Imaginar coisas que dão medo dá medo

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Dizem que Einstein falou que a imaginação vale mais que o conhecimento. É tão-somente mais uma fanfic para justificar gente ignorante. De qualquer forma, a imaginação pode não valer mais que o conhecimento (e não vale), mas em determinadas situações ela acarreta numa mesma resposta orgânica, isto é, se você tem fobia a algo (boletos vencidos, por exemplo), só de imaginar o disparador dessa fobia seu corpo começa a agir da mesma forma se este disparador estivesse na sua mão. Ou seja, imaginar boletos vencidos e ter alguns na sua mão acaba lhe levando ao pânico.

O dr. Tor Wager é diretor do Laboratório de Neurociência Cognitiva e Afetiva da Universidade do Colorado (não, não fica no Rio Grande do Sul e muito menos tem algo a ver com o Internacional). Ele gosta de dar uma olhadinha no que o pessoal tem dentro da cabeça. Ainda pensando aqui se ele usa traje anti-contaminação, mas deixemos isso de lado.

Bom, vamos ao que é importante: O dr. Donald Blake, digo, o dr. Wager botou todo mundo pra trabalhar. 68 voluntários saudáveis ??foram treinados para associar um som a um choque elétrico desconfortável, mas não doloroso (tocava o som, PZZZZZZZZT!). Em seguida, eles foram divididos em três grupos e expostos ao mesmo som ameaçador, solicitados a imaginar que o som estava tocando ou convidados a imaginar sons agradáveis ??de pássaros e chuvas. Independente do que fizeram, nenhum choque foi aplicado às cobaias, fazendo deste experimento algo bem chato.

NÃO, PÉRA! Era divertido sim!

Primeiro, mandaram todo mundo pro aparelho de ressonância magnética funcional (fMRI). Sensores na pele mediram como o corpo respondeu. Nos grupos que imaginaram e ouviram os sons ameaçadores, a atividade cerebral foi notavelmente semelhante, com o córtex auditivo (você sabe… o que processa som), o nucleus accumbens (que é associado à aprendizagem de recompensa) e o córtex pré-frontal ventromedial (associado a risco e aversão). Tudo acendendo que nem árvore de Natal.

Após a exposição repetida sem o PZZZZZZZZT do choque, as cobaias, digo, os voluntários dos grupos de ameaças reais e imaginários experimentaram uma condição em que o anterior indutor de medo não mais dava mais resposta. Isto é, o cara estava no modo “Tô nem aí!”.

Já o grupo que imaginou pássaros e sons de chuva mostrou diferentes reações cerebrais, e sua resposta de medo ao som persistiu. Isso implica que a imaginação pode ser uma ferramenta mais poderosa do que se acreditava anteriormente para atualizar essas memórias. Ela está bem funda na nossa mente, tão funda quanto os mais básicos instintos, entre eles o de sobrevivência e, talvez, seja isso que explique o ocorrido.

Então, antes de clicar no link da pesquisa que foi publicada no periódico Neuron, que tal você se imaginar numa calma e plácida savana, com quilômetros e quilômetros de terreno aberto, tranquilo e o céu azul…

E um leão camuflado esperando para fazer de você o jantar de hoje.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας