Testes para COVID-19 apresentam erros e podem dar resultado negativo mesmo em pessoas contaminadas

Estamos caminhando de vento em popa para o pico de infecções do COVID-19, também conhecido como coronavírus, ou Coronga, entre os mais chegados. Para quem trabalha como profissional de saúde, a exposição é um risco constante, e por mais que se tenha EPI disponíveis (você não, Brasil) é preciso ter testes à disposição. O problema está aparecendo quando muitas decisões médicas são tomadas por causa dos testes.

Como poderia isso dar errado? Alguns testes não serem confiáveis e darem respostas de falsos negativos, isto é, quando a pessoa está contaminada, mas o teste diz que ela está de boas. Conseguem imaginar o quanto isso vai dar ruim?

A drª Priya Sampathkumar é infectologista, consultora da Divisão de Doenças Infecciosas do Departamento de Clínica Médica da Clínica Mayo. Sua linha de pesquisa inclui epidemiologia e o controle de organismos resistentes a antibióticos nos serviços de saúde, infecções associadas à assistência à saúde, novas modalidades de tratamento de infecções por Staphylococcus aureus e agora está debruçada sobre o COVID-19.

Em sua pesquisa, ela e seus colaboradores apontaram para o risco representado pela dependência excessiva dos testes COVID-19, pois a sensibilidade dos testes de polimerase de reação em cadeia da transcriptase reversa e as características gerais de desempenho dos testes não foram relatados de forma clara ou consistente na literatura médica. Em resumo, não se sabe se funciona ou quando funciona, qual o grau de exatidão do resultado.

O que isso significa? Ele pode dar erro e dizer que você não tem nada, mas está corongado, espalhando mais COVID-19 pela vizinhança, quando deveria estar em casa, por via das dúvidas.

O teste se baseia em captar uma amostra de RNA do que se supõe ser do coronga. A enzima transcriptase reversa sintetiza faz exatamente isso: uma enzima que faz algo como engenharia reversa e chega numa cadeia de DNA complementar (abreviado para cDNA). A transcriptase reversa utiliza um pequeno trecho iniciador, feito de DNA fita simples que se pareia ao RNA para começar o alongamento da fita de cDNA. Em seguida, é utilizada para verificar a expressão gênica, isto é, quando o trecho de DNA faz o que melhor sabe fazer: expressar um gene e, com isso, sintetizar proteínas. Se após o teste houver uma proteína específica que o RNA do coronga sintetiza, é sinal que o coronga está ali.

Isso é MUITO resumido.

O problema é que este teste é ótimo para dar certeza que a pessoa está corongada, mas isso não significa que uma pessoa com o coronga dará positivo todas as vezes. Ela pode dar negativo. Mas quando dá positivo, pode ter certeza que está, sim, com o vagabundinho microscópico.

Péra, isso significa…

Que se ele der negativo, há uma possibilidade de você estar contaminado, mas não dar o resultado positivo. Quando dá resultado positivo, é porque realmente está. Mas alguém contaminado com resultado negativo irá para casa e interagirá com várias pessoas, contaminando todo mundo.

Mas o quão ruim é isso?

O teste negativo acerta cerca de 90% das vezes. O problema é que esses 10% que terão o vírus e darão negativo contaminarão várias pessoas, pois o vírus tem altíssima taxa de contaminação. Mesmo esses 10% é um perigo extremo num lugar com alta densidade populacional.

Priya e seus colaboradores alertam para que médicos e profissionais de saúde não se atenham apenas aos testes, mas associem com outros exames e observações do quadro clínico dos pacientes. Já no Brasil não temos este risco, já que não tem teste para termos chance de dar errado.

A pesquisa foi publicada no periódico Mayo Clinic Proceedings

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