
Investigações antropológicas e arqueológicas são muito difíceis. Praticamente uma merda. Não apenas isso, sempre tem um vagabundo querendo roubar o seu trabalho. Malditos parasitas! E por falar em parasitas, descobriram evidências de parasitas intestinais em uma latrina de 500 anos na Bélgica. Sim, é outra pesquisa de merda, mas com ela espera-se que forneça evidências científicas importantes sobre como as doenças infecciosas se espalharam por meio de viagens e comércio.
Alguém vai chamar de Capitalismo de Merda conduzido por burgueses parasitas. E sim, eu farei muitas piadinhas sobre isso ao longo do texto e não vou regretar nada (se Guimarães Rosa pode fazer neologismos, eu também posso).
A drª Marissa Ledger tem doutorado em Antropologia Biológica e é pesquisadora do Departamento de Patologia e Medicina Molecular do Centro de DNA Antigo da Universidade McMaster no Canadá. Marissa (de mulher pra mulher) descobriu evidências de parasitas intestinais em uma latrina de 500 anos localizada em Bruges, na Bélgica. Segundo a doutora, muitos parasitas que vemos hoje existem há séculos, e examinar doenças infecciosas de antigamente é essencialmente entender como era o mundo no qual as pessoas viviam e como elas contraíram esses parasitas, bem como a epidemiologia mudou ao longo do tempo.
A latrina em questão foi descoberta em uma escavação em 1996, mas seus artefatos e restos orgânicos foram examinados só recentemente como parte de um projeto de pesquisa maior na Universidade de Ghent, focado nas muitas comunidades estrangeiras que viviam e negociavam na Bruxelas medieval e em suas antigas cidades portuárias.
Marissa (de mulher pra mulher) e seu pessoal estabeleceram que a latrina veio de uma casa conhecida como Casa Da Nação Espanhola, a sede administrativa e o ponto de encontro da comunidade mercantil castelhana. O parasita encontrado era o nosso velho amigo Schistosoma mansoni, o vagabundinho responsável pela esquistossomose. A pesquisa aponta que o vermezinho de merda (literal e metaforicamente) em questão provavelmente estava associado a um desses comerciantes espanhóis que facilitaram a importação de mercadorias africanas como ouro em pó, marfim e várias especiarias, e ganhou uma esquistossomose nos seus rolés pelo Novo Mundo.
A combinação desse rico registro histórico com os dados arqueológicos e parasitológicos é bastante única e está ajudando aos pesquisadores a entender melhor a migração humana e a transmissão de doenças no passado e ressalta o significado histórico dessa colaboração belga-canadense.
As descobertas apresentam algumas das primeiras evidências de esquistossomose fora de sua região endêmica da África, e foram publicadas na revista Parasitology, especializada em muito troço nojento que tem dentro da gente. Aproveita que está com texto integral.

Um comentário em “Pesquisa em privada velha estuda o que europeus tinham dentro de si”