Juiz dá permissão de exorcizar, digo, curar gays

Um herói que salvou milhões morreu, e você não ficou sabendo
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Tem horas que eu fico com algumas dúvidas na minha cabeça. Não sei se estamos vivendo numa teocracia fundamentalista ou as pessoas simplesmente são estúpidas, mesmo, colocando a culpa na religião para não terem que dar satisfações. Não que juízes sintam alguma necessidade de se explicarem por qualquer merda que façam, como qualquer agente de trânsito pode confirmar. Agora, um juiz do Distrito Federal acha que não tem problema nenhum tratar homossexuais, de forma que acabem com esse negócio de serem gays.

Em 1968, o DSM-II (classificação americana de transtornos mentais) classificou a homossexualidade como uma desordem mental. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria pediu a todos os membros que participaram de sua convenção para votar se acreditavam que a homossexualidade era uma desordem mental. 5.854 psiquiatras votaram para remover a homossexualidade do DSM e 3.810 para mantê-la.

A APA resolveu limar a homossexualidade do DSM, pero no mucho. Substituiu por “distúrbios de orientação sexual” para as pessoas “em conflito com sua orientação sexual”. Só em 1987, a homossexualidade saiu completamente do DSM.

Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde só retirou a homossexualidade da sua classificação da CID com a publicação da ICD-10 em 1992, embora o CID-10 ainda tenha a construção da “orientação sexual ego-distônica”, o que até parece nome de bebida. Nessa condição, a pessoa não tem dúvidas sobre sua preferência sexual, mas “deseja que fosse diferente por causa de transtornos psicológicos e comportamentais associados”.

Hoje, o padrão de psicoterapia nos EUA e na Europa é a psicoterapia afirmativa homossexual, que incentiva os homossexuais a aceitar sua orientação sexual, mas alguns juízes brasileiros ignoram a palavra de especialistas, dando ouvidos a “especialistas”. É o caso do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (que não tem nada a ver comigo, embora eu tenha parentes tão idiotas quanto) acata parcialmente o pedido de liminar da ação popular que requeria a suspensão da resolução 01/1999, na qual são estabelecidas as normas de condutas dos psicólogos no tratamento de questões envolvendo orientação sexual, o tipo de coisa que gentinha como o deputado federal de Goiás, João Campos, que protocolou na Câmara dos Deputados um Projeto de Decreto Legislativo para suspender a resolução do Conselho Federal de Psicologia, no que ficou conhecido como Projeto da “Cura Gay”, o tipo de coisa que certa gente retardada como aquela acéfala conhecida como “psicóloga cristã” defende ferozmente.

Na decisão, o juiz escreveu

A norma em questão, em linhas gerais, não ofende os princípios maiores da Constituição. Apenas alguns de seus dispositivos1, quando e se mal interpretados podem levar à equivocada hermenêutica2 no sentido de se considerar vedado ao psicólogo realizar qualquer estudo ou atendimento relacionados à orientação ou reorientação sexual. Digo isso porque a Constituição, por meio dos já citados princípios constitucionais, garante a liberdade científica3 bem como a plena realização da dignidade da pessoa humana, inclusive sob o aspecto de sua sexualidade, valores esses que não podem ser desrespeitados por um ato normativo infraconstitucional, no caso, uma resolução editada pelo CFP4

  1. Pegar pessoas de porrada também não viola os princípios maiores do Código Penal. Só um artigo ou outro.
  2. Colocou “hermenêutica” é embromação.
  3. Mengele fez que “sim” com a cabeça
  4. Sim, claro. O CFP está errado em achar que violar a liberdade individual pela sua orientação sexual é algo concernente a essa pessoa.

Vamos continuar?

Assim, a fim de interpretar a citada regra em conformidade com a Constituição, a melhor hermenêutica5 a ser conferida àquela resolução deve ser aquela no sentido de não privar o psicólogo de estudar ou atender àquelas que, voluntariamente, venham em busca de orientação de sua sexualidade6, sem qualquer forma de censura, preconceito ou discriminação7. Até porque o tema é complexo e exige aprofundamento científico necessário”, completou.

  1. Vide item 2.
  2. Voluntariamente carregado pelos pais.
  3. HAHAHUASHSAHSHUASHSAHAHHAHAHAHAH

No sentido de proibir o aprofundamento dos estudos científicos relacionados à orientação sexual, afetando assim, a liberdade científica8 do país e, por consequência, seu patrimônio cultura9, na medida em que impede e inviabiliza a investigação de aspecto importantíssimo da psicologia, qual seja, a sexualidade humano10. O perigo da demora também se faz presente, uma vez que, não obstante o ato impugnado datar da date11 de 90, os autores encontram-se impedido de clinicar ou promover estudos científicos acerca da orientação sexual12 o que afeta sobremaneira os eventuais interessados nesse tipo de assistência psicológica13

  1. Eu também acho que não podermos fazer experimentos para trocar cor dos olhos é uma sacanagem. E remover partes de cérebros r,m humanos ainda vivos? Seria legal, só não podemos fazer em alguns juízes.
  2. Cultura. Sabem o que é cultural, também, em certas sociedades? Infanticídio.
  3. De preferência estudando certos grupos para ver se eles deixam de fazer parte desse grupo.
  4. Década?
  5. Sei. Estudos científicos são feitos, o que não estão feitos são as tais curas gay, mas essa parte o juizão parece que não entendeu. Ou entendeu bem demais.
  6. Assistência psicológica. Aham.

Curiosamente, juiz manteve a resolução do Conselho Federal de Psicologia, mas determina que o CFP não impeça os psicólogos de promover estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à reorientação sexual, sem qualquer possibilidade de censura ou necessidade de licença prévia. Ou seja, é proibido, mas é permitido. WTF? Será que o juiz pensa em se tratar? Não sei, não me interessa.

Agora, estamos esperando as próximas decisões, como medir o crânio para decidir se a pessoa tem condições de executar certas atividades ou tem o tom de pele certo e formação óssea e muscular adequadas para poder se casar e ter filhos.

Eu sou feliz por ser um beta, mas até quando betas ficarão sem serem perseguidos?


Fonte: Veja

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Ronaldo José Carneiro Bernarde

    Bolsonaro vem aí!
    O primeiro alvo serão os gays. Depois os comunistas, os macumbeiros, negros, judeus, ciganos, nordestinos, estrangeiros…

    João Antonio Alves Martins respondeu:

    Ele havia afirmado que as minorias deveriam se curvar!

  • ElGloriosoRangerRojo™

    Resumindo: não existe nenhum estudo revisado por pares, ou diretriz para diagnóstico de homossexualismo. Se perguntarmos a um psicólogo que defende isso como esse tipo de tratamento funciona, ele vai dar um migué e provavelmente a palavra “hermenêutica” também vai estar presente no discurso dele.

    No fim das contas os caras querem que uma tese sem pé nem cabeça apareça pra corroborar a desordem mental deles, e essa sim deveria ser tratada.

  • Então, se eu tratar as pessoas com sangrias, aplicar cristais, mijar em cima da pessoa, acender incenso e fazer pajelança poderei me intitular médico?

    É fácil vc falar isso, senhor webdesigner, quando o máximo de merda que vc pode fazer na sua profissão é uma site feio

    Edgar Farias respondeu:

    Bom, quem deve determinar se você é ou não médico aplicando tais técnicas é o conselho competente, no caso o CRM, partindo da premissa que você seja formado em medicina. Novamente em relação às “técnicas” que citou, se elas estavam previstas em algum tipo de tratamento que alguma resolução tenha determinado, não é o mérito da causa, tal qual não era o mérito do juiz julgar se a reorientação seria uma prática aceitável ou não.
    Não que seja fácil pra mim falar sobre isso, só estou colocando o que de fato houve, sem interferir no que é certo ou errado.

    Pryderi respondeu:

    om, quem deve determinar se você é ou não médico aplicando tais técnicas é o conselho competente

    Exatamente, 92%. Era isso o que o CFP estava batendo de frente. Mas aí o juizão entrou na ondas dos “psicólogos cristãos” e veio com essa que isso inibe a pesquisa, numa ação movida por uma dona que nem lattes tem, quanto mais fazer pesquisa.

    Imagina uma liminar que permite que qualquer um assine como engenheiro. Um Palace II a cada semana.

    no caso o CRM, partindo da premissa que você seja formado em medicina.

    Mesmo que vc seja formado e agir de forma que fere a ética profuissional, o CRM vai carcar em vc. Msa daí vem uma liminar dizendo que não, que faz parte do tratamento médico o profissional fazer sangrias e medir o crânio para saber o melhor tratamento por meio de frenologia.

    se elas estavam previstas em algum tipo de tratamento que alguma resolução tenha determinado, não é o mérito da causa

    “Se”.

    tal qual não era o mérito do juiz julgar se a reorientação seria uma prática aceitável ou não.

    Exatamente isso. Se ao juiz não cabe julgar isso, POR QUE ELE JULGOU?

    Não que seja fácil pra mim falar sobre isso, só estou colocando o que de fato houve, sem interferir no que é certo ou errado.

    E está falando bobagens

    Edgar Farias respondeu:

    Blz então!

    Jupiter Flores respondeu:

    tomou?

    Edgar Farias respondeu:

    Cara, não é questão de ‘tomar’. A minha explicação foi clara, a decisão do juiz não diz respeito a liberar ou não a prática e sim à utilização do termo. A discussão entoou para uma coisa da qual eu não estou discutindo. Preferi, portanto, não estender mais a discussão, só isso.