Mulheres são menos propensas a receber ajuda por medo de acusação de assédio

Dizem que toda boa ação será castigada. O ponto reverso é que medo de um castigo inibe uma boa ação. É que nem você vai ajudar uma velhinha a atravessar a rua e já acham que você quer sequestrar a coroa; tem vezes que nem ela mesma quer a sua ajuda. E com a atual onda de mulheres que veem machismo em tudo, o resultado acaba sendo muito sério. Sim, tem mulher que chama cavalheirismo de “sexismo benevolente”. É errado abrir a porta para uma mulher (fonte, fonte e fonte). É errado chamá-la de “dama” (lady, em inglês. Fonte). É errado, pelo visto, homens existirem. Mesmo porque tem gente louca que defende que 90% dos homens devem ser exterminados e os outros 10% só devem existir para procriação (EU NÃO ESTOU INVENTANDO!!)

Sabem qual foi o resultado disso? Homens vendo mulheres precisando de ajuda na rua e, com receio de serem processados por assédio, não as ajudam, aumentando seriamente a chance de elas morrerem por falta de assistência.

Dois estudos independentes resolveram por que as mulheres são menos propensas a receber RCP de pessoas na rua. RCP (ou CPR em inglês) é a sigla de Reanimação Cardiopulmonar (ou cardiorrespiratória). É aquele procedimento para garantir a oxigenação dos órgãos quando a circulação do sangue de uma pessoa pára (dane-se o acordo ortográfico). Sabe o cara montar em cima da pessoa e ficar fazendo pressão rítmica sobre o peito? (estou simplificando). Pois é.

E não. Ficar dando chocão elétrico para a pesoa voltar do mundo dos mortos é coisa de filme. Na maioria dos casos não se usa desfibrilador.

A drª Sarah Perman é professora-assistente da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado. Sua pesquisa constatou que o ato de fazer compressões torácicas leva a desconforto em pessoas, principalmente se o paciente for mulheres. O medo de isso ser considerado alguma forma de assédio sexual faz com que mulheres sejam menos propensas a receber o RCP, mesmo quando a “paciente” é um avatar criado em um ambiente virtual (aka, numa simulação de computador. Nenhuma muher real ali).

Uma outra pesquisa online solicitou que 54 pessoas explicassem, sem limite de palavras, por que as mulheres poderiam ter menos probabilidade de receber RCP quando entram em colapso em público. As respostas podem ser resumidas em:

  • Toque ou exposição potencialmente inapropriados;
  • Medo de ser acusado de agressão sexual;
  • Medo de causar dano físico;
  • Falta de reconhecimento das mulheres em parada cardíaca – especificamente uma percepção de que as mulheres são menos propensas a ter problemas cardíacos, ou podem estar se exacerbando excessivamente ou “fingindo” um incidente.

Péra! Fungindo um incidente? Mulheres seriam capazes disso? Sim, seriam. São capazes até de mentir que foram estupradas por motivos diversos (fonte, fonte e fonte, mas se procurar mais, tem juito mais. Vide a guria que foi “nazistada” mas era fanfic, mesmo). E é por isso que polícia nunca aceita a versão da vítima ou “vítima”. Não é que seja misoginia, é porque polícia não acredita em ninguém, mesmo, ou não há investigação. Sem investigação, caímos na pior das ditaduras, em que as pessoas são denunciadas, presas e sentenciadas sem direito a defesa.

Estes estudos foram apresentados no simpósio da American Resuscitation Science. Só que isso nem é novidade assim. Em 2017, uma pesquisa mostrou que apenas 39% das mulheres receberiam ajuda caso necessitassem. Já 45% dos homens receberaiam ajuda, com 23% mais chances de sobreviver que mulheres. A pesquisa foi feita com 20 mil casos em todos EUA e o motivo foi que havia relutância em tocar o peito de uma mulher parea não tocar-lhes os seios. Até mesmo equipes de resgate tinham receio de tocar os seios. Num país como os EUA onde se processa por qualquer coisa, dá para entender o motivo.

Estas pesquisas mostram o pior dos pesadelos atuais: ser acusado de um pré-crime, como na distopia de Philip K. Dick. Daí, quando alguma mulher que clamou que homens devem ser exterminados, que escreveu que abrir porta é machismo, que estabeleceu que dar “bom dia” é assédio e que, se bobear, só olhar é estupro, não receberá ajuda, pois qualquer ajuda corre o risco de ser mal-interpretada e ninguém quer correr o risco. O Efeito Espectador já tem uma grande influência psicológica. Associado com o risco de um processo só faz as pessoas passarem ao largo, pensando que não têm nada com isso, enquanto profissionais de saúde masculinos têm que se resguardar perante a possibilidade de algum processo, contando com uma acompanhante feminina parea, sobretudo, certificar a todos que o médico não abusou da paciente, limitando a ocorrência de uma acusação qualquer (infundada ou não).

Aí, quando mulheres deixarem de vez de receber qualquer tipo de auxílio ou assistência quando necessário, reclamarão que isso é uma forma de misoginia e de apagamento de mulheres ou outra bobagem qualquer. Mas aí será tarde demais.


Fonte: AHA, @cardoso , @DivagoTM

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s