Entre condenadas à morte e presidentes desinformados

Eu já tive em minhas mãos a obra Efemérides Brasileiras (por sinal, a primeira edição do livro,muito bem encadernado) de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o qual você deve conhecer bem, pois ele que deu o apelido às notas de mil (coloque aqui sua unidade monetária favorita). Ele era o Barão do Rio Branco, sendo ele ministro das relações exteriores entre 1902 e 1912.

Quem viu a obra escrita do Barão e estudou sua influência diplomática fica chocado com a ópera bufa que chamam de “atual diplomacia brasileira”, onde aquele Marco Aurélio não faz jus ao imperador romano homônimo. E a trapalhada ganhou mais um capítulo com o caso da iraniana condenada à morte por adultério, onde nosso magnânimo presidente foi devidamente humilhado pelo governo do Irã. Valeu aí, Lula. Somos mais um motivo de piada.

A questão toda começou em 2005, onde Sakineh Mohammadi Ashtiani ficou viúva. Até aí nada demais, ainda mais em se tratando de que seu marido foi assassinado. Eu digo que isso não é nada demais, pois estamos nos referindo ao Irã, cujos reis do passado governaram o mundo na Antiguidade, e Ciro I pacificou terras que viviam em conflito. Tudo bem que a “pacificação” foi na base da porrada, reforçando o axioma latino: Si vis pacem, para bellvm (google it). O atual maníaco presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (que é a cara do Pai do Chico Bento) é um grande líder, que fica preocupadíssimo com coisas que afetam diretamente a nação que ele dirige. Mas, voltando ao assunto, Sakineh ficou viúva e, para grande espanto até para céticos como eu, passou a se relacionar com ninguém mais e ninguém menos que o assassino do marido. Passando o tempo, a iraniana com fogo-no-xador, largou o sujeito e começou a ter relacionamento amoroso com outro cara. Isso não pode e é considerado adultério. Pena: 99 chibatadas no lombo (as fotos só mostram o rosto dela, mas eu não acredito mais em fotos depois do Photoshop).

O caso poderia ter terminado com ela tomando a sua Sova Santa e ido pra casa, ficando 1 mês sentando num pneu (supondo que as chibatadas sejam na bunda, mas acho que é nas costas, mesmo). Só que seria esperar demais para um povo regido pela tosca Sharia, a Lei Islâmica, ditada no século VII por um cameleiro analfabeto que recebeu uns “guenta” de um anjo de espada flamejante, segundo o mito. Assim, o processo avançou e, no dia 27 de maio de 2007, Sakineh foi condenada à morte por adultério. Começou a novela.

Grupos de direitos humanos entraram na briga. A Anistia Internacional e o Humans Right declaram que aquilo era um absurdo. O governo iraniano deu de ombros, na base do “não tô nem aí”. Mas eis que chega ele! Vestindo roupinha style, baixinho e cheio de astúcia: Chapolim Colorado Lula! No sábado, em meio a uma campanha da Dilma, Lula, El magnífico, soltou uma pérola incrível, fazendo um “apelo ao líder supremo do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que permita ao Brasil conceder asilo a esta mulher.”

Só tem uma coisa, Lula, meu filho. Quem é a autoridade suprema do Irã, o cara que manda e desmanda e dá a palavra final sobre as questões religiosas (o Irã é uma teocracia, caso não saiba) não é o ridículo presidente Bento Ahmadinejad, e sim o Aiatolá Khamenei. Aiatolás dão a palavra final em questões legais pois, como eu falei, o Irã é regido pela Sharia, e só o chefe religioso pode intermediar estes assuntos, meu caro molusco.

O povo é idiota e acha que o Lula é um grande estadista por causa dessa intromissão. Não que eu seja a favor de apedrejar mulheres que pulam a cerca; pelo contrário! Só que há modos e modos de fazer. Apelar para o presidente que, mesmo que quisesse, não pode dar um “A” na questão. Só que Bento Ahmadinejad não vai falar nada de nada de coisa alguma! E para piorar uma situação que já é ruim, Lula esqueceu (ou é completamente ignorante nestes assuntos, além de ser mal assessorado) de como é a psicologia islâmica e soltou mais uma besteira ao dizer: “Ah, imaginem se os homens também fossem condenados à pena de morte por traição.”

Acontece, Ô MANÉ, que homens á TÊM direitos; mulheres, não. Homens podem fazer o que quiserem (ok, não podem pela Sharia, mas é uma questão cultural) e mulheres têm que calar a boca se não quiserem entrar na porrada. Daí, ter a “brilhante” ideia de só falar besteira sobre um país que não conhece, criticando uma lei que não sabe quem decide e brincando com uma sociedade da qual não se faz a menor ideia de como se porta, só pode resultar em desastre diplomático. Daí, Lula, achando que estava no ápice de sua fleuma estadista, ofereceu asilo político a uma acusada de violar uma lei civil. CIVIL, PORRA! Asilo político se dá a perseguidos PO-LÍ-TI-COS!

A reação do Irã – onde o Lula vive lambendo as botas e enchendo o saco do Obama para que este não faça bloqueios muito merecidos – dá um tapa na cara de nosso incrível presidente e em toda a diplomacia brasileira, fazendo-nos passar vergonha no cenário diplomático internacional. Aliás, fazendo VOCÊS passarem vergonha. Se perguntarem para mim, eu digo que nasci e moro em Burma, São Tomé e Príncipe ou em Tuvalu.

Nas palavras do porta-voz do ministério das relações exteriores do Irã, “o presidente (Lula) da Silva tem uma personalidade muito emotiva e humana, mas provavelmente não tem informação suficiente sobre o caso”.

Obrigado, senhor Ramin Mehmanparast. O senhor disse que nosso presidente não sabe controlar suas emoções e ser imparcial, além de se mostrar totalmente alheio às leis do Irã, chamando-o de desinformado. É preciso gente de fora para ver o óbvio, às vezes.

Ainda de acordo com Mehmanparast, Ashtiani cometeu um crime segundo a lei iraniana e o governo iraniano poderia passar mais informações ao Primeiro Molusco “para que ele entenda o caso” (aka, deixe de ser idiota e pare de se meter onde não foi chamado). Para piorar mais ainda a trolagem, a agência de notícias ultraconservadora Jahan News, uma espécie de Al-Jazeera xiita e não sunita e ligada à Guarda Revolucionária do Irã (que dá suporte ao regime iraniano), classificou as declarações de nosso incrível estadista como sendo uma “clara interferência nas questões nacionais” do país. E, para tiro de misericórdia, ainda acusaram Lulão como estar sob influência da propaganda ocidental.

Eu moro em Tuvalu e sou tuvalense, e vocês?

Nossa diplomacia sempre foi respeitada ao longo das décadas. Agora, somos… digo, VOCÊS (eu sou tuvalense) motivo de piada no cenário internacional, com uma pantomima desastrada. A megalomania de se assentar como um estadista (além de fazer de tudo para alavancar a candidatura da Dilma) não faz nosso (des)governo ter noção do ridículo. Fica enchendo o saco de todos a fim de abrir diálogos com o governo comandado com um maníaco psicótico, doido para jogar uma bomba em Israel para, no final das contas, ser ridicularizado e acusado de estar mancomunado com o Grande Satã. Bem feito, bando de idiotas.

Agora, com licença. Tenho um encontro com o Governador-Geral de Tuvalu. Ele pode não mandar inteiramente na ilha, mas pelo menos não fala tanta merda.


Fontes Diversas

13 comentários em “Entre condenadas à morte e presidentes desinformados

  1. Andre

    Apesar da vergonha que passmos o molusco-mor conseguiu o que queria, para a massa de semianalfabetos do país ele já posou de grande lider internacional eo presidente mais misericordioso da nossa história..

  2. a hilary clinton já havia alertado este desinformado do molusco que os lideres iranianos são mestres em mentir e enganar , mas o barbudo da selva foi querer meter o bedelho onde não foi chamado e tá ai o resultado!! tapa na cara dos brasileiros..imaginem se akela louca lá de sorocaba caísse nas mãos dos aitolas!! hehehehe..

  3. Pobre Barão de Rio Branco, deve estar se revolvendo no túmulo.
    É mais uma humilhação da diplomacia brasileira, que já foi uma das mais respeitáveis, se não no mundo pelo menos em cenário latino-americano!
    A propósito, eu sou de Saint Kittis e Nevis! :wink:

  4. HAHAHAHA, pelo amor de Fripp, eu ri DEMAIS com as sacadas deste artigo. Leio os artigos do site a um bom tempo, e sempre tive vontade de comentar. Mas Deus não me deixava. rs.
    Enfim, gostarei de perguntar a meus colegas céticos daqui. E… Por ventura… Algum religioso… Se vocês acreditam que algum dia a teocracia em certos países, e coisas semelhantes, virá a cair. Digo, eu não sei como é a vida lá, nunca fui ao Irã e… Não pretendo ir, anyway, mas acredito que o que chamamos de “moral” aqui (Igualdade, direitos, mimimi), seja visto exatamente como vemos os costumes deles lá. Algum de vocês abandonaria seus princípios por algo que considera absurdo? Mas, também pesa o fato de que são situações diferentes. Um caso tem a ver com religião, outro tem a ver com costumes da sociedade (Acredito eu que este não seja o termo certo). Mas ainda assim, será que essas diferenças alteram o peso das morais de lá?
    E gostaria de pedir perdão por eventuais defecações textuais.

    1. vocês acreditam que algum dia a teocracia em certos países, e coisas semelhantes, virá a cair.

      Tenho certeza que não.

      Algum de vocês abandonaria seus princípios por algo que considera absurdo?

      Mas hein? Se eu considero algo absurdo, pq eu o faria de livre e espontânea vontade?

      Mas, também pesa o fato de que são situações diferentes. Um caso tem a ver com religião, outro tem a ver com costumes da sociedade (Acredito eu que este não seja o termo certo). Mas ainda assim, será que essas diferenças alteram o peso das morais de lá?

      Péra, péra. Acontece que a lei lá é ditada pela Sharia, leis que se baseiam no Alcorão. Assim, o costume é ditado pela religião.

      1. @André,

        A pergunta a respeito de abandonar seus princípios por algo que considera absurdo foi uma retórica. É obvio que ninguém iria. Mas acho que não me manifestei bem.
        E sim, as leis são ditadas pela religião, mas essas leis não são as “morais” deles?

  5. Ao ler esse texto, e os comentários, me senti como se estivesse lendo a revista Veja. Puxa vida, como os discursos são parecidos! Como tem gente que se quer um novo Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, enfim a corja do jornalismo de esgoto praticado na supra citada revista. Muita calma nessa hora. Entendo que aspectos culturais e religiosos determinaram a condenação dessa mulher: isso é fato. A religião, como tem sido mostrado em toda a história, sempre nos brinda com atos de terror, praticados em nome de um determinado deus. Agora, condenar o Presidente de nosso país por querer, de alguma forma, evitar que mais um ato ignominioso seja perpetrado, dá um tempo né… Sei que nos acostumamos a uma política externa totalmente subserviente (o que vc chama de “respeitada”), que sempre disse “Yes, Sir” para o que nos era imposto… Mas entendo que é inegável que a postura adotada pelo Brasil, além de inédita, resulta numa nova distribuição do poder (mesmo que apenas de influenciar) na geopolítica mundial. Sinceramente não tenho saudades do tempo em que o embaixador do Brasil tinha de tirar os sapatos para entrar nos EUA…. Pode ser que o Lula tenha errado ao solicitar asilo político para a iraniana, mas descambar o discurso para aspectos técnicos, e desviar o foco do que é realmente importante: uma vida…. Eu não faria isso.
    Quanto a tentativa de evitar sanções ao Irã, por conta de seu programa nuclear, interessante que ninguém questione o fato de nações que já possuem armas nucleares e já a utilizaram, ditem regras a que elas não se sujeitem. Interessante ninguém questionar que Israel, que já provou ser uma nação que realmente representa uma ameaça, cometa crimes contra a humanidade, tenha armas nucleares, não se sujeite a tratados internacionais sobre armas nucleares, tudo isso sob a benção estadunidense… Ninguem questiona…
    Espero ter contribuído para esse debate…
    Grande abraço…

    1. Pode ser que o Lula tenha errado ao solicitar asilo político para a iraniana, mas descambar o discurso para aspectos técnicos, e desviar o foco do que é realmente importante: uma vida…. Eu não faria isso.

      Em pleno ano de eleição. E dizendo que a Dilma poderia negociar muito bem a situação. Curioso, não?

      Pode ser que o Lula tenha errado ao solicitar asilo político para a iraniana, mas descambar o discurso para aspectos técnicos, e desviar o foco do que é realmente importante: uma vida…. Eu não faria isso.

      O que vc faz ou deixa de fazer não me é importante. Fato: não pode oferecer asilo político a ela pois ela não é perseguida política. E já que é assim, que tal interferir em alguns estados norte-americanos que possuem pena de morte? São vidas, não é? Que tal o Lula intervir no caso de pessoas que são presas por roubarem um quilo de feijão, aqui mesmo no Brasil? Não, isso não dá IBOPE internacional e nem ajuda a eleger sucessores políticos. Sim, temos SIM que nos basear em aspectos técnicos como uma coisa chamada “Soberania Nacional”, coisa que seu presidente (eu sou tuvalense, vc sabe) jogou na privada e puxou a descarga faz tempo.

      Quanto a tentativa de evitar sanções ao Irã, por conta de seu programa nuclear, interessante que ninguém questione o fato de nações que já possuem armas nucleares e já a utilizaram, ditem regras a que elas não se sujeitem. Interessante ninguém questionar que Israel, que já provou ser uma nação que realmente representa uma ameaça, cometa crimes contra a humanidade, tenha armas nucleares, não se sujeite a tratados internacionais sobre armas nucleares, tudo isso sob a benção estadunidense

      Irrelevante ao presente artigo. É fato notório que o atual governo PeTralha dorme e acorda com ditadores, desde os maníacos psicóticos africanos até Hugo Chavez e Evo Morales, que colocou o Brasil de 4 sem vaselina. E ainda continuam puxando o saco deles. Os exilados cubanos acharam ridícula a atuação do seu presidente (eu sou tuvalense, vc sabe). O que Israel faz ou deixa de fazer não justifica que um bando de malucos se amarrem a uma porrada de explosivos e mate população inocente. Não que o que Israel faz é algo melhor. Não é, mas o fim não justifica os meios. Sim, o seu presidente (eu sou tuvalense, vc sabe) tomou uma pela cara ao ser chamado de desinformado – o que é, no mínimo, um vexame internacional (mas só reconhecido para quem tem vergonmha na cara) – pelo mesmo país do qual lambe as botas, sem ganhar NADA em troca.

      Nisso você se contradiz. Se temos que intervir no caso da iraniana (muito estranho, por sinal, já que ela se tornou amante do assassino do marido dela. ISSO ninguém comenta), porque não se meter no programa nuclear iraniano, que é uma clara ameaça ao pessoal que mora em volta? Não só contra Israel; mesmo porque, Irã e Iraque (um é xiita e o outro é sunita) nunca foram amiguinhos. Quero ver Lulão ir até a Coreia do Norte ou na China brigar contra os excessos desses dois governos, ou então, mande uma tropa de soldados para cercar o Irã e determinar que libertem a prisioneira. Já temos experiências em mandar soldados para morte à troco de nada. Vide as missões desastrosas no Haiti.

      Em conclusão, seu discursinho bolchevique de shopping só causa risos.

    2. @Pedro Junior, Ao ler esse texto, e os comentários, me senti como se estivesse lendo a revista Veja. Puxa vida, como os discursos são parecidos! Como tem gente que se quer um novo Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, enfim a corja do jornalismo de esgoto praticado na supra citada revista.

      Realmente dissentir da “maioria” ou da “verdade única” é um ultraje para os bolcheviques. Pode não se concordar com o que escrevem os ditos jornalistas, mas chamá-los de corja só mostra o destempero daqueles que não aceitam críticas, e se constragem com a verdade. Querem que abaixemos as nossas cabeças e sejamos subservientes ao “pai da pátria”, mas podem tirar o cavalinho da chuva.

      Pois é, a patrulha ideológica chegou no Cet.net pelo jeito!

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