A prisão de ossos de Harry Eastlack

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Muitas pessoas sonham em ser alguém na História, vislumbram a possibilidade de seus nomes entrarem para livros e se tornarem conhecidos por vários especialistas. O problema é que isso pode acontecer de uma forma que você não gostaria, um exemplo disso é o caso de Harry Eastlack. Ele ficou conhecido por ter tido uma mutação, mas não daquelas tipo x-men de disparar feixes de energia pelos olhos.

Harry tinha dois esqueletos e isso não foi nada legal.

Não se sabe muito sobre Harry Raymond Eastlack, Jr., salvo que ele nasceu na Pensilvânia, em algum momento de novembro de 1933. O problema estava em alguns dos seus genes, e isso ele descobriu aos 5 anos, quando estava brincando com a sua irmã.

Harry caiu e quebrou a perna esquerda. Nada muito de anormal (mas que ele devia estar numas brincadeiras bem hardcore, isso é inegável). Ele acabou tendo que ir pro hospital para colocar a perna no lugar e engessar, óbvio, mas aí vieram outros problemas: a fratura não foi corrigida de forma normal, e isso gerou complicações.

Óbvio, você pode pensar que isso foi no tempo da medicina do período pré-cambriano, mas tinha algo de errado com Harry. Seu quadril e joelho enrijeceram e começou a haver crescimento de ossos em várias partes do corpo, e isso inclui até os músculos da coxa?

Sim, isso mesmo! Estavam crescendo ossos dentro de músculos fora do osso que já estava lá antes. Bizarro, não? Calma que piora. Houve formação óssea em todos os músculos e tendões, suas articulações ficaram “soldadas” e, aos vinte anos, as vértebras de Harry Eastlack se fundiram, e isso continuou até o dia de sua morte, em novembro de 1973, aos 40 aos de idade, preso num esqueleto por cima de um esqueleto, sem nem poder falar direito, pois sua mandíbula ficou presa, o corpo curvado e só conseguindo mover os lábios.

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Tudo isso aconteceu graças a um projeto feito por um designer inteligente!

Harry Eastlack sofria de ossificante progressiva (FOP, para encurtar), uma doença genética rara (afeta apenas 1 pessoa em 2 milhões de indivíduos) que causa a formação de ossos no interior dos músculos, tendões, ligamentos e outros tecidos conjuntivos. Pessoas que sofrem desta doença acabam produzindo todo um novo esqueleto “extra”, literalmente prendendo a pessoa em si mesma, sem poder se mexer.

Tudo muito lindo (ok, não é), tudo muito legal (ok, também não é), mas o que causa a FOP?

O dr. David Goldhamer é diretor do Instituto de Células-Tronco do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Universidade de Connecticut. Segundo sua própria declaração, O dr. Martelo de Ouro utiliza abordagens básicas e translacionais em ratos para investigar o desenvolvimento, regeneração e reparação do sistema músculo-esquelético, tendo como componente-chave de sua pesquisa o uso de tecnologias de modificação do genoma para entender os processos biológicos fundamentais das células nos níveis genético e molecular.

Em suma, ele procura nos genes para saber o que pode dar de errado em músculos e ossos por obra e graça de alguma sacanagem genética escondida em nossas células. Uma delas é a FOP.

Como pudemos perceber no caso de Harry Eastlack, mesmo os ferimentos mais leves desencadeiam um crescimento absurdo dos ossos. Até mesmo uma picada de injeção pode acarretar isso, e não tem nada que possa impedir este processo. Os ossos “extras” não podem ser removidos cirurgicamente, já que isso desencadeia e intensifica a produção de mais ossos. Fatalmente, estas pessoas ficarão cada vez mais imóveis, e com problemas respiratórios, como foi o caso do próprio Eastlack, que morreu de pneumonia.

Tudo bem que é uma doença genética. O segredo está lá fora nos genes. Mas como acontece o que acontece? Foi o que Goldhamer decidiu descobrir; e o que ele descobriu é que não tem nada a ver com os músculos. O problema está num tipo de célula chamada progenitores fibro-adipogênicos, ou FAPs (se controla aí, ô 5ª Série!). Os FAPs ficam no tecido muscular, mas ainda não está totalmente claro o que eles fazem. Ninguém tinha ideia de que eles eram capazes de fazer cartilagem e osso.

Assim, Goldhamer começou estudando o que desencadeia a FOP. Sabe-se que tudo está relacionado com o gene ACVR1, o qual fornece instruções para a produção da proteína do receptor de ativina tipo I, que é um membro de uma família de proteínas chamada receptores da proteína morfogenética óssea (BMP) tipo I. Os receptores de BMP abrangem a membrana celular, de modo que uma extremidade da proteína permanece dentro da célula e a outra extremidade se projeta a partir da superfície externa da célula. Esse arranjo permite que os receptores recebam sinais de fora da célula e os transmitam para dentro, afetando o desenvolvimento e a função das células.

Tá de sacanagem, né?

O receptor de ativina tipo I é um sistema que é normalmente ativado em momentos apropriados por moléculas chamadas ligantes. A ativação pode ocorrer quando esses ligantes se ligam ao receptor ou a outras proteínas com as quais forma um complexo. Uma mutação no setor R206H deste gene faz com que esses ligantes desencadeiem a ossificação dentro dos músculos, tendões etc. A saída, então, seria tentar reverter a mutação, ou impedir que o receptor de ativina receba a ativina, parando o processo.

O dr. Mertela o Martelão de Ouro e seu pessoal estão desenvolvendo uma técnica em que, primeiramente, eles criaram uma modelagem da expressão de Acvr1 é dependente de recombinação. Usando esse modelo genético preciso da FOP, os pesquisadores liderados por Goldhamer demonstraram que as FAPs são um tipo de célula agressora importante para a ossificação. Ficou-se demonstrado, também por análise de linhagem que o Acvr1 funciona de forma autônoma na célula na formação óssea, e essa ossificação dirigida pela FAP é estritamente dependente de ligantes de ativina e a análise genética sugere que o ACVR1 de tipo selvagem e o ACVR1 (R206H) competem para limitar o ligante ou componentes de sinalização essenciais, ditando assim a extensão da ossificação.

Em outras palavras, os pesquisadores confirmaram o que funciona como gatilho da ossificação. Assim, em tese, é ali que eles têm que trabalhar para deter o avanço da ossificação, se não conseguirem impedi-la de sequer começar.

O que ainda não se sabe é quais células são ativadas pelo comando da expressão do gene mutuna, e a identificação dessas células responsáveis ??pela ossificação pode facilitar o desenvolvimento de abordagens terapêuticas para a FOP, complementando estratégias de desenvolvimento de drogas baseadas na inibição da atividade da quinase A8,20, ACVR1 e na diferenciação da cartilagem entre muitos outros etc que não sabemos, mas os pesquisadores estão trabalhando em cima de um problema gerado nem algo que é a pura mostra que somos a obra de um projeto inteligente.

A pesquisa de Goldhamer foi publicada na Nature. Ainda está meio longe de descobrir todos os fatores envolvidos na fibrodisplasia ossificante progressiva. Um tratamento mais longe ainda e uma cura, nem se fala. Mas pesquisas têm que começar de algum lugar e, quem sabe, alguma descoberta incrível pode resolver de vez isso. Ou não. O que nos resta é pensar como pessoas como Harry Eastlack sofreram e sofrem, apesar de não serem vistas, dada a raridade da doença. Pelo menos, sempre haverá um pesquisador investigando, mesmo que seja um caso em 10 milhões.

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Sobre André Carvalho

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