Pesquisadores desenvolvem sensor que detecta pesca com cianeto

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Existem ideias tolas, ideias idiotas, ideias completamente burras e ideias “meu Deus do Céu, o que você estava pensando?”. Um exemplo dessa última é pescar usando cianetos, seja de sódio ou potássio. Cianetos são venenos; dessa forma, o espertão tem a “brilhante ideia” de espalhar cianetos na água de forma que os peixes fiquem atordoados e mais fáceis de serem capturados. Dessa forma, o cara cata os peixes e leva para vender. Maneiro, né?

Por algum motivo que não passa pela minha cabeça qual seja, vários países proíbem esta incrível tática de pescaria. Eu não sei… talvez por sairmos envenenando tudo em volta (inclusive você mesmo)? Não seria legal se tivéssemos uma forma de detectar cianetos no mar?

Sim, temos um químico para resolver isso!

O dr. Clifford Murphy, além de ter nome de agente secreto a serviço de Sua Majestade, é químico (com ele a oração e a paz). Sua especialidade são fotofísica de polímeros, projetos de quimiosensores ambientais e desenvolvimento de materiais. Atualmente, ele é professor de Química da Universidade Rogers Williams, pois alguém tem que levar a perfeição ao conhecimento dos alunos.

O dr. Murphy (que não é o da Lei) trabalha num novo sensor que poderia identificar se os peixes foram capturados usando a técnica de tascar cianetos na água. Como? Detectando se há cianetos na água, é claro. Como? Aí que temos um probleminha.

Como a água do mar é em grande quantidade, o cianeto lançado acaba por ir se dispersando até que haja pouquíssimos nanogramas por litro, também chamados de “Partes Por Bilhão” ou ppb. A pesca de cianeto é um problema particular nos recifes das Filipinas, Indonésia e Vietnã, mas quem se importa com esses detalhes? A questão é que esses meliantes não estão nem aí e continuam com a prática. Infelizmente, a Química está pouco se lixando pro peixinho coloridinho que vai parar no seu aquário. As leis de dispersão continuam as mesmas para todo mundo, e esse cianeto vai envenenar todas as forms de vioda em volta. Desequilíbrio ecológico? ‘magina!

Como chamar o Aquaman está meio inviável, apela-se para outros heróis. Infelizmente, os X-Men também não estão disponíveis. Vamos então para o mais próximo disso: químicos.

Murphy e seu pessoal desenvolveram um sensor que pode indicar se a água no tanque com peixes ornamentais recém-capturados contém tiocianato, se tiver, é porque o peixoso veio de um lugar em que foi usada pesca com cianeto.

Não, não é usado para detectar cianeto, pois assim que ele entra na corrente sanguínea o organismo tenta metabolizar a substância antes do bicho passar dessa para melhor. Muitos conseguem e o produto do metabolismo é uma quantidade expressiva de tiocianatos.

Fazer por análise química é meio complicado, pois tem que pegar o peixe, coletar sangue, fazer os testes e em quantidade em termos de bilionésimos de grama, fica difícil analisar. Sendo assim, optou-se por eletrodos detectar tiocianatos a um nível de 1 a 2 ppb.

O equipamento ainda não está desenvolvido (só nos filmes aprontam as coisas do dia para a oite sem centenas de testes. O dispositivo ainda apresenta problemas de eficiência com os eletrodos, mesmo estando tudo certo na parte teórica. A prática vem sempre com problemas de ajuste para resolver, ainda mais que cada eletrodo é de uso único, pois envolve reações químicas não-reversíveis. Entretanto, a estimativa é que os pesquisadores consigam resolver esses problemas de forma a ter algo completamente funcional em cerca de 2 anos.

A pesquisa foi apresentada no congresso da American Chemical Society, e você pode vê-la aqui embaixo:

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Sobre André Carvalho

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