
A humanidade tem um histórico longo e honroso de perder o juízo com cerimônia, pompa e circunstância. É gente indo pra Washington com uma guilhotina no reboque, espertão vendendo dinossaurinhos pelo whatzup e invasões de macacos na Tailândia. Claro, você sabe que dia e hoje e sabe que vai escalonar, já que a lista de absurdos acaba de ganhar um concorrente de peso: um imigrante grego transgênero simpatizante de nazistas tentou realizar um ataque a tiros num templo hindu de Chicago. Ah, e ele receberá injeções hormonais na prisão. Esse é o rolê mais aleatório que você vai ler hoje.
Atirando para todos os lados para ver se acerta e elimina de vez a loucura do mundo, esta é a sua SEXTA INSANA!
Alexandros Paporakis é um inútil de 19 anos, o classifica como um jovem maldito. Este tosco morava com a mãe em Palatine, é um daqueles subúrbios classe média americana que fica na área metropolitana de Chicago, o que já implica muitas piadas e trocadilhos que muricans não entenderão se você não explicar; e a graça é NÃO explicar.
Segundo a promotoria do condado de Cook, Paporakis trabalhava havia uns sete meses como caixa num Taco Bell em Arlington Heights. Até aí, uma biografia que cabe num formulário de RH. O problema é o que o rapaz dizia aos colegas entre um nacho e outro: comentários depreciativos sobre outras raças, em especial sobre indianos, se autodeclarava supremacista branco e conversas animadas sobre nazistas e luta armada. O tipo de papo comum em toda happy hour com os colegas do trampo por aquelas bandas.
No sábado, 10/10 (DEZ, NOTA DEZ!), PapaDon’t Preachrakis teria dito a um colega que “mal podia esperar” para matar indianos e que planejava atacar o maior templo hindu de Aurora, usando muita munição. A outro, afirmou que o dia seguinte seria “especial”, provavelmente achando que o outro estava falando merda e não deu pela coisa (ou pode ser um filho da puta racista que nem o grego xexelento).
O dia seguinte foi domingo, 11 de outubro, primeiro dia de um importante festival hindu, e enquanto os brasileiros estravam debaixo do Sol escaldante para escolher quais vagabundos estarão no poder em 2027, um Acura RDX vermelho registrado em nome do grego tosco entrou no estacionamento de um templo hindu em Aurora às 12h25 e saiu uns 13 minutos depois.
O desfecho é aquele em que o destino resolve intervir com uma ferramenta sofisticadíssima: o fuzil não funcionou! Segundo a promotoria, ele mandou ao colega um vídeo do fuzil estilo AR falhando ao puxar o gatilho, uma foto de colete tático e uma mensagem dizendo que dera sorte de ter atirado dentro do carro, sem ninguém ver. Discutiu até possíveis consertos para “tentar de novo quando eu arrumar isso”. Disse também que não acredita em intervenção divina, mas que o homem em quem atirou foi “certamente salvo pelo Deus dele hoje”.
Eis um ateu de ocasião, convertido pelo defeito de fábrica. Shiva 1 x 0 Racista FDP
O gesto mais sensato da semana foi de um funcionário de lanchonete. O colega e outro funcionário ligaram para o 911, e os meganhas chicaguenses (sei lá o gentílico, vai esse mesmo e dane-se!) achou Paporakis às 15h42, num estacionamento perto do apartamento dele. Na busca, encontraram no quarto um fuzil sem número de série, oito carregadores cheios, mais um estendido, 300 cartuchos, colete tático, um galão de gasolina e objetos com suásticas, algo comum em jovens imigrantes vindos da Grécia, eu acho.
Havia também um manifesto de oito páginas, intitulado “Why I Fought: A.K.A. (Aurora Shooter’s Manifesto)”, em que, segundo a promotoria, ele chama de “sub-humanos” indianos, judeus e negros, diz planejar o ataque havia dois anos e conta que pesquisou o alvo no YouTube e no Google Street View. É o planejamento de quem estudou a rota de férias pelo Street View e esqueceu o item “ver se a arma funciona”.
Papa-whatever (não vou perder tempo escrevendo nome de um merdinha nazista direito) responde por ameaça terrorista e por posse ilegal de fuzil com cano curto, e um juiz mandou mantê-lo preso; e se você acha que é só isso, vem a coroação do rolê aleatório: o nazista desgraçado ainda é um homem trans. Sim, é uma mulher que se tornou homem trans, o que o pessoal do Reich receberia de braços abertos em Auschwitz, Riga ou qualquer outro resort financiado pelo pessoal da Raça Superior™.
Agora, o vagabundo está vendo Himler nascer quadrado e, por lei, tem direito a receber injeções de testosterona. Além de ser da raça Superior que quer matar indianos, ele mesmo é um pária entre seu grupo amado, portando receita médica, e espero de coração que tenha indianos, negros e judeus testando a “transição” dele.
Moral da história: se um dia você pensar em arruinar a vida alheia, leia antes o manual do fuzil. Mas o melhor conselho é outro: não conte o plano ao colega de balcão. Aliás, a dica master, mesmo, é NÃO SEJA UM NAZISTA FILHO DA PUTA!
Fontes: 123, digo ABC
