
Isaac Asimov (que era químico, e com ele a oração e a paz) passou décadas escrevendo leis para impedir que robôs fizessem mal a humanos. Esqueceu apenas de uma pequena brecha: o que acontece quando o mal vem do humano que segura o controle remoto? Pois a Alemanha acaba de nos dar a resposta, e ela vem com corrente de ouro, bigode falso e bermuda de basquete.
Na noite de domingo, pouco antes da meia-noite, em Colônia, uma adolescente de 16 anos estava com amigos diante de uma lanchonete, cuidando da própria vida, o que deveria ser um direito constitucional em qualquer país civilizado, mesmo no caso dos chucrutes.
DE REPENTE, NÃO MAIS QUE DE REPENTE um robô humanoide de cerca de 1,20 metro de altura, pintado de vermelho e dourado para parecer o Homem de Ferro chegou junto da jovem. Não, não era bem o Homem de Ferro do Robert Downey Jr., que ao menos tinha o decoro de ser insuportável apenas com bilionários. Esta versão vinha de camiseta branca cortada, bermuda preta de basquete, bigode postiço e corrente dourada, como se Tony Stark tivesse sido reimaginado por um concurso de fantasias de quinta categoria no fim de uma despedida de solteiro da Rosicleide, moradora do Méier.
Segundo a polícia de Colônia, o robô, controlado remotamente, agarrou as nádegas da jovem e fez movimentos de investida contra ela. Ou seja, um agressão sexual, com um boneco de metal como instrumento. Convém repetir, porque a gente se acostuma a tudo: a tecnologia que a humanidade levou décadas e bilhões de euros para desenvolver acabou nas mãos de quem decidiu que a melhor aplicação para ela era assediar uma menina na rua.
Claro, você não consegue pensar que algo seria mais absurdo que isso, mas tal coisa só prova que você tem pouca imaginação!
O dono do robô é um vagabundinho de 16 anos, com o mesmo número de QI, que resolveu perpetrar isso ao lado de seu amigão de 19 anos, com o mesmo número de cromossomos a mais ou a menos (anda não decidi), e que teriam filmado tudo e transmitido ao vivo nas redes sociais, acrescentando comentários que a polícia classificou de repugnantes, apesar de ter adorado poder ter tido acesso.
O vídeo circulou no TikTok, como era de se prever. Daí, é caso de se pensar na engenharia mental envolvida: o sujeito comete o que a polícia trata como crime e, em vez de se esconder, instala a câmera para gerar conteúdo pros seguidores e provas para serem usadas no julgamento. Bem, como falei: QI de 16.
A vítima, diga-se a seu favor, fez exatamente o que se espera de alguém com juízo: chamou a polícia, e os meganhas Schweinshaxe – para surpresa geral de quem esqueceu como alemães são – foram eficientes. Pouco depois, Ficker und Leichtgläubige encontraram o robô no porta-malas de um Volkswagen. Sim, a máquina de última geração, símbolo da revolução tecnológica, escondida atrás do estepe como uma caixa de cerveja roubada. Eu sei que agressão sexual é algo grave, mas eu não consigo parar de rir por causa daqueles dois retardados.
As autoridades apreenderam o robô e os dois celulares dos dois vagabundinhos, e a foto divulgada pela polícia mostra o herói de mentira deitado no chão, de braços abertos, num constrangimento que nem Stan Lee conseguiria roteirizar.

O detalhe mais saboroso fica para o final: as investigações ainda tentam descobrir quem, de fato, manobrava o robô naquele momento. O adolescente de 16 anos é o dono, o de 19 estava junto, e ninguém sabe quem apertava os botões. É a primeira vez que a pergunta “quem foi?” precisa ser feita a um controle remoto. Vale lembrar que, até onde se sabe, os dois são apenas suspeitos, e a Justiça alemã, que leva a sério o crime de assédio sexual por contato físico, vai decidir o resto. Enquanto isso, os dois estão vendo o Jarvis nascer quadrado.
Moral da história: o robô é o único personagem desta trama que não tinha escolha, e talvez por isso seja o único com algum direito de ser chamado de inocente. A Inteligência Artificial ainda está longe de nos dominar. Enquanto isso, a estupidez natural segue funcionando perfeitamente, sem atualização de firmware e com a bateria sempre carregada.
Fonte: Tabloide Murica Fuck Yeah!
