Desinfetante de mãos ajuda a deixar bactérias mais resistentes

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Há nove anos, eu publiquei um artigo mostrando como materiais de limpeza (em especial, desinfetantes), estavam fazendo com que bactérias acabassem se tornando mais resistentes a antibióticos. Isso porque basta uma única bactéria que tenha nascido com uma mutação que lhe dê condições de sobreviver neste meio que rapidamente ela se divide, formando uma colônia de bactérias com esta mesma capacidade de resistência.

Sim, Seleção Natural é uma cachorra!

Mas não precisa se alarmar por causa disso, deixe para se alarmar quando souber sabonetes bactericidas para as mãos estão contribuindo para o aparecimento de bactérias cada vez mais resistentes e daqui a pouco nem a porcaria do álcool-gel perfumadinho que você carrega na bolsa vai limar estas lazarentas.

Os doutores Paul Johnson e Timothy Stinear, da Universidade de Melbourne gostam de estudar sujeira e gente que adora se limpar, o que ajuda a fazer bactérias mais fortes e sadias. Não, péra! Não é bem isso. Assim como uso indiscriminado de desinfetantes, sabonetes anti-bactericidas acabam dando uma vantagem para aquela bacteriazinha safada que era capaz de sobreviver, mas tinha problemas em disputar recursos com outras bactérias. Como as bactérias que não resistiam aos agentes bactericidas iam para a linda vala evolutiva, sobravam as resistentes e daí é só partir pro abraço, se reproduzindo… bem, reproduzindo-se feito bactérias.

Na pesquisa que os dois pesquisadores pesquisaram, ficou evidenciado a maravilha de informação que em dois hospitais australianos, entre 1997 e 2015, bactérias conseguiram sobrevier tranquilamente no álcool usado em desinfetantes para as mãos. Isso dá 18 anos, e em temos de gerações de bactérias, isso é MUITA coisa. Praticamente, um tempo absurdamente grande!

Johnson e Stinear, que parece nome de dupla de série policial, começaram a pesquisa depois que perceberam os padrões de infecções hospitalares. Quando os serviços de saúde intensificavam a higienização com produtos à base de álcool, houve queda na população de vários germes, como o Staphylococcus aureus, MRSA etc. Em compensação, bactérias Enterococos, um gênero de bactérias gram-positivas, comensal do aparelho digestivo e urinário, isto é, elas estão de boas no seu intestino e vias urinárias. A princípio, elas parecem legais, mas se eu fosse você, não confiava nelas. É tipo aquele cunhado que te ajuda a carregar as compras da garagem até seu apartamento. Daí, quando chega lá, ataca a sua geladeira, senta no seu sofá, troca de canal e coloca os pés sujos em cima da mesa de centro. Cunhado que carrega coisas é legal, mas se der mole ele acaba com a sua vida. Você não quer estas bactérias-cunhado tomando conta da sua vida, quer?

Uma espécie dessas miseráveis é o Enterococcus faecium, este ser das Trevas é um dos principais responsáveis por infecções hospitalares. Esta cria de Ctulhu adquiriu resistência a uma ampla variedade de antibióticos, mesmo os mais modernos. Agora, esta mardita ainda está tendo uma bela resistência a desinfetantes à base de diferentes tipos de álcoois.

“Álcool” é uma função química. O álcool que você conhece como “álcool” é o etanol, mas tem o isopropanol, ou álcool isopropílico também, usado também em desinfetantes para as mãos e até para limpar contatos e bancos de memória em computadores, já que ele praticamente não tem água e ao evaporar não deixa água lá para ajudar no curto-circuitinho maroto que você não quer que aconteça.

A concentração mínima de álcool (etanol ou isopropanol) numa mistura desinfetante seja de 70% em diante. Boa parte não tem, apesar de dizerem que sim. Isso acarreta numa ineficiência, e se são ineficientes, várias bactérias sobrevivem, se reproduzem e… bem, eu já disse o que acontece.

A pesquisa foi publicada no periódico Science Translational Medicine

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Sobre André Carvalho

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