Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia

Todo mundo fica de frescura à espera da Rebelião das Máquinas, Apocalipse Robótico ou mesmo o fim dos tempos ao modo Zumbi. Eu não me engano. Nosso fim mesmo será quando os macacos se revoltarem e escravizarem seres humanos. Os planos para dominação mundial começaram bem na Tailândia, um país muito apropriado para o fim de tudo e fodendo todo mundo. No caso, uma centena de macacos resolveu atacar todo mundo e dizer HAIL CAESAR!

Vendo o mundo numa imensa Ação da macacada, esta é  sua SEXTA INSANA!

O princípio do fim começou na madrugada do dia 30/06, a cidade tailandesa de Lopburi viveu seu momento Planeta dos Macacos quando cerca de cem macacos encontraram uma brecha na estrutura de um recinto administrado pelo governo e decidiram, sem qualquer manifesto ou grito de guerra, que já bastava de cativeiro. Não houve vírus experimental que turbina a inteligência símia, não houve discurso inflamado em linguagem de sinais. Houve, isso sim, uma parede que cedeu, e um bando de primatas entediados que percebeu a porta dos fundos da liberdade escancarada bem na hora certa.

Recinto administrado pelo governo… como desculpa é pouca, mas como explicação é mais que suficiente.

A macacada estava abrigada em um centro municipal que cuida de animais transferidos do Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas, um nome burocrático longo o suficiente para render um roteiro inteiro só de créditos iniciais. A boa notícia (para os humanos, ao menos) é que funcionários conseguiram segurar mais de mil outros macacos que também cogitavam aderir ao motim. A má notícia é que cem já era mais do que suficiente para transformar bairros residenciais de Lopburi num cenário digno de invasão descoordenada, com direito a moradores de olho na janela torcendo para que o instinto natural de circular livremente não incluísse visitar a geladeira alheia.

Equipes da prefeitura, do governo provincial e de órgãos de proteção à vida selvagem partiram para as ruas com uma estratégia que parece saída direto de um manual de contenção de zumbis, só que peludo e bem menos letal: gaiolas recheadas de comida como isca para os mais dóceis e dardos tranquilizantes reservados aos machos maiores e mais agressivos, os equivalentes locais ao general símio que lidera a tropa e não aceita ordens de ninguém.

Enquanto a caçada (gentil, no limite do possível) seguia pelas ruas, trabalhadores corriam para reforçar o trecho danificado do recinto. O governador de Lopburi, Weerapong Ridrod, prometeu uma reforma mais ambiciosa, com direito a cerca dupla, pensada especialmente para impedir que os machos dominantes repitam a proeza.

É basicamente a versão tailandesa do muro que os humanos erguem contra os macacos nos filmes: sempre um passo atrás da criatividade e da teimosia de quem só quer sair para passear. O prefeito Chamroen Salacheep, por sua vez, admitiu não saber ao certo o que motivou a debandada, mas apostou num coquetel bem terreno de fome, calor intenso, superlotação e o simples desejo animal de esticar as pernas fora da jaula. Ele ainda pediu desculpas aos moradores afetados e pediu que qualquer estrago em casas ou veículos fosse notificado às autoridades, num tom que soava mais a nota de condomínio do que a boletim de ocorrência.

Vale lembrar que Lopburi não é exatamente uma novata nesse tipo de manchete. A cidade já é famosa nacionalmente por abrigar uma população enorme de macacos que circula livremente por ruas e pontos turísticos, um charme que rendeu fama e turismo por décadas, mas que nos últimos anos vem cobrando a conta em forma de prejuízo constante a moradores e comerciantes.

Diante disso, o governo local investiu em programas de esterilização e na transferência de parte da população para centros como o que, ironicamente, acabou de perder o controle sobre seus próprios internos. É o tipo de reviravolta que qualquer roteirista de franquia hollywoodiana assinaria embaixo: a instituição criada para conter o problema virou o ponto de fuga do problema.

Ninguém está sugerindo, é claro, que Lopburi esteja a um dardo tranquilizante de distância de uma insurreição símia coordenada rumo à dominação global. Os macacos tailandeses, ao que tudo indica, só queriam comida, sombra e um pouco menos de gente por metro quadrado, motivações bem mais mundanas do que libertar a espécie do jugo humano.

Mas há algo de deliciosamente irônico em ver uma cidade inteira mobilizar prefeitura, governo provincial e órgãos de proteção ambiental porque uma parede de recinto não aguentou a vontade coletiva de um bando de primatas.

Fika Dika: se um dia você decidir montar um cativeiro para guardar cem primatas descontentes, talvez vale a pena gastar uns trocados a mais numa parede que aguente, porque a Tailândia acabou de provar, com todo o orçamento de um governo provincial (provavel,mente algo inferior ao preço de um pastel com caldo de cana) às vezes é só uma sugestão educada para o macaco, não uma ordem.

E antes que você ache isso um problema exclusivamente tailandês: lembre-se de que a diferença entre “sistema de contenção” e “aviso prévio de fuga” costuma ser só uma questão de tempo, fome e um macho dominante entediado o suficiente para testar os limites da engenharia civil local.


Fonte: R7

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