Humanos malvados continuam ferrando com o planeta, mas ficou por isso mesmo

Saiu mais uma pesquisa que espécies estão ameaçadas pela chamada “pegada humana”, ou seja, pela simples presença de seres humanos, os quais deixaram marcas em todo o planeta. A rigor, não tem um só lugar do mundo que não tenha uma marca da passagem da humanidade, tendo o estudo avaliado 20 mil espécies terrestres, e descobrindo que 85% agora estão expostas a intensa pressão humana.

Aí eu pergunto: ok. O que se faz então? A pesquisa não tem resposta, pois não lhe fizeram esta pergunta.

Christopher O’Bryan é um doutorando do Departamento de Ciências da Terra e do Ambiente da Universidade de Queensland, na Austrália. Mesmo morando num lugar em que qualquer coisa viva apareceu para causar mortes horríveis, ele se preocupa com a presença humana no mundo, já que estamos passando o rodo geral em todos os seres vivos de maneira sem precedentes. Isso é estranho, ainda mais quando tivemos várias grandes extinções, como a do Permiano, em que 95% das formas de vida do planeta foram pro saco, mas parece que os humanos atuais são os imensos vilões.

Isso, claro, até o momento que chegar outro meteorão.

Quase-doutor Chris usou o conjunto de dados mais abrangente sobre a chamada “pegada humana”para identificar o impacto das pressão humana em outras espécies. A “pegada humana” não é bem uma pegada, dessas que se deixa na areia, mas uma metáfora sobre como nossas ações e modo de vida deixam marcas pelo mundo afora.

A pesquisa de Chris mostra que que, pelo menos, 20.529 espécies terrestres de vertebrados est~]ao sendo afetados. Deste número, cerca de 85% ou 17.517 espécies têm metade de seus intervalos expostos à intensa pressão humana, com 16% ou 3.328 espécies totalmente expostas. Eu acho até pouco pelo que andamos aprontando, seja por meio de caça, pesca, pecuária, agricultura ou simplesmente dando um rolé de carro, navio ou aviões, mas a pesquisa não entrou neste mérito. Acaba sendo apenas “oh meu Deus, estamos afetando outros bichinhos”.

Sim, estamos. Guess what? Todo mundo impacta todo mundo num ecossistema global. Só a invenção da agricultura mudo9u o clima e, com isso, afetou milhares de seres vivos, não só animais, mas plantas e microorganismos também. O que a gente faz, então? Volta pra caça e coleta? Não porque isso impactou seres vivos também. Fazemos o que então? Nos auto-exterminarmos? Se sim, por gentileza, comecem com os jovens.

A análise do grupo de estudo conduzido por Chris, sem que ninguém o odeie, constatou que vertebrados e espécies terrestres ameaçados com pequenos intervalos estão desproporcionalmente expostos à intensa pressão humana. A análise sugere que existem 2.478 espécies adicionais consideradas “menos preocupantes”, seja lá o que isso signifique, que possuem porções consideráveis ??de sua faixa que se sobrepõem a essas pressões, o que pode indicar seu risco de declínio.

A pesquisa é apenas um amontoado de números, mas não sugere, como sempre, uma solução. Mesmo porque, ninguém quer fazer parte da solução. Ninguém que denuncie como nós afetamos o planeta quer parar de usar roupas, sapatos, celulares, computadores, veículos etc. é fácil quando você sai de casa sem se preocupar que tem que sair às 4 da manhã para poder chegar no trabalho às 7, pegando 3 conduções.

Para se ter uma ideia, o bairro de Jacarepaguá, no Rio, tem 2 milhões de habitantes. Não tem emprego para esse pessoal todo lá. Logo, a ideia idílica de morar perto do trabalho a ponto de ir a pé, diminuindo o uso de veículos e, por conseguinte, redução de emissões de gases poluentes, é apenas isso: uma ideia apenas.

Ninguém quer admitir que somos parte de um ecossistema para lá de zuado e muito frágil. Por pura sorte ainda tem seres vivos por aqui. E nem eu nem você que está lendo fará algo de diferente para efetivamente causar uma mudança expressiva, não importa que cobrem 8 centavos a sacolinha plástica. Proibiram os canudos e o impacto foi zero. Faremos o que? Proibiremos veículos a motor? Ah, sim, tem os elétricos. Ótimo, quando em muitos países desenvolvidos a eletricidade é obtida por queima de combustíveis fósseis, mas a turma do Prius acha que está melhorando o mundo. No brasil, pelo menos, a obtenção de eletricidade é majoritariamente por usinas hidrelétricas, que também causam impacto ambiental, assim como usinas eólicas e solares.

De resto, a pesquisa do Chris, publicada no periódico Global Ecology and Conservation, tem a incrível conclusão:

Nosso trabalho sugere que a pressão humana intensa é generalizada dentro dos limites dos vertebrados terrestres avaliados. Para uma visão mais clara do status das espécies, defendemos a utilização de dados cumulativos de pressão humana, juntamente com outras medidas, como preferências e abundância de habitat de espécies, para identificar áreas dentro de suas faixas que estão em maior risco de ameaças antropogênicas cumulativas, e onde a conservação uma ação para garantir que eles tenham alcance suficiente para persistir é iminentemente necessária. Dada a crescente influência humana no planeta, o tempo e o espaço estão se esgotando para a biodiversidade, e precisamos priorizar ações contra essas intensas pressões humanas.

Em outras palavras:

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