Pesquisa estuda como corais são extintos e voltam a vida

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Aprendi com Jurassic Park que a vida sempre dá um jeito. Espero que isso valha para todo tipo de ser vivo, exceto para os jovens atuais. A verdade é que o planeta tem passado por períodos de extinção, para depois a vida começar a se proliferar novamente. Basta só alguns exemplares e já é o suficiente. Um exemplo desses ocorreu há treze mil anos, quando a última era glacial terminou e trechos inteiros da Grande Barreira de Corais da Austrália pereceram. Os níveis dos mares aumentaram muito, impedindo a luz solar chegar às camadas mais profundas do oceano, o que gerou uma mortandade de seres fotossintetizantes e dos que dependiam deste para se alimentar. Foi uma catástrofe sem igual!

O recife acabou se recuperando, mas a vinda a nova leva de vida, fica0-se a pergunta: como aconteceu? Bem, parece que não foi num ponto só. E parece que isso não foi tão inusitado assim.

O dr. Jody Webster é geólogo marinho e professor da Faculdade de Geociências da Universidade de Sydney, Austrália. Ele gosta de estudar pedras molhadas e sedimentologia e estratigrafia. Sua pesquisa inclui o Programa Integrado de Perfuração Oceânica (IODP), que tem como foco recuperar núcleos de sedimentos do fundo do mar para entender o nível do mar e as mudanças climáticas do passado. Assim, ele estuda o que andou acontecendo no Grande Recife de Corais.

O relato do que aconteceu há 13 mil anos, entre extermínio e reflorescimento da fauna e flora do recife é algo bem recorrente. Pelo menos, este processo se repetiu cinco vezes nos últimos 30 mil anos, e a suspeita é que pode estar acontecendo de novo hoje.

A pesquisa enfoca como os corais resilientes estão diante da mudança, e quão rapidamente eles se recuperam após eventos catastróficos. Levando em conta que os níveis dos oceanos estão aumentando, daqui a um tempo vai acontecer a mesma coisa: a camada de água estará tão espessa que a luz do sol não chegará a quem mais precisa. Morreu um, morre geral.

Webster e seu pessoal precisavam dar uma olhada com mais profundidade na profundidade dos recifes. Para isso, claro, utilizaram um sonar submarino para localizar áreas no fundo do mar onde os corais podem ter crescido no passado. Então, eles perfuraram 20 buracos, extraindo núcleos de rocha que continham corais fósseis e sedimentos depositados nos últimos 30.000 anos, abrangendo parte da última era glacial e os quentes milênios que se seguiram.

Mediante os dados coletados, ficou evidenciado que o morticínio histórico das diferentes levas de vida naquela região são similares no processo de morte e vida, decaimento e ressurgimento. Isso até nos explica um pouco do que poderá ocorrer (ou não). Ou seja, o planeta ficará muito bem, nós é que estaremos ferrados.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Geoscience. Acesso aberto? Em pleno feriadão? Cê tá de brincadeira, né?

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Sobre André Carvalho

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