Justiça espanhola obriga pai a levar filho a procissões da Páscoa

Como já falamos, religiosos têm uma tendência a se oporem a um conceito social muito relevante: a Liberdade. Religiosos acham que o conceito de Liberdade remete-se apenas quando é adequada sos seus próprios interesses, mas nunca é extendida a outras pessoas, principalmente quando essas outras pessoas possuem uma visão filosófica/religiosa diferente.

Isso pode ser facimente observado no mundo, como no caso em que a Justiça espanhola obrigou um pai divorciado a levar o filho às procissões da Semana Santa. Tal ordem veio por causa de um processo judicial em que a mãe da criança abriu um processo judicial porque, sendo católica, ela quer porque quer que o filho seja católico também. Em contrapartida, o pai recusava-se a ir com a criança em eventos religiosos, o que imagino que isso ocasionara a separação dos dois pombinhos.

A disputa foi parar na Justiça quando ficou decidido que o menino de 10 anos ficaria com o pai, Vicente Sanz, durante o feriado da Páscoa. A mãe, Barbara Campos, alegou que o filho nunca tinha perdido uma procissão na cidade de Elche, no sudeste da Espanha, e mantinha vaga e uniforme tradicional de nazareno na procissão da Confraria da Negação de São Pedro, que sai na Sexta-Feira Santa. Daí eu pergunto: E daí, ora? Daí que mamãe acha que o filhinho deve ser chatólico romano e, portanto, sua liberdade de escolha religiosa seria vilipendiada. Mas e quanto a liberdade do pai? Sim, porque ele não quer ser católico e não quer participar de nenhum evento. Ele deveria abrir mão disso para ter a companhia do filho? Isso não soa a chantagem? Pois, é.

A sentença publicada no Boletim Oficial de Elche entrou em vigor nesta quinta-feira (09/04) e indicou que “a decisão foi tomada considerando o bem superior da criança.” Mas que bem seria esse? Evitar ser alvo de um confronto dos pais? Ou ele é apenas um meio em que haja confronto?

A vitória da mãe, ao meu ver, é facilmente explicada por um detalhe: quem presidiu o tribunal foi uma juíza. Convenhamos, mulheres (quando lhes é de interesse) assumem um corporativismo maior que homens o fazem. Para a juíza do Tribunal de Pequenas Causas, Sandra Peinado (que eu aposto que é mãe E católica), o pai “tem que cumprir a tradição, garantindo ao menor o direito de ir aos eventos onde o lugar dele está reservado porque vinha participando há anos”.

Mas alguém perguntou se o garoto realmente queria ir, ao invés de ficar com o pai? Entra em cena, mais uma vez, o conceito de liberdade individual. O conceito que separa o desejo da mãe, do pai E da criança. Mas a criança é nova para ter consciência de decidir? Então, o parecer da MM juíza é falacioso, já que o direito do menor não foi pleiteado pelo próprio e sim ditado pela mãe.

O pai disse à imprensa espanhola que se sente “indignado” porque em 47 anos nunca lhe haviam obrigado a assistir uma procissão. Sanz comentou ainda que nunca se incomodou com a participação do filho em eventos religiosos. “Não me oponho a ida dele. Sempre foi e nunca brigamos por isso. O absurdo é que me forcem a fazer uma coisa que não quero. Nem quando era criança me obrigaram”, disse o pai. Como eu disse, foi uma manobra de chantagem, onde o pôs a decidir entre ficar com o filho ou seguir seu direito de não assistir algo tão chato quanto procissões. Mas no mundo religioso, nunca ficou declarado que as coisas têm que ser conduzidas de forma limpa.

A sentença não prevê punições (multas ou detenção) em caso de descumprimento da ordem judicial. Mas permite à mãe o direito de denunciar o ex-marido se o filho não comparecer às procissões, muito provavelmente fazendo com que o pai perca o direito de ver o próprio filho, o que mostra claramente como são os doces valores cristãos.

Dessa juíza não se pode esperar algo coerente, posto que ela já tinha sido notícia na imprensa espanhola por outra sentença polêmica: estabeleceu um sistema de custódia compartilhada de um cachorro para um casal recém-divorciado. Em suma, um cachorro vale mais que a liberdade de um homem.


Fonte: Estado de São Paulo

10 comentários em “Justiça espanhola obriga pai a levar filho a procissões da Páscoa

  1. André, vc conhece alguém capaz d traduzir a entrevista da Acharya S. Seria bom saber quais os argumentos q ela usa em suas alegações fora do livro, seria bom se pudessemos entender o q ela fala.

  2. André, vc assistiu ontem à entrevista no Canal Livre da Band, cara teve até historiador que disse que Nazaré era um povoado, teve gente que falou que os cristão não poderiam ter inventado a crucificação. Mas uma coisa me intriga, o que tem a ver a cruz no cristianismo, será que ela simboliza alguma coisa a mais? Será que aqueles dados sobre astrolgia ecruzeiro do sul estariam certos? Se tiver alguma resposta por favor, estarei a todods ouvidos. Mas numa coisa eles se equivocaram, principalemnte quando disseram que o cristianismo primitivo era coisa de gente pobre e escravos sem cultura, mas tá aí Paulo de Tarso e os escritores dos evangelhos pra contestar essa falácia. Que eu saiba, naqueles tempos quem tinha condição de ler e escrever eram apenas os eruditos da época não? Posta alguma notícia sobre esse debate. Obrigado!

    1. Lá vamos n[ós pras sandices…
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      André, vc assistiu ontem à entrevista no Canal Livre da Band
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      Não perco meu tempo.
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      cara teve até historiador que disse que Nazaré era um povoado
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      E o Empire State existe, logo o King Kong realmente subiu lá.
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      teve gente que falou que os cristão não poderiam ter inventado a crucificação.
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      Não inventaram. Só os romanos. O detalhe é que NÃO HAVIAM lgionários romanos na Galiléia naquela época. A propósito, o “historiador sem nome” falou se os judeus realmente libertavam prisioneiros durante a Pessach? SIM OU NÃO?
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      Mas uma coisa me intriga, o que tem a ver a cruz no cristianismo, será que ela simboliza alguma coisa a mais? Será que aqueles dados sobre astrolgia ecruzeiro do sul estariam certos?
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      Faça um favor a si mesmo: esqueça Zeitgeist.
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      Se tiver alguma resposta por favor, estarei a todods ouvidos.
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      O cristianismo primitivo tinha como símbolo um peixe. Com o tempo, a liturgia católica desenvolveu o conceito que Jesus morreu para lavar, passar e engomar “nossos” pecados. Assim, usam um símbolo de tortura e morte. O Protestantismo que trouxe a idéia de redenção pela fé. O que eu ainda não compreendi é como podem usar a besteira do Pecado Original, se o Jóquei de Jegue lavou o pecado inerente de todo mundo, mas nunca esperei coerência por parte das religiões.
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      Mas numa coisa eles se equivocaram, principalemnte quando disseram que o cristianismo primitivo era coisa de gente pobre e escravos sem cultura, mas tá aí Paulo de Tarso e os escritores dos evangelhos pra contestar essa falácia. Que eu saiba, naqueles tempos quem tinha condição de ler e escrever eram apenas os eruditos da época não? Posta alguma notícia sobre esse debate. Obrigado!
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      Verdade, só pessoas esclarecidas tinham acesso. Por isso o que acontecia durante os cultos é o mesmo que acontece em qq igreja: O responsável pelo templo lia os trechos e as pessoas ouviam. As pessoas em maioria qdo diziam “eu li”, significava que ela “ouviu ser lido”. Isso é dito no livro “O que Jesus disse e o que Jesus não disse. Quem alterou a Bíblia e porque”. Aliás, o próprio Bart Ehrman alega que muito provavelmente Saulo de Tarso era analfabeto e apenas ditava as cartas, enquanto os copistas tanspunham pro papel. Talvez por isso tenha tantas incongruências no texto dele.

    2. @Rafe,

      Por falar em sandices eu conheço um monte que tem sentido.
      Andei fazendo umas pesquisas em sites e livrarias, se eu contar o André não acredita. rsrssr
      É o fim da picada do mundo mesmo, estamos entregues ao mal organizado!!

  3. André, eu andei garimpando alguns sites ateístas e descobrí um que achei interessante: Chama-se ”BIBLIANUA”. Dê uma clicada nesse site, pois ele tem textos ricos em imformações biblicas. Abraços

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