Dietas com baixas calorias reduzem ocorrência de diabetes tipo 2

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Uma YouTubeira tosca (desculpem o pleonasmo) reclamou, chilicou, bateu com o pé tão forte no chão que o prendeu lá, e puxou o outro se rasgando ao meio. O motivo é porque os organizadores do ENEM não disponibilizaram cadeiras tamanho chupeta-de-baleia. Talvez, quem sabe, se tivesse avisado disso no formulário de inscrição (que tinha uma área para este tipo de solicitação), não teria ficado entalada como nas melhores cenas de comédia pastelão.

Mal aê, mas se é gordo, tem todo um modo de não ser mais gordo. Mesmo em caso de obesidade mórbida existe tratamento. Se você se sente bem sendo uma linda rolhinha de poço, é contigo, mas não reclame depois. E quer saber o que é pior ainda, além das doenças acarretadas pela obesidade? Você pode simplesmente diminuir os riscos de ter diabetes tipo 2 simplesmente diminuindo sua alimentação transbordante de carboidratos.

O dr. Gerald I. Shulman é médico endocrinologista e professor de Fisiologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade Yale. Ele e seus colaboradores estudam como uma dieta com baixas calorias pode reverter rapidamente a diabetes tipo 2 em modelos animais. Vocês sabem… aqueles modelos que sem eles não poderíamos saber dessas coisas, mas mesmo assim são tão odiados pelos vegans, cujo maior problema de saúde é de ordem mental e não diabético.

Com o auxílio de marcadores de isótopos estáveis, os pesquisadores desenvolveram um método para rastrear e calcular uma série de processos metabólicos que contribuem para o aumento da produção endógena de glicose pelo fígado. Para tanto, foi utilizada a técnica chamada Positional Isotopomer NMR Tracer Analysis (PINTA). Ele usa um isotopômero, um isômero óptico de um isótopo estável, isto é, ele é natural e tem um decaimento muuuuuuuuuuito lento, de forma a podermos rastreá-lo e analisa-lo por meio de aparelhos de ressonância nuclear magnética. É que nem aqueles contrastes radioativos, mas um pouco mais elaborado, e não, você não ganhará poderes X-Men. Sim, eu também acho isso um saco.

O método PINTA fui usado na presente pesquisa como um auxílio para que os pesquisadores pudessem ser capazes de analisar uma bela porção de análises de fluxos metabólicos no fígado. Não, não diga. Eu sei que você não entendeu. O fígado é a principal (e maior) glândula do corpo humano. Você aprendeu isso no Ensino Fundamental. O que você não aprendeu é que o trabalho do fígado de regular os metabólitos é feito simultaneamente, em grande quantidade e de uma vez, trabalhando incessantemente de forma absurda. Entenderam porque uma lesão no fígado lhe dá grandes dores de cabeça e um câncer nele é óbito se você não operar e, o mais indicado, transplantá-lo ao mais rápido possível? Pois é.

Com os marcadores estáveis, eles vão substituindo outros átomos nos compostos químicos, e os pesquisadores, com o auxílio do aparelho de ressonância, consegue medir, rastrear e determinar como as rotas metabólicas estão se desenrolando, mapeando a bagaça toda em nível molecular.

Assim, Shulman e seu pessoal conseguiram identificar três mecanismos principais responsáveis ??pelo efeito dramático que as dietas de calorias muito baixas executam, jogando os níveis de glicose lá pra baixo no sangue de animais diabéticos.

Ah, mas quer dizer que comer pouco carboidrato te livra da diabetes. Qual a novidade?

A novidade é que os cientistas agora sabem COMO e POR QUE isso acontece. A rigor, esse tipo de dieta atua diminuindo a conversão de lactato e aminoácidos em glicose. Como? Simples, anulando a ocorrência do efeito inverso. Quando você come, essas muitas calorias (na verdade, quilocalorias) a mais vão pro fígado, onde será convertido em glicogênio. As proteínas são quebradas em aminoácidos, que depois serão remontados em proteínas necessárias. Quando isso entra em desequilíbrio, os aminoácidos que não são necessários vão servir para atuar junto com o ácido lático e lactatos para produzir glicose. Isso porque nosso organismo AMA estocar energia, por causa dos milhares de anos passando fome; mas como inventamos os supermercados, deliveries e o iFood, se preocupar com reserva de alimentos passou a ser desnecessário em muitos casos.

Outro ponto crucial é que o acúmulo de glicogênio acaba virando outra reserva energética: glicose. Se você não ingere quantidades suficientes de quilocalorias, ele não irá se acumular no fígado sob a forma de glicogênio e este não se transformará em glicose. Mas não é só isso! Se pegarmos, por exemplo, que a sacarose é quebrada em seus monômeros: glicose e frutose, já sabemos o que acontece com a glicose. E a frutose, que é chamada de “açúcar diet” ou “low-sugar”? Bem, frutose não vem das frutas. Vem do metabolismo de polissacarídeos e é até mais doce que a glicose. Seu problema? Ele não é convertido em glicogênio no fígado e, por isso, não pode virar glicose. Frutose vira gordura, mesmo. Assim, dietas de baixa concentração de calorias terá menos polissacarídeos sendo convertidos em glicose e frutose. E se tem menos glicose, melhor para quando sua produção de insulina não tá dando conta até então. Gorduras dificultam a ação da própria insulina, ou seja, frutose não aumenta a taxa de glicose diretamente, mas ferra com o seu sistema metabólico que tentaria dar cabo da referida glicose. Lindo, não?

O próximo passo da pesquisa será estudar os efeitos em pacientes humanos, de forma a saber se os dados são condizentes, estudando pacientes com diabetes tipo 2 que tenham sido submetidos à cirurgia bariátrica ou ao consumo de dietas muito baixas em calorias.

Portanto, não passe vergonha gravando vídeos reclamando do ENEM. Comece sua dieta low-carb hoje. Você caberá na cadeira no ano que vem e diminuirá a tendência de ferrar com a sua saúde. Pense nisso quando você olhar para aquela lasanha monstruosa que você pretende comer hoje.

A pesquisa foi publicada no periódico Cell Metabolism.

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Sobre André Carvalho

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