Substância promete fazer astronautas hibernarem em viagens longas

Não conheço um autor de ficção científica que não use o método de hibernação para astronautas em suas histórias. Desde Alien – o 8º Passageiro até Eclipse Mortal, passando pelo Fim da Infância, de Arthur Clarke, entre muitas outras obras, usam esse artifício. Mas por quê?

O Universo é vasto, muito vasto. Uma nave espacial não teria como cruzá-lo. Buracos de Verme são apenas uma suposição, ou seja, aqueles “atalhos” que ligam diferentes partes do Universo. Naves, como nós concebemos HOJE (frisem bem esse “hoje”), não podem viajar em velocidade Warp me Einstein é implacável nisso: NADA pode viajar à velocidade da luz, a não ser a própria luz. Sendo assim, para uma possível colonização espacial, a Ciência caminha lado-a-lado com a Ficção (ou será vice-versa?).

Cientistas estão testando se seria possível colocar astronautas em animação suspensa, de modo que “acordem” quando chegarem ao seu destino. Maluquice? Pode er. Assim como um navio andando debaixo d’água era algo inconcebíbel no tempo de Leonardo DaVinci ou o homem sair da Terra, caminhar na lua e voltar para contar a história…

O que no decorrer da história foi tido como loucura ou (no caso dos loucos mais ricos) ser considerado uma simples excentricidade, hoje é verdade e, parece, que mais uma “loucura” entrará na lista das coisas que realmente existem, já que estudos da Agência Espacial Européia buscam viabilizar a hibernação para associá-la a uma viagem para Marte, em princípio, prevista para 2030.

Sabe-se que certos animais enfrentam invernos rigorosos entram em estado de latência, onde suas funções vitais decaem a um mínimo. Alguns chamam isso de “dormir”, mas não é exatamente isso que ocorre, portanto esqueça o Zé Colmeia e seu travesseiro quando o inverno chega no Parque Yellowstone. Nesse estado, o consumo de energia chega a um mínimo, o que faz com que o referido animal não necessite repor (em suma, ele não precisa comer). E isso perdura por dias, semanas e meses.

Visado as mesmas condições no espaço: grandes períodos de isolamento, sem comida, cientistas já isolaram uma substância capaz de fazer adormecer esquilos durante o verão e também capaz de colocar em hibernação culturas de células humanas. O composto foi batizado de DADLE, por causa do seu nome oficial em inglês (D-Ala,D-Leu-encefalina) e se trata de um delta-opióide sintético, mas não se anime. Isso não fará você ficar doidão. A encefalina é um neurotransmissor semelhante à morfina, mas o referido composto está sendo pesquisado como ferramenta de outro tipo de viagem. No estado metabólico induzido por essa substância, as células se dividem muito lentamente e sua atividade genética fica muito baixa. Em outras palavras, seria como se todo o seu corpo estivesse em recesso parlamentar.

Um outro caminho de pesquisa está em se conhecer melhor um pequeno bichinho da ilha de Madagascar, o lêmur-anão. Esse lêmur é tido como um dos mais primitivos primatas, portanto um animal mais próximo ao homem, e passa por período de hibernação.

Antes que as pesquisas permitam que se coloquem astronautas para dormir, alguns problemas práticos precisam ser solucionados; pessoas que ficam restritas ao leito, por longos períodos, têm a musculatura atrofiada e a falta de gravidade faz os ossos perderem cálcio. Quem sabe, com a hibernação humana desenvolvida, uma astronave que precisaria levar menos alimento e ter menor espaço interno pudesse ir muito mais longe do que imaginamos atualmente. Além dessa pesquisa, os cientistas procuram como extender a permanência de homens em ambiente de microgravidade, proporcionando algumas técnicas para que os tripulantes mantenham-se em exercício muscular contínuo.

Um outro problema na administração do DADLE é saber o que acontece quando o sujeito acorda. Sim, porque ele terá fome e a comida terá que ser acessível e fácil de ser ingerida. Passar os pultimos minutos de sua vida vendo uma lata de sardinha e não ter forças para abri-la não deve ser muito agradável.

Pelo sim, pelo não, este será uma importante pesquisa. Podem argumentar qual seria a importância disso para nós hoje. Talvez uma nova classe de remédios que induzam a comas mais seguros, onde o paciente entra em hibernação e os médicos possam consertar problemas de saúde e esperar que o corpo se recupere lentamente.

É esperar pra ver.


Fonte: BioEd Online

13 comentários em “Substância promete fazer astronautas hibernarem em viagens longas

  1. Espero que um dia essa substância seja comercializada: o cara toma uma boleta no começo das férias e acorda 2 meses depois. Paradise!

  2. Nova droga no mercado.. quer sexo seguro (sem arranhões, mordidas e afins) só jogar um pouquinho disso nos copos de cerveja da mulherada….

    Os pedófilos aguardam muito este DADLE :lol:

    1. @Hotsea, ótima observação. Sempre devemos presumir que alguém irá tirar vantagem de alguma descoberta científica, e impedi-la de acontecer antes que a usem para cometer crimes.
      É por isso que culpo Einstein pelas mortes dos japoneses. :roll:

      1. @Luiz Fernando,

        Tem que ter um culpado, se não tiver não tem graça, a vida sem sentido.
        Tudo na vida tem seus dois lados.
        Você é juiz?

        1. Segundo meu modo de ver, haveria uma única dose, onde o astronauta entraria em hibernação e só despertaria quando chegasse no local. Isso acarretaria certos problemas, como nutrição e atrofiamento dos músculos. Não creio que ytal tecnologia seja desenvolvida nos próximos 30 anos, mas nunca se sabe…

          1. @André,

            Problemas com alimentação poderiam ser resolvidos com a Nutrição Parenteral.

            Agora, atrofiamento dos músculos…

            :idea:
            AB Toner???
            Total Shape???

            :mrgreen:

  3. Em situações sem gravidade ocorre degeneração de músculos e ossos. Uma nave que girasse em volta de seu próprio eixo não causaria uma gravidade artificial (pela força centrífuga) amenizando (ou eliminando) estes efeitos? Acredito que o período de hibernação poderia ser interrompido em etapas da viagem quando o astronauta se exercitaria, se alimentaria e voltasse a hibernar. Claro que devem ter pensado nisso e não visualizo a impossibilidade deste “giro gravitacional”.

    1. @Sílvio Guimarães,
      Isso seria uma aplicação do Efeito Coriolis; curiosamente, a hibernação e o uso da força de Coriolis já foi explorado no cinema, no filme 2001… mas é aquela história de sempre, ainda é especulação.
      Só para lembrar, tomem cuidado com a IA da nave, nunca se sabe. :roll:

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