Bactérias protegem metais contra corrosão

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Um dos grandes problemas envolvendo ligas metálicas – e o terror dos engenheiros – é a corrosão. Além de muitos fatores químicos, físicos e ambientais, ainda existe o fator biológico, já que algumas espécies de bactérias também podem ser responsáveis pelo aparecimento de pontos corrosivos. As bactérias redutoras de sulfato compreendem vários grupos de bactérias que utilizam o sulfato como agente oxidante, reduzindo-o a sulfeto e podem gerar ácido sulfídrico (H2S). Elas são responsáveis por atacar muitas ligas metálicas, principalmente as baseadas em alumínio.

O alumínio possui alto potencial de oxidação e, com isso, ele tem uma grande tendência a se oxidar. No entanto, em presença de oxigênio, ocorre a formação de óxido de alumínio (Al2O3). Este óxido pode ser atacado tanto por bases quanto por ácidos, já que é um óxido anfótero. Assim, em presença de H2S, o óxido de alumínio se desfaz, deixando o metal à mostra e este, em presença de um ambiente ácido, começa a sofrer oxidação.

Pesquisadores da Universidade Sheffield Hallam, no Reino Unido, viraram o jogo, e criaram um revestimento anticorrosivo que coloca as bactérias no papel de protetoras contra a corrosão, encapsulando esporos da bactéria em um material chamado sol-gel que, aplicado sobre as peças feitas com ligas de alumínio, protegendo-as contra a corrosão induzida pelos microorganismos.

A incorporação dos esporos das bactérias no sol-gel não afeta sua viabilidade, conforme a equipe de Jeanette Gittens pôde atestar ao localizar células vivas no revestimento depois de seis meses imersos em água do mar. O revestimento também pode ser curado por aquecimento a 90°C.

“Nossos resultados a partir de estudos em laboratório e testes de campo demonstraram que o revestimento contendo bactérias é substancialmente mais eficaz na prevenção da corrosão do que o revestimento de sol-gel sozinho,” explica a Dra Gittens.

“Nós estamos investigando o que causa a proteção contra a corrosão – nós achamos que possa ser porque a bactéria imobilizada produz agentes antimicrobianos que inibem o crescimento dos microorganismos causadores da corrosão,” diz ela, adiantando que o próximo passo da pesquisa será efetuar testes em larga escala, avaliando o rendimento do biorrevestimento em outras ligas e em outras situações de aplicação prática.

Antes a proteção contra este tipo de ataque era baseado no uso de biocidas, mas possui caráter tóxico ao meio ambiente, que muitas vezes provoca a lixiviação, isto é, solubilização de rochas e minerais nas águas do ambiente marinho. Isso fez com que Gittens e seus colegas pesquisassem outras formas de contenção, sem que atingisse outros microorganismos do ambiente.


Fonte: Inovação Tecnológica

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Sobre André Carvalho

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