Pesquisa estuda como velocidade de degelo do permafrost aumenta o efeito estufa

O processo intensificado de aquecimento global anda feliz e de vento em popa. As pessoas pensam nos problemas de emissão de CO2, em que só alguém bem estúpido pena que se pode zerar tal emissão (estou olhando pra você, Gregrê). Tão problemático quanto isso é o degelo do permafrost. Basicamente, ele tem ali aprisionado quantidades grandes de metano, CH4. O metano é um gás de efeito estufa mais poderoso que o CO2, embora eu considere que quando o metano vai subindo, ele acaba sendo detonado e virando gás carbônico, mesmo. Isso não é legal, né? Pois é. No Ártico tem muito permafrost, que em última análise, é solo congelado contendo metano. E sabe o que é pior? Este solo congelado está descongelando. Adivinhe o que vai acontecer.

A drª. Merritt Turetsky é diretora do STAAR, o Instituto de Pesquisa do Ártico e dos Alpes, vinculado à Universidade do Colorado Boulder. Sua especialidade é Ecologia de ecossistemas, Ecologia de zonas molhadas (não necessariamente o Rio de Janeiro alagado durante um temporal), Ciclo de carbono, Ciência de Permafrost, Ecologia de fogo e Biogeoquímica. Ela tem o próprio laboratório com um site até maneirinho.


Metano oriundo do degelo do permafrost. Sim, pega fogo!

Turetsky resolveu pesquisar os processos de degelo abruptos nos solos permafrost. Não que ela esteja lá com um maçarico derretendo gelo. Ela não seria louca para fazer uma coisa dessas (pelo menos, eu acho que não). O que Turetsky – que tem sobrenome parecendo algum vilão de James Bond durante a Guerra Fria – fez foi jogar dados num computador fodástico* e mandou que ele projetasse para o futuro o que ia acontecer.

*Sim, eu posso chamar o computador de “fodástico”. Não tenho adsense para ser cassado. Fuck you, Google!

A questão é que o permafrost sofrendo degelo já é ruim pelos gases de efeito estufa, mas a Natureza é da política que se algo é ruim, que tal fazer por onde piorar mais ainda? E daí vem o problema que se o permafrost descongelar, bem, sendo a maior parte substâncias gasosas à temperatura ambiente, vai ficar muito pouco lá embaixo. Assim, o que está por cima vai desabar. Está ruim o suficiente?


Bolhas de metano

Calma que piora! Parte do permafrost é água, então, vai ter água líquida ali, e dependendo da extensão desse permafrost, teremos um lindo pântano, cuja umidade elevada alterará o microclima da região. Tem gás de efeito estufa subindo e um alagadiço embaixo. A temperatura vai subir, a água vai evaporar, teremos uma bela estufa ali, o que fará mais permafrost descongelar, mais terreno cedendo e assim por diante.

Na pesquisa de Turetsky, foram tabulados e processados os melhores dados disponíveis até agora. Os modelos que ela e sua equipe desenvolveram simulam os impactos de degelo abrupto no balanço de carbono do permafrost. As emissões de 2,5 milhões de km² de degelo abrupto podem fornecer um feedback climático semelhante ao das emissões graduais de degelo de toda a região de permafrost de 18 milhões de km².

Não entendeu? Vou explicar.

Os dados correntes sobre o descngelamento do permafrost são coletados acompanhando um degelo gradual e lento. Segundo a pesquisa de Turetsky, se levar em conta o degelo que acontece de forma bem mais rápida, chega-se a dados que apontam que o impacto é muito maior do que se o descongelamento fosse lento, o que faz sentido, mediante o que acontece durante este degelo, conforme eu expliquei.

Embora os modelos prevejam que o degelo gradual possa levar à captação líquida de carbono do ecossistema, isto é, parte dos gases são reabsorvidos pela água e solo, as emissões bruscas de degelo provavelmente compensarão esse possível sumidouro de carbono, mandando pra atmosfera esses gases sem-vergonha. Por isso, que menor área de um degelo brusco dá a mesma quantidade de gás de uma área bem maior, mas com degelo lento.

Versão TL;DR: Se o permafrost derreter rápido, estamos rapidamente mais ferrados. Boa sexta-0feira a todos e leia a pesquisa que foi publicada no periódico Nature Geoscience.

Já leram? Podem sextar, então!

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