
Enquanto você está aqui embaixo discutindo se vale a pena pagar R$ 150 por mês numa academia que tem uma esteira quebrada desde 2019, a 408 km de altura, sete astronautas acabaram de protagonizar o episódio mais surreal de “Malhação no Espaço” que já se viu. Na Estação Espacial Internacional, onde uma única flexão custa aproximadamente o PIB de um país pequeno em combustível de foguete, o pessoal da Expedição 73 decidiu que exercitar-se não é apenas questão de saúde, é literalmente questão de sobrevivência da espécie.
Mike Fincke, engenheiro de voo da NASA que provavelmente nunca imaginou que sua carreira incluiria pedalar na imponderabilidade usando uma tiara futurista, passou um dia inteiro parecendo um cruzamento entre um ciclista profissional e um personagem de Black Mirror, e tenho que falar Black Mirror por causa do monte de jovem maldito que acha que esta bosta de série algo fantástico.

Errr… Oi!
Equipado com todo tipo de sensores, ele pedalou numa bicicleta ergométrica no módulo Destiny enquanto seu corpo era monitorado com precisão cirúrgica. O objetivo? Descobrir como manter astronautas saudáveis em viagens que farão a Odisseia parecer um passeio de fim de semana.
A ironia é deliciosa: no único lugar do Universo onde você literalmente não pesa quase nada, o exercício físico se torna mais importante do que nunca. Sem a gravidade terrestre para nos manter constantemente lutando contra o próprio peso, nossos ossos e músculos decidem entrar em greve, como sindicalistas cósmicos. Por isso, nossos heróis espaciais são obrigados a duas horas diárias de malhação compulsória, um regime que faria qualquer personal trainer terrestre ter pesadelos de prazer.
Mas Fincke não parou por aí. Depois do almoço (que, curiosamente, não gruda no prato), ele se transformou num farmacêutico espacial, manipulando o experimento “Colloidal Solids”, um nome que soa como banda de rock progressivo mas que na verdade investiga como produzir medicamentos e fazer impressão 3D no Espaço. É o tipo de multitasking que faria qualquer mortal terrestre desmaiar: primeiro você é cobaia de exercícios, depois vira cientista farmacêutico. Tudo isso flutuando WEEEEEEEEEEEE (sim, eu sei!).
Enquanto isso, Kimiya Yui, o representante japa da turma, assumiu o papel de zelador mais qualificado da galáxia, trocando filtros de umidade, analisando amostras de água e testando equipamentos de medição atmosférica. Imagine explicar isso no LinkedIn: “Responsável pela manutenção de laboratório orbital com foco em qualidade do ar e segurança da tripulação”. O cara literalmente passa aspirador e ainda testa equipamentos de ginástica para as próximas expedições além da órbita baixa; porque, aparentemente, não basta ir à Lua, precisamos chegar lá em forma.
Os americanos Jonny Kim e Zena Cardman, por sua vez, ganharam folga depois de dias descarregando uma nave cargueira da SpaceX, o equivalente espacial de montar móveis do IKEA, mas com a diferença de que se você perder uma peça, ela pode estar flutuando em algum lugar entre Júpiter e Netuno. Durante o descanso merecido, eles ativaram experimentos sobre células-tronco ósseas, porque no espaço até o tempo livre é produtivo.
O lado russo da estação não ficou para trás: Oleg Platonov começou uma sessão de 24 horas usando sensores cardíacos, transformando-se numa versão espacial de participante de reality show, só que em vez de câmeras, são eletrodos monitorando cada batimento do seu coração microgravitacional. Sergey Ryzhikov e Alexey Zubritsky fizeram inventário de equipamentos, tarefa que, em microgravidade, deve ser tão divertida quanto caça ao tesouro em câmera lenta.
O que torna tudo isso fascinante não é apenas a complexidade técnica, mas o fato de que cada pedalada, cada análise de amostra, cada inventário feito a 27.600 km/h está pavimentando o caminho para algo maior. Estes experimentos não são apenas sobre manter astronautas saudáveis; são sobre entender como a vida humana pode se adaptar e prosperar longe do berço terrestre.
É quase poético: numa era em que discutimos se devemos colonizar Marte, estes sete humanos flutuantes estão literalmente suando (sob a desconfortável imponderabilidade, o suor não escorre, apenas forma bolhas que grudaram na pele) para garantir que quando finalmente dermos aquele salto gigante para a humanidade, nossos ossos não se transformem em purê no meio do caminho.
A academia mais cara do universo, afinal, está construindo não apenas músculos, está construindo o futuro da espécie.
Fonte: NASA

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