Gatos: do Egito para o sofá da sua casa

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Gatos são seres que nos adestraram há muito, muito tempo, apesar deles fingirem que foi o contrário só para elevar nossa auto-estima e assim premiá-los com mais gulodices. Esses descendentes de Mefistófeles têm uma longa relação com o ser humano. Pesquisas atuais usaram análise de DNA e determinaram que as origens do nosso bichano estão no Oriente Próximo e no antigo Egito, há cerca de 10 mil anos. O que mais que foi descoberto?

O dr. Claudio Ottoni é paleogeneticista. Ele estuda DNA de coisa velha, como múmias, gatos de muito milênios e Yo Momma, que é tão velha que não só viu o Dilúvio, como mandou Noé levar agasalho. Ele (Ottoni, não yo momma) é pesquisador do Centro de Síntese Ecológica e Evolutiva, da Universidade de Oslo, que fica em Oslo.

O que nós chamamos hoje de “gato” é o felídeo da espécie Felis catus, apesar de alguns autores se refiram a eles como Felis domesticus, enquanto que a variante selvagem é referida como Felis silvestris (gato-do-mato). Há quem diga que um é subespécie da outra, sendo este inútil que está na sua casa que não caça nem camundongo seria Felis catus domesticus e Felis silvestris domesticus. Entretanto, os acordos internacionais registram como certo apenas Felis silvestres e Felis catus, mesmo.

Estima-se que o gato foi “domesticado” (Ha!-Ha!) pelos primeiros agricultores há cerca de 10 mil anos, mas foi meio que um comensalismo, da mesma forma que os cães, que são descendentes de lobos (na verdade, a mesma espécie), e acabaram indo aonde o Homem ia, já que sempre pingava algum petisco, além de servir coo alarme, avisando da presença de outros animais. Gatos, entretanto, foram chegando, porque tinha comida e no máximo caçavam uns ratos, mas nada muito além disso.

Claro, você acha muito pouco, mas devemos lembrar que estamos falando do início da agricultura e o conceito de imensos silos mantidos pelo governo com cereais estragando não existia naquela época e comida estragando ou sendo atacada por outros animais era uma catástrofe.

Estudos dos primeiros assentamentos agrícolas mostram que os locais estavam repletos de roedores, até que os fazendeiros se tocaram que gatos eram ótimos para sair caçando aqueles dentuços! Com o tempo, a seleção artificial acabou fazendo com que os bichanos evoluíssem para uma determinada direção, acabando por chegar na domesticação do outrora gato selvagem.

Com as migrações humanas, os gatos foram na bagagem, acabando por se espalhar pela Europa e outras partes do mundo, saindo lá do Egito, que sempre foi um importante foco de comércio, mesmo antes de Alexandre da Macedônia reurbanizar aquilo tudo e fazer de Alexandria uma espécie de Mercadão de Madureira. Não é difícil entender que Tom pulou para dentro de um navio daqueles e saiu viajando.

Ou virou jantar na primeira calmaria.

Hoje, estima-se que o Felis silvestris original deu origem a 5 subespécies, mas o ancestral de todos foi o Felis silvestris lybica. Esse miante foi uma subespécie selvagem comum na África do Norte e Oriente Próximo.

Ah, uma coisa também interessante: As análises de DNA também apontaram que a maioria desses gatos antigos tinha listras: os gatos malados eram incomuns até a Idade Média. Isso também é ilustrado por murais egípcios: eles sempre retratam gatos listrados, e já se sabe até como essas listras surgiram, mediante uma outra pesquisa.

Esta pesquisa foi publicada no periódico Nature Ecology & Evolution (sim, abertinho esperando você entrar). Vai mudar o mundo? Não. Vai alimentar as criancinhas na África? Não. Vai curar os enfermos nos hospitais? Também não, mas você também não vai fazer nada disso. Esta pesquisa serve para entender mais sobre a nossa história. Estudando esses bichanos é entender a nós mesmos, nossa relação com o mundo e todos os animais, e isso é algo que você também será incapaz de fazer

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Neuton

    Incrível como a evolução atua em coisas tão simples como esta. Muitos negam, mas as evidências podem ser encontradas em coisas mais singelas ainda.