Copérnico volta a ser enterrado na Polônia

copernico.jpgNikolaus Kopernikus ou, aportuguesadamente, Nicolau Copérnico era – apesar do que dizem – um cônego alemão. Na época, a cidade-natal dele, Toru?, pertencia ao reino da Polônia, mas localizava-se na Prússia Real. Ele foi um dos impulsionadores do avanço do conhecimento cosmológico da renascença, tendo como obra máxima De revolutionibus orbium coelestium (“Da revolução de esferas celestes”), publicada postumamente a pedido dele, por temer problemas com a Igreja. Andreas Osiander, como bom espírito de porco que era, incluiu um prefácio dando a pensar que fora escrita pelo próprio Copérnico, e que dizia que o que o livro continha era apenas um atalho para se fazer cálculos. Talvez, por isso, tal coisa escapou de entrar no Index, o índice de livros proibidos pelo Vaticano. Sem falar que ainda não começara a guerra dos 30 anos, o que mudaria muita coisa no pensamento científico e não foi pra melhor. Galileu que o diga.

Por muito tempo, ficou-se em dúvida sobre o paradeiro de seus restos mortais, mas ao que parece, a espera chega ao fim e Copérnico finalmente pode descansar em paz, com toda honra que seu intelecto merecia.

copernico_reconstruido.jpgOs restos mortais de Copérnico andaram perdidos por alguns cantos obscuros, pelo menos até agora. Uma análise de DNA confirmou que um punhado de ossos pertencia ao astrônomo, que se baseou nas ideias de Aristarco de Samos e estabeleceu sua teoria heliocêntrica. Ele havia sido sepultado na catedral de Frombork em 1543 sem nenhuma indicação do local exato, como centenas de outros padres e leigos. Analisando os restos mortais, pertencentes a um homem septuagenário (o que condiz com a informação que foi com essa idade que Copérnico falecera), a polícia de Varsóvia, capital da Polônia, chegou até mesmo a fazer reconstituições faciais e, para surpresa de todos, a reconstituição é bem semelhante aos quadros pintados que o retratavam. Clique na imagem para ampliar.

A pista final veio através do exame de DNA, graças a alguns fios de cabelo do astrônomo que ficaram presos num livro de 1518 pertencente a ele. A comparação do DNA dos fios de cabelo com o dos ossos trouxe a comprovação final. Os restos de Copérnico foram levados a cidades e aldeias polonesas antes de serem novamente enterrados na catedral de Frombork durante cerimônia presidida por bispos da mesma seita religiosa que condenou o livro dele, o qual foi declarado proibido por ser contrário à Bíblia em 1616.

Copérnico merece todas as homenagens, pois ele começou a matematizar os céus, mesmo sem ter telescópios, tendo unicamente sua observação a olho nu, com precisão e acurácia. Mais que isso, ele foi um dos despertadores para o pensamento astronômico e deve receber todo respeito e consideração por ser chamado de “O Pai da Astronomia Moderna”, e seu feito é algo escrito com letras duradouras na História da Ciência.

Para finalizar, registro minha grande admiração pelo pessoal do Terra Notícias, que sabe como colocar manchetes que ilustram bem quaisquer notícias veiculadas, trazendo até nós um deleite visual e linguístico de um quilate puro e resplandescente como: Pai da astronomia moderna é enterrado 467 anos após morrer.

Durante a cerimônia, os ossos devem ter se revirado quando este mimo foi postado, ou então saiu dançando Thriller.


Fonte: Folha

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