Jornaleiro que não sabe Ciência vem com besteira de estereótipo de gênero

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Eu sempre digo que jornaleiro tentando falar de ciência é a mesma coisa que tartaruga tentando costurar. Eu criei o termo “jornaleiro” voltado para o pessoal de redações e que bradam “jornalista com diploma” pelo simples fato que eles criam manchetes e matérias apenas para vender cliques, como os antigos meninos que vendiam jornais nas esquinas e gritavam manchetes mentirosas, só para gerar curiosidade e o pessoal correr para comprar o jornal.

Claro, o jornaleiro da BBC não poderia deixar a lacração um minuto e tinha que vir com esta baboseira de adultos malvados incutindo o gênero nas pobres crianças ao brincar com elas com brinquedos segundo o considera para o gênero dela.

Pegando um pião e atirando na cara do jornaleiro, esta é a sua SEXTA INSANA.

A notícia foi licenciada pelo G1, e tem como manchete “Brinquedos ‘de meninos’ e ‘de meninas’: experimento testa como adultos reforçam rótulos”.

Tá, tá bom. E o subtítulo “BBC faz experimento com quatro voluntários adultos e duas crianças para testar se estamos condicionados a reforçar tais rótulos”.

A BBC fez um experimento com quatro voluntários adultos e duas crianças (um menino e uma menina) para testar se estamos condicionados a reforçar esses rótulos. As crianças trocaram de roupa de forma que a menina estava usando roupas de menino e vice-versa. O que aconteceu foi que os retardados dos jornaleiros interpretaram que os adultos “reforçaram estereótipos de gênero”.

Deixa eu contar um segredinho: não é reforço de gênero, suas mulas. É Psicologia Evolutiva. A pessoa vê uma criança vestida de menino, acredita que é menino e o cérebro associa com coisas de meninos. Isso ajuda no desenrolar da vida em grupos. O cérebro associa uma coisa para grupos de indivíduos com características similares.

A drª Brenda Todd, da City University de Londres, publicou uma pesquisa em 2016, no periódico Infant and Child Development. No seu paper, Todd descreveu aplicação de um protocolo de pesquisa padronizado, observamos as preferências de brinquedos de meninos e meninas envolvidos em jogos independentes em creches do Reino Unido, sem a presença de um pai. Sim, pois é. Os adultos não estavam lá para “reforçarem” o que quer que seja. 101 meninos e meninas em três faixas etárias: 9 a 17 meses, 18 a 23 meses e 24 a 32 meses, foram apresentados a brinquedos de vários tipos, todos eles estereotipados, oisto é, claramente mostrando que eram brinquedos “de menino” e “de menina”.

O resultado foi que preferências pelos brinquedos estereotipados foram encontradas para meninos e meninas em cada uma das faixas etárias, demonstrando que a criança sabe o que quer, segundo o seu gênero. Não entendeu? Vou explicar: meninos gostaram de brinquedos de meninos e meninas gostaram de brinquedos de meninas. Simples, não? E não tinha nenhum adulto por perto.

Claro, você virá com alguma bobagem dizendo que eles já tinham sido doutrinados. Com 9 meses de idade? Não, sinto muito, mas não. Qualquer um que tenha filho sabe o quão difícil e ensinar algo e fazer com que essas crianças aceitem logo de saída, como hora do banho ou de comer ou de dormir.

O The Atlantic publicou uma reportagem em 2014 dizendo que os brinquedos de hoje são mais divididos hoje do que há 50 anos. Sabem o que isso significa?

Nada.

Quais os brinquedos que havia em 1960? Hoje, temos uma miríade deles, de todos os tipos. A especialização deles leva a uma maior separação. De qualquer forma, o Namorado da Barbie é um boneco masculino. Um boneco masculino é brinquedo de menina ou de menino? Se bem que minha irmã pegou o meu Falcon e “casou” com a Barbie dela. Pobre Falcon, de herói virou marido, tendo que sustentar casa, e soldo de oficial de Forças Especiais não é tanto assim.

Antes, rosa era cor usada para roupas de menino, da mesma forma que sapatos de salto eram para homens, não mulheres. Sociedade mudou. Talvez mude daqui a alguns anos, mas não posso levar em conta o que PODE vir a acontecer daqui a 60 anos.

Ah, a propósito. Fizeram o teste com primatas. Resultado? Macaquinhos meninos preferiram brinquedos de meninos. Macaquinhas meninas preferiram brinquedos de meninas. O terceiro grupo de macacos não entrou na pesquisa, mas pertenciam ao curso de humanas, eram cabeludos, não tomavam banho e não sabiam falar direito, mas não vem ao caso.

Então, caros jornaleiros lacradores. Os adultos indo brincar com brinquedos segundo o gênero que acreditavam ser só mostra que ainda mantemos certas programações em nossa mente. E, para finalizar: sua amostragem é uma merda e vocês deveriam se sentir uns merdas.

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Sobre André Carvalho

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  • Lismar Cardoso

    Essa pesquisa da drª Brenda Todd muito me lembra do que foi mostrado naquele documentário: O Paradoxo da Igualdade.
    Por falar nisso, o que achas de todo esse celeuma sobre o caso do Manifesto de um funcionário do Google, André?!

  • Lucas Monteiro

    O engraçado também é que a “pesquisa” da BBC somente colocou 4 adultos e 2 crianças e mesmo se os “resultados” dessem em questão de forçar rótulos, ainda assim seriam poucas pessoas envolvidas para se tentar afirmar algo ou não. Você vê que pesquisas de verdade, serias e comprometidas, buscam o maior volume de dados para buscar informação concreta, percebe-se que a pesquisa da dr. Brenda Todd, teve cerca de mais ou menos 100 voluntários. Eis que a conclusão surgi, tolos buscam o mais escasso e miserável de poucas fontes, enquanto isso, os sábios buscam pela maior amplitude de fontes.