
Existem maneiras mais discretas de chegar a Washington, D.C. Você pode pegar um avião, um trem, um ônibus ou, se estiver particularmente disposto a contemplar a decadência da civilização ocidental, dirigir desde a Califórnia. Agora, atravessar a Murica Fuck Yeah! numa caminhonete carregando uma guilhotina na caçamba e estacionar nas proximidades do Capitólio é uma escolha que exige um certo compromisso com o espetáculo. E foi exatamente isso que um Zé Ruela de 35 anos resolveu fazer, já que não bastava estacionar errado. Era preciso acrescentar à infração uma mensagenzinha implícita.. ou não tão implícita assim.
Decapitando e andando pelas estradas da loucura, esta é a sua SEXTA INSANA!
Tudo aconteceu na terça-feira, 25/08, pouco depois das três da tarde. Philan-Tam-Duy Le, residente em Julian, Califórnia (o que eu chamo de “muquifo geográfico”, já que tem cerca de 1600 habitantes… mil e seiscentos!), veio feliz dar um rolé em Washington (a Brasília deles, e isso serve tanto pra capital do país como um carro vagabundo que pessoal tem melhores afeições do que lembranças reais). Ele estacionou sua caminhonete e… ok, né?
Os comedores de Donuts perceberam que a caminhonete do Philan (porque Quilan) estava estacionada ilegalmente no quarteirão 100 da East Capitol Street. Até aí, Washington tinha apenas mais um sujeito que aparentemente não conhecia muito bem as placas de trânsito. Não é muito diferente do brasileiro que não sabe nem o que significa semáforo ou faixa de pedestres.
Foram lá dar a famosa multinha quando deram de cara com uma guilhotina. Vocês sabem, aquela máquina que se tornou o símbolo mais eficiente da Revolução Francesa, criada por um médico e que ainda era forma de execução no início do século XX. Acho até que poucas outras invenções consigam transmitir uma mensagem política tão claramente sem precisar de PowerPoint.
Isso acrescenta uma camada especial de insanidade à história. Porque uma coisa é encontrar alguém carregando uma guilhotina. Outra, bem diferente, é descobrir que ele decidiu transportar o equipamento por milhares de quilômetros até a capital federal. Em algum ponto da viagem, portanto, aquele homem parou para abastecer, comer, descansar ou simplesmente contemplar a vastidão do território americano enquanto uma máquina de decapitação seguia tranquilamente na caçamba. Ele deve ter passado pelo Texas e os texenses olharam para aquilo, deram de ombros e continuaram suas vidas.
Outro ponto a ser observado é a ordem das prioridades. A Polícia do Capitólio identificou primeiro a infração de trânsito e só depois se tocaram que havia um pequeno artefato da história revolucionária francesa esperando no compartimento traseiro. A burocracia, afinal, precisa manter seus princípios e as prioridades. Você pode chegar à capital carregando um símbolo da queda da monarquia, mas, por favor, respeite a sinalização horizontal.
A guilhotina foi apreendida e Philan acabou preso sob acusação de portar uma arma perigosa… Mas a função de qualquer arma NÃO É ser perigosa? Curiosamente, a Segunda Emenda garante ao cidadão Murican andar armado, não especificando qual arma. Existe até estudo sobre se você pode ter uma guilhotina; poder, até pode, mas tem a advertência em consultar um advogado. Acho que qualquer advogado diria “olha, irmãozinho, não é que você não poooooossa. Só não será uma boa ideia”. Só faltou a advertência: se for guilhotinar algo, não dirija. Se for dirigir, não leve a sua guilhotina.
This afternoon our officers seized a guillotine, which they spotted in the bed of a pickup truck along the 100 block of East Capitol Street.
You can learn more about the arrest here: https://t.co/JibVXWBj8j pic.twitter.com/orxccDAyZc
— The U.S. Capitol Police (@CapitolPolice) August 25, 2026
Philan está em preso, mas CA-LARO, se ele tivesse o nome John Smith McFuckin também estaria vendo o Liberty Bell nascer quadrado.
Ah, para finalizar: acho que o problema foi que ele parou em frente à Suprema Corte. Não vou falar nada sobre isso, fique aí com seus pensamentos.
Fonte: Meganhas Donuts
