Substância associada à confiança e relações afetivas também ajuda a reconhecer rostos familiares

Novo estudo sobre a oxitocina pode esclarecer as causas de misteriosos transtornos neurológicos e psicológicos, além de facilitar a identificação de rostos conhecidos.

De acordo com Ulrike Rimmele, psicólogo na Universidade de Zurique, na Suíça, e principal pesquisador desse estudo, “há uma evidência inicial de que o sistema central da oxitocina é alterado em vários transtornos mentais caracterizados por distúrbios sociais severos, como autismo, transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos de personalidade”.

Entender como a oxitocina afeta os mecanismos sociais básicos, como reconhecimento de outro ser humano, é pré-requisito para o estudo de comportamentos humanos mais complexos.

A oxitocina é produzida no hipotálamo – estrutura cerebral que controla a fome e o humor – e afeta várias regiões do cérebro, incluindo a amígdala e o giro fusiforme, que possivelmente nos ajudam a reconhecer fisionomias. Em resposta a certos estímulos a glândula pituitária, localizada na base do cérebro, injeta, entre outros hormônios, oxitocina na corrente sangüínea. Já se sabe que esse hormônio é responsável por provocar as contrações uterinas durante a gravidez e por estimular a produção de leite durante a amamentação. Estudos também sugerem que ela promove o desenvolvimento de laços afetivos entre mães e seus filhos recém-nascidos.

Os níveis de oxitocina aumentam durante as relações sexuais e culminam no orgasmo, levando os cientistas a suspeitar que ela desempenhe um papel importante no desenvolvimento das relações amorosas.

A equipe de Rimmele dividiu 40 homens saudáveis em dois grupos. Os participantes de um dos grupos receberam um spray nasal contendo oxitocina e do outro um spray inócuo. Depois de aproximadamente uma hora – tempo suficiente para a oxitocina agir no cérebro – uma série de 168 imagens foi mostrada aos participantes dos dois grupos, sendo metade de rostos e metade de objetos comuns e paisagens.

No dia seguinte foram exibidas as mesmas imagens do dia anterior, mas adicionadas mais 72 novas imagens. Quando foi solicitado aos participantes que identificassem as imagens que já tinham visto os membros do grupo que recebeu oxitocina apresentou 46% de acerto na identificação das fisionomias, enquanto no do placebo houve apenas 36 % de acerto.

“O estudo destaca o mecanismo pelo qual permitimos que outras pessoas se aproximem de nós – por sabermos quem elas são”, observa Paul Zak, diretor do Center for Neuroeconomics Studies, da Claremont Graduate University, na Califórnia. Reconhecer pessoas à nossa volta não é tarefa trivial, mas essencial para criar relações afetivas e sociais. Graças à oxitocina vivemos em sociedade e formamos comunidades.


Fonte: Scientific American Brasil

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