
Quando Bram Stoker escreveu Drácula em 1897, ele não apenas criou um dos personagens mais icônicos da literatura de terror, mas também registrou sabores e aromas de uma Europa Central que poucos conheciam, deitando sobre as páginas de seu romance gótico um pouco dessa cultura gastronômica.
Entre as brumas dos Cárpatos e os corredores sombrios do castelo do Conde, há um detalhe que muitos leitores deixam passar: a comida. E é justamente em uma dessas passagens que encontramos o Paprika Hendl (ou Paprikás Csirke, em húngaro), um prato que revela muito sobre o contexto histórico da obra.
No tempo de Stoker, a Transilvânia não era parte da Romênia, mas sim uma região do vasto Império Austro-Húngaro. Essa união política trouxe consigo uma fusão cultural fascinante, onde ingredientes, técnicas e tradições culinárias se entrelaçavam entre Viena, Budapeste e as montanhas da Transilvânia.
O Paprika Hendl é justamente um filho dessa época: um frango cozido lentamente em um molho aveludado de páprica, creme azedo e cebolas, que aquece o corpo e a alma nas noites frias das montanhas. A páprica, especiaria que dá ao prato sua cor vibrante e sabor característico, é praticamente o emblema da cozinha húngara.
Ao incluir esse prato em Drácula, Stoker não estava apenas adicionando um detalhe pitoresco. Ele estava construindo autenticidade, mergulhando seus leitores vitorianos em um mundo exótico e distante, onde até a comida era diferente, misteriosa, quase mágica. E hoje, mais de um século depois, podemos trazer esse pedaço da história para nossas cozinhas, provando literalmente um gosto do mundo que Jonathan Harker encontrou em sua jornada até o Castelo Drácula.
O Tasting History nos traz mais um prato incrível com sabor de história, aventura e… os recantos lúgubres de nossos medos mais profundos. MUAAHAHAHAHAHHA

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