Pesquisa brasileira mostra como melhorar eficiência no cultivo de soja

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Por muito tempo, o Brasil liderou a produção e exportação mundial de soja, mas nossa incompetência endêmica nos fez perder o posto de maior exportador de soja do mundo para os Estados Unidos. Da produção mundial de pouco mais de 351 milhões de toneladas de soja, com uma área cultivada e aproximadamente 121 milhões de hectares, os EUA produzem 117,2 milhões de toneladas do referido grão em uma área de 33,48 milhões de hectares. Já o Brasil produz 113,92 milhões de toneladas de soja em uma área de 33,89 milhões de hectares, tendo uma eficiência de plantio inferior ao dos EUA, que não parece muito, mas quando jogamos na tabela em termos de milhares de hectares (1 hectare é um hectômetro quadrado ou 10 mil m2). Fonte

A soja é importantíssima e estratégica, já que é um alimento rico em proteínas, podendo ser usada para consumo humano e de animais. O problema é proteínas são moléculas que precisam de boas quantidades de nitrogênio para que sejam estabelecidas ligações peptídicas; isso acarreta que seu cultivo demanda alta concentração de nitrogênio no solo. Como podemos melhorar a eficiência no cultivo? Ora, tendo mais nitrogênio no solo, é claro. Fácil, não? Como fixaremos mais nitrogênio?

O nitrogênio vem do ar. Fácil, né? O problema é otimizar isso, já que bactérias não são todas iguais. As que fixam nitrogênio vivem em nódulos radiculares extraindo nitrogênio da atmosfera e convertendo-o em nitrogênio biológico que possa ser usado pelas plantas. A este processo chamamos “fixação do nitrogênio”, e é realizado por várias espécies de bacte?rias. Estas bactérias secretam uma enzima chamada dinitrogenase, capaz de romper a tripla ligac?a?o do nitrogênio.

PÉRA! VAMOS COM CALMA!

Ok. O nitrogênio N2 é uma molécula diatômica. Como o nitrogênio possui 5 elétrons no último nível, ele alcança a estabilidade compartilhando 3 elétrons. Daí que sua ligação com outro átomo de nitrogênio é uma ligação tripla. É uma ligação bem forte, o que faz do nitrogênio um gás inerte que possui uma imensa dificuldade de reagir com outras substâncias. A dinitrogenase consegue partir essa ligação tripla, e isso precisa de muita energia.

A dinitrogenase, então, consegue reagir com o N2 atmosfe?rico e convertê-lo em amo?nia (NH3), a mesma forma obtida no processo industrial. Esta enzima é produzida pelas bactérias do gênero Bradyrhizobium, as quais vivem simbioticamente com as plantas, formando estruturas especializadas nas raízes da soja. Estas estruturas são chamadas “nódulos”, compostas por células especificas na raiz, por interferência das bactérias. O processo biológico contribui, com 65% da fixação anual de nitrogênio.

Como a soja precisa de muito, muito nitrogênio, é preciso achar um meio de dar uma ajudinha às nossas amigas unicelulares. Uso de fertilizantes é uma saída, mas isso envolve custos de produção do respectivo fertilizante e profissionais para calcular e aplicar o mesmo, ou vai acabar piorando a situação.

Então, pesquisadores da EMBRAPA desenvolveram uma técnica, mediante uma pesquisa que eu só soube por meio de periódico estrangeiro, já que pesquisa no Brasil não é divulgada e pesquisador fica boladinho que a população não se interessa por ciência, quando os próprios cornos não divulgam esta merda!

A drª Mariangela Hungria da Cunha é professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Além disso, ela trabalha como pesquisadora da Embrapa Soja, que trata de… <rufem os tambores>… soja. Em sua pesquisa, Mariangela e seus colaboradores estudam a viabilidade de aumentar o número de nódulos da raiz de planta de soja. Com mais nódulos, teremos mais bactérias, o que leva a uma produção maior de dinitrogenase, o que fará com que maior quantidade de nitrogênio seja fixado, o que leva à lindas plantinhas felizes e bem alimentadas, aumentando a eficiência de cultivo e safras melhores.

A técnica utilizada pela drª Mariangela consiste em revestir as sementes de soja com uma dose caprichada de bactérias, pulverizando-as nas plantas durante outros estágios de crescimento. As plantas de soja que receberam a inoculação em spray adicional desenvolveram mais nódulos radiculares. E mais nódulos levaram a maiores rendimentos.

De acordo com a pesquisa publicada no Agronomy Journal (você achou que eu fiquei sabendo disso como? Por divulgação científica brasileira? RÁ!), a adição de bactérias às sementes aumentou o rendimento em 27% e 28%. A pulverização de bactérias nos campos de soja durante o crescimento aumentou ainda mais os rendimentos.

Se todo o cultivo de soja brasileiro fizesse uso dessa técnica, e assumindo um aumento de 30% no rendimento, a produção brasileira de soja pularia de 113,92 milhões de toneladas para cerca de 148 milhões de toneladas. Vamos ser humildes e considerar um aumento de apenas 25% no rendimento. A produção passaria para 142,4 milhões de toneladas de soja. Pensem no que isso significa em termos de abastecimento interno e exportações.

E não é só isso! Produção de fertilizantes gera custos de diversos tipos. Não só para o produtor que compra (e 70% desses fertilizantes são importados), como para o ambiente, já que se elimina gás carbônico em demasia na sua produção, pois, a cada quilograma de fertilizante de nitrogênio fabricado, pelo menos 10 quilogramas de dióxido de carbono podem ser liberados para a atmosfera. Isso sem falar que brasileiro é tosco e não investe em capacitação, aplicando fertilizantes e agrotóxicos em demasia. Isso gera custo de compra e aplicação, e custo que tudo isso vai parar no solo, depois em lençóis freáticos, contaminando nascentes.

Esta pesquisa recebeu verba da Universidade Estadual Paulista, Fundação Agrisus, Embrapa e Total Biotecnologia. Eu não sabia disso. Precisei fazer pesquisas paralelas, pois divulgação científica aqui pé brincadeira.

Eu amo ciência e fico feliz com cada real meu de impostos que vai para pesquisa. Mas CARACA!, acho que o mínimo que eu tenho direito é saber o que se faz aqui, e não depender de sites estrangeiros para me informar, né?

No máximo, eu descobri no site da EMBRAPA que inauguraram uma sede de catadoras de mangaba. Muito obrigado, EMBRAPA, isso é muito importante para manter o Brasil como um país de tecnologia avançada e ajudar a manter o mundo livre da HYDRA!

E é melhor parar por aqui antes que eu comece com os palavrões.

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Sobre André Carvalho

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