Achou que homens são XY e mulheres são XX, apenas? Ciência tem uma informaçãozinha pra você

Mergulhadores, baços, genes e ética indo por água abaixo
As diferenças genéticas entre grupos étnicos em busca de marcadores de Alzheimer

Você deve se lembrar da celeuma com a Miss Espanha que concorreu ao Miss Universo, sendo que ela é ele, mas não é ele, é ela. Bem, a Miss Espanha é transgênero, que segundo informações é operada e talz. Você vai fazer cara de nojinho, mas pegou coisa muito pior na sua vida que eu sei, e todo mundo queria pegar a Roberta Close antes de ser operada. Uma das principais alegações é que a Miss Espanha não tinha cromossomo XX e sim XY. Bem, vocês devem saber que Biologia não é ciência exata, né? Pois é, filhotes, uma nova pesquisa apontou por que os cromossomos X e Y não determinam o sexo do bebê.

Sim, eu sei que muitos de vocês não vão aceitar. Isso que é legal em ciência: ela está pouco se fodendo pro que você aceita ou deixa de aceitar. Ciência é o que é. Vamos ao artigo.

Para princípio de conversa, você aprendeu no colégio que meninas têm dois cromossomos X (XX) e meninos têm um cromossomo X e outro Y (XY). Você também aprendeu que a fórmula da água é H2O, o que não é o caso, pois esta é a sua fórmula mínima. Em Física você aprendeu a fazer um monte de contas, mas sempre considerando ambientes ideais, com o famoso “despreze a resistência do ar”.

A definição do sexo nos seres humanos (vamos ignorar répteis, peixes e o ornitorrinco, pois aí vira a sucursal do inferno cromossômico) é muito mais complicado do que o colégio faz crer. O problema começa que algumas pessoas têm os cromossomos dizendo uma coisa e os órgãos sexuais dizendo outra. Você parece um homem, mas é uma mulher, ou vice-versa. Isso ocorre por uma coisa chamada de Distúrbios de Diferenciação Sexual (DDS). São condições congênitas nas quais o desenvolvimento do sexo cromossômico, gonadal ou anatômico é atípico, uma forma mais científica de dizer “tá tudo zuado”.

A pessoa pode ter cromossomo de homem, mas com corpo de mulher e órgão sexual de homem. Poder ter cromossomo de mulher, corpo de homem e órgão sexual de mulher. Sim, fica uma complicação e isso dá um surto no cérebro, pois ele não sabe se é homem ou mulher.

Calma que piora!

Com o avanço da Ciência a nomenclatura DDS começa a complicar mais ainda, pois passamos a ter intersexo, hermafroditismo, pseudo-hermafroditismo e sexo reverso, e mesmo estes passaram a não ser os mais adequados. Há síndromes que podemos ter indivíduos com cromossomos XXX, XXY e XYY. Complicou para saber quem é homem e quem é mulher aí? Ótimo, pois ainda temos os XXYY, XXXY, XXXYY e XXXXY. Desde a década de 1990, os pesquisadores identificaram mais de 25 (VINTE E CINCO!) genes envolvidos em DDS, e as mais modernas técnicas de sequenciamento de DNA trouxe uma ampla gama de variações nesses genes que têm efeitos leves sobre os indivíduos, em vez de causar DDS. Para que servem? Em muitos casos a resposta é: ninguém sabe ainda!

E com um detalhe. Ainda estamos no “hardware”. Temos o problema de software? A Disforia Sexual!

Vamos lá. Pense qual é o seu gênero. Homem, mulher, não importa. Feche os olhos e se pergunte “O que me faz saber que eu sou desse gênero?” Você olha pro seu órgão sexual e diz “ok, eu sou um homem” ou olha pra baixo, apalpa os seios e diz “ok, isso aqui diz que eu sou mulher, então eu sou”. É assim? Crianças já sabem a qual gênero pertencem, elas sabem se são meninos e meninas, independentes da morfologia. A disforia sexual acontece quando a pessoa sabe que pertence ao gênero, digamos, homem, mas tem órgãos sexuais femininos. O cérebro, entretanto, é de homem, pensa como homem, age feito homem (sim, o cérebro de homens e mulheres são diferentes). Ele é um transgênero. “trans” significa “além de”. A atividade cerebral e a estrutura em indivíduos transexuais se assemelham mais aos padrões típicos de ativação do gênero desejado do que deveria ser ditado pela sua morfofisiologia. Isto significa dizer que a estrutura cerebral de um transgênero será compatível ao gênero ao qual ele acha que pertence, e não mediante os seus órgãos sexuais.

Pesquisas apontam que as diferenças na função cerebral podem ocorrer no início do desenvolvimento e que a imagem cerebral pode ser uma ferramenta útil para a identificação precoce de transgenerismo em jovens. Então, o cara acha que é uma menina, olha no espelho vê um corpo de menino e acha que cortaram a cabeça dele e colocaram em outro corpo, porque ele SABE que é uma menina e não um menino. Não é sem-vergonhice, não é homossexualidade. É outra coisa. O homossexual sabe que é um homem ou mulher, mas sente afinidade com indivíduos do mesmo sexo que ele (ou ela). Ele sabe qual gênero pertence e não sente nenhuma disforia. Ok, tá tudo nos conformes, só que ele prefere relacionamentos com indivíduos do mesmo sexo. Só isso. Não é uma doença, não é uma síndrome. É genético? Possivelmente, mas não se sabe direito, nunca se descobriu nenhum gene.

A Disforia Sexual causa sérios problemas psicológicos e comportamentais. Não, o cara não vai passar por um processo de cura. Não existe cura-gay e ninguém vai mudar de hétero pra homossexual, mesmo porque, quem sofre de disforia sexual não tem nada a ver com homossexualidade. Os gays estão OK consigo mesmos. Os transgêneros, não. Por isso, eles passam por avaliação psicológica, trocentas consultas com vários especialistas, até que finalmente ele ou ela faz a cirurgia para mudança de sexo.

Agora isso é importante: ter diferenças nos cromossomos sexuais não significa que alguém seja transgênero. Ser transgênero não implica que o indivíduo tenha polissemia. Como eu falei: um é uma questão física, o outro é psicológica e neurológica. O tratamento com psicólogos é pro indivíduo entender a sua situação e não curá-lo de uma “aberração”. Não existe cura gay, como eu disse. O caso de David Reimer ilustra isso. Apesar de ele sempre ter sido criado como menina, não ter um órgão sexual masculino (já que ele foi destruído quando David nasceu), ainda assim ele se comportava como menino.

OBSERVAÇÃO

Tudo o que foi falado é baseado em CIÊNCIA. Você se achar com gênero “maionese” é apenas imbecilidade sua, junto com aquela porrada de gênero que os millenials retardados inventaram. Aqueles zilhões de idiotices não são corroboradas por nenhuma pésquisa científica em termos de medicina, biologia e genética. No máximo, problemas psiquiátricos que podem muito bem ser resolvidos com uma surra de gato morto até o gato miar.

Até aqui estamos entendendo? Ótimo, pois vai complicar ainda mais o que já é complicado: Pesquisadores descobriram um novo regulador genético que desempenha um grande papel na determinação se um bebê nasce masculino ou feminino, bem como se o seu sistema reprodutivo é suscetível de se desenvolver de forma diferente após o nascimento.

Brittany Croft é doutoranda em Biologia Celular no Instituto de Pesquisa Infantil de Murdoch, na Austrália. Como doutorando é estagiário de luxo do pós-doc, a página dela mal tem o e-mail.

Sua pesquisa estuda como o DNA influi no processo de caracterização sexual no embrião, isto é, qual gene é responsável por você nascer menino ou menina. Para tanto, Brittany estudou o famoso DNA Lixo, partes do DNA que não contêm genes, mas sim reguladores que têm impacto na atividade genética. Atualmente, a nomenclatura prefere o termo “DNA não-codificante”.

Vamos voltar ao que você pensa que sabe: meninos têm cromossomos X e Y. Aquele Y ali o faz ser menino machão pegador, certo? Ótimo, pois não é que você não está certo. Você não está nem mesmo errado. Se eu perguntar POR QUE o cromossomo Y faz um menino ser… bem, menino, você não vai saber, mas a questão é o trecho de DNA que tem lá, mas não somente isso. É preciso que ele tenha um gene crítico, chamado SRY. Isso basta, certo? Não, não basta. É preciso um outro gene chamado SOX9 sendo expressado para produzir a proteína SOX-9, a qual reconhece a sequência CCTTGAG necessárias para determinar o crescimento dos testículos.

Mutações no Sox9 ou quaisquer genes associados podem causar reversão do sexo e hermafroditismo (no caso dos humanos é chamado “intersexualidade”). Se a proteína Fgf9, também codificada pelo gene Sox9, não estiver presente, um feto com cromossomos X e Y pode desenvolver gônadas femininas, e o mesmo pode acontecer se a proteína Dax1 não estiver presente.

Simplificando: a pessoa tem os famosos cromossomos X e Y, que você vai jurar de pé juntinho que é cromossomos que determinarão que essa pessoa é um homem, mas na hora do vâmu vê, ele tem órgãos sexuais femininos. E aí? São homens porque têm o cromossomo Y ou são mulheres por causa dos órgãos genitais?

Bem, a pesquisa mostrou que, ao analisar 44 pessoas com tais características, os pesquisadores identificaram três realçadores no DNA não-codificante que controlavam os níveis de SOX9, mas é bem provável que haja mais realçadores que controlem a expressão do gene e mesmo assim temos a grande pergunta que fica é: Quais são as causas dessas várias condições intersexuais e por que o gene não é expressado e o que ocorre no interior da mente dessas pessoas? A resposta é: ninguém sabe completamente. O que se tem feito é compilar dados e traçar parâmetros. Não são muito bem compreendidas até agora, mas nenhuma pesquisa começa tendo todas as respostas. Mas com certeza tem uma coisa: há mais entre o gênero e os genes do que sonha seu ridículo conhecimento de XX e XY.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Communicantion com texto completo abertinho pra você!


Para saber mais

  • Transgender brains are more like their desired gender from an early age (PDF)
Mergulhadores, baços, genes e ética indo por água abaixo
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Sobre André Carvalho

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