Ensino Público de São Paulo terá Empatia e Criatividade. Ai, ai ♥

Nada como o mundo mágico pedagoguiano, em que tudo é lindo e resolvido com umas aulinhas de capoeira, artes manuais ou alguma bobagem que acha que fará crianças convivendo com violência diária e muitas vezes sendo seduzidos por ela. Mas não, o problema da segurança e a boa formação moral já está sendo resolvido agora. As escolas municipais de São Paulo agora terão aula de Criatividade e Empatia no currículo.

Esta maravilha vinda das viúvas de Paulo Freire (que tinha tanta empatia que defendia luta armada e dizia que, no processo revolucionário, mortes são aceitáveis) pretende resolver questões e habilidades socioemocionais. Eu não sei como se ensina criatividade.

– Então, Juquinha, você tem umas hastes de madeira, umas lonas e um motor. Como você faria um avião?
– Hã?
– HELLOOOOO? Um avião, Juquinha!
– O que é aveão?
– CARAIO, JUQUINHA, VOCÊ TEM QUE SER CRIATIVO!

– RETARDADO FILHO DA PUTA!
– Ai! Ai! Ai! Mariazinha, você tem que ter empatia.
– Mas o puto do Dadinho puxou o meu cabelo!
– Dadinho é o caralho! Meu nome é Zé Pequeno.
– Dadinho, Dadinho. Assim você deixa a tia triste.
– Não fode, sua vaca! Meu pai é chefe da boca e vou chamar os mano pra ti encher de pipoco, tá ligada? Fica na tua aí, coroa!
– Vai ficar sem lanchinho da tarde!

De acordo com o mundo mágico da Secretaria de Educação de São Paulo, professores têm muito pouco o que fazer (sobreviver aos alunos é mero detalhe). Sendo assim, vejamos.

  • Resolução de problemas: resolver problemas individuais e coletivos e agir de forma propositiva.

Já começamos no melhor mundo dos livros de auto-ajuda. Colégio não é para criança de Fundamental resolver problemas individuais. Aliás, que problemas individuais? Pai bêbado e mãe drogada? Tia tirou do canal da Galinha Pintadinha e botou no R.R. Soares? Querem que o professor faça o que? Não, péra. É pro ALUNO resolver sozinho. E não so os problemas deles, mas os dos colegas também? Afinal, o que é para ser feito? Não tô entendendo!

  • Comunicação: Compartilhar saberes, reorganizando o que já se sabe e criando novos significados.

A mania dos saberes. O que um moleque de dez anos traz de “saberes”? Eu imagoino que muita coisa, e não é nada lá que se aproveite.

  • Autoconhecimento e autocuidado: Reconhecer limites, gerir suas emoções e comportamentos e dosar impulsos.

Limites… Brasileiro já tem a tendência de ver os limites e sair rindo, sacundindo a cabeça, dizendo: “RÁ! Limites: huehuehuehue”.

  • Autonomia e determinação: Fazer escolhas, ter confiança para planejar e realizar projetos pessoais.

Que projeto pessoal algum moleque de Fundamental tem? Só me digam isso, pedagogas.

  • Abertura à diversidade: Agir com flexibilidade e sem preconceito, conviver harmonicamente com os diferentes.

“Agir com flexibilidade”. Não sei direito o que querem dizer. Sobre não ser um cuzão com quem é diferente, isso deveria vir de casa, não?

  • Responsabilidade e participação: Agir de forma solidária e sustentável, respeitar e promover direitos humanos e ambientais

Todo mundo de mãos dadas cantando Kumbayah, my Lord, Kumbayah. Depois joga o papel do lanche no chão, não dá descarga depois de ir no banheiro e lavar as mãos é construção social.

  • Empatia e colaboração: Trabalhar em grupo, solucionar conflitos, desenvolver tolerância à frustração.

Trabalho em grupo no colégio é um inferno, e não melhora nadinha depois de adulto. Deixem os moleques fazerem os trabalhos sozinhos. Sobre aprender a lidar com frustração, bem, vocês que falam que não pode corrigir com caneta vermelha e dar nota baixa pois deixa os aluninhos tristinhos. Querem se decidir, por gentileza?

  • Repertório cultural: Diversificar suas possibilidades de acesso a produções culturais, desenvolvendo sua imaginação e criatividade.

Filme da Marvel e DC para depois fazer cosplay tá valendo?

  • Pensamento científico, crítico e criatividade: Observar, questionar e testar hipóteses

HAHAHUSAHUSAHUSAHUAHAHAHAHAHAUSAHUSAUAHAHAHAHAHUSAH
HAHAHAHAHASAHAHAHHAHA… COF… COF… COF,.. AAAAAAAAAAHHH
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHUSAHUSAUHSAUA AHAHSAHSAHAHA
UHSUAHSAUHASHAHAHAHAHAHAHA

O resumo disso é que não passa daquelas decisões inúteis que não farão a menor diferença, servindo apenas para sair na mídia, ainda mais que ano que vem é época de eleição. Professor continuará sem ter como dar aula, salas lotadérrimas, sem material didático-pedagógico e com alunos que se souberem escrever o próprio nome no Fundamental 2 estarão com sorte. Mas beleza, continuem com isso. Eu estava precisando rir hoje.

7 comentários em “Ensino Público de São Paulo terá Empatia e Criatividade. Ai, ai ♥

  1. Vejo isso e me lembro da resolução da Seduc-CE que obriga as escolas estaduais a manterem salas com, no mínimo, 40 alunos por sala.

    Sim, isso mesmo, as escolas são OBRIGADAS a formar salas com mais de 40 alunos. Se é possível montar sala com menos de 40 alunos, azar o seu. Empurra os 40 em uma sala só e Monte outra com mais 40.

    1. Faz sentido. Assim não precisam construir mais escolas. E as que tem são fechadas, reduzindo o custo de manutenção e fica desnecessário contratar mais profissionais

  2. Tive um semestre inteiro de Criatividade na faculdade (Particular, formação em Design Gráfico) e essas aulas não serviram de porra nenhuma, assim como Liderança.

    Me incomoda ver como nosso sistema educacional é inflado com conteúdo merda enquanto coisas básicas são deixadas de lado.

  3. Que falta faz a velha régua de 1m de madeira para bater na cabeça e mão dos alunos folgados.
    Tive professor a 10~15 anos atrás (época do primário) que não tinham vergonha de bater com régua, jogar apagador e giz nos alunos que atrapalhavam a aula ou aprontavam merdas na escola. E se o pai/mãe viesse reclamar eles voltavam com a orelha vermelha de tanta bronca que iam levar.

  4. Ah, tão bom achar um oásis no Deserto do Politicamente Correto. Adorei o “viúvas do Paulo Freire”.

    Espero apenas não contaminar isso aqui ou trazer a praga dos comunistinhas de faculdade.

  5. Lendo o texto passava como filme na tela o artigo do Paulo Blinkstein na Folha de S.P. Basicamente, a matéria trata da introdução da ”criatividade” , habilidades não cognitivas,em avaliações tais como Pisa.

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