Dessa forma, uma série de reações químicas faz com que células nervosas transmitam outras informações do que deveriam transmitir. É como você chegar num banco e dar de cara com uma fila imensa. Você encontra um conhecido e pede pra ele pagar sua conta de luz e este amigo pagará as contas dele e as suas, levando tudo junto ao caixa. O caixa processa todos os pagamentos e não está nem aí de quem são aquelas contas.
A simbiose entre nós e estas bactérias resolveu muitos de nossos problemas, apesar de conferir desvantagens. Embora que, isso não nos impediu de viver e gerar descendentes. talvez, se não as tivéssemos, seríamos mais arrojados e tentaríamos sair na porrada com um tigre dentes-de-sabre, o que não seria uma ideia evolutivamente tida como esperta. Esta é nossa vida e aquelas bactérias são nossas companheiras, para o bem ou para o mal, não podemos nos ver livres delas.
Agora, olhe-se no espelho e agradeça às suas bactérias por fazer de você quem você é; pois tudo que tem na sua cabeça é fruto do que acontece nos seus intestinos. Isso não te deixa feliz em saber?

“pois tudo que tem na sua cabeça é fruto do que acontece nos seus intestinos”
Isso explica muitas coisas hehehe
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@Icarus, Foi a primeira coisa que me veio à cabeça ! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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“Isso não te deixa feliz em saber?”
André, hoje, tá escrevendo meio estranho. Parece Português lusitano. Tá trabalhando à noite novamente ????
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Não, isso é português carioca, por quê?
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Até pouco tempo li sobre uma bactéria que é encontrada no solo que estimula a produção de serotonina, melhorando a comunicação dos neurônios.
Agora o site tem layout pra celular, me facilitou a vida =)
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Ainda está em testes. Tenho uns 3 plugins pra testar.
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Com base nessa pesquisa, será que o uso abusivo de antibióticos poderia desencadear (o tempo verbal varia conforme o ponto de vista) o que poderia se chamar de idiocracia bioquímica na humanidade?
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@Rodrigo Souza a.k.a. Sargento, questão interessante.
Apenas vendo pelo lado filosófico da coisa, chuto que se o indivíduo se automedica por um simples resfriado, torna vagabundo o sistema imunológico que, por não ter algo mais útil para fazer, vai atrás de arrumar confusão pelo corpo.
E aí os organismos ou mesmo agentes externos outrora inofensivos entram na briga toda. Mas é apenas uma suposição minha, claro: indivíduos propensos à diversas alergias não seriam mais burros que os outros. Ou seriam?
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Em suma, se alguém lhe chamar de “Cabeça de bactéria”, não reclame.
Essa foi de doer
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Que ótimo! Agora temos a versão “mobile” do Ceticismo.net! Agora não preciso esperar o site carregar. :)
A informação é intrigante. Mas o bem da verdade é todos somos 100 trilhões em 1 (alguns pensam como 1 em 1 mesmo). Somos trilhões de microorganismos vivendo no que o tio Dawkins chama de “máquina de sobrevivência”.
Agora a bactéria influenciar o nosso mais importante órgão me impressiona. Mas lembro de que os nossos pensamentos e ações se resume em reações químicas e impilais elétricos dessas reações. Logo as bactérias ajudariam muito nisso, pois a produção (nem sempre benéfica) dessas substâncias ajudariam no processo.
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Vendo os vídeos no PNAS fica bem evidente a diferença, legal foi o aparelho que usaram nos testes. Fiquei impressionado com a documentação detalhada.
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Estou começando a simpatizar com estas ” danadas”………….!!
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Na verdade, elas estão lhe manipulando para que vc tenha esta simpatia. ;)
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André, ali no 5º parágrafo diz “Os camundongos sem germes estavam mais ativos”… Você andou tomando antibiótico ultimamente? :razz:
Essa matéria me lembrou quando o Dotô Bactéria pagou mico no Fantástico e logo alguém do Lablogatórios fez um post sobre a importância delas.
Sabiam que bactérias que vivem no nosso intestino grosso produzem vitamina B12? (dica pros vegans :wink:)
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http://www.vitaminas.bayer.pt/scripts/pages/pt/vitaminas/vitamina_b12/index.php
http://www.mdsaude.com/2009/03/vitaminas.html
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