Lampreias mudam de sexo dependendo da comida local

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Tá vendo este ser vindo de um pesadelo que fez Belzebu acordar assustado? Pois é, é uma lampreia. Este ser das profundezas pode chegar até 120 cm de comprimento, não tem um esqueleto mineral, mas sim cartilaginoso. Esta coisa dos infernos se reproduz em águas doces, e só depois de adultos vão para o mar, preferindo águas tropicais, seja do Trópico de Capricórnio ou Câncer.

Além de ser feias como um demônio dos tempos antigos, as lampreias são tão esquisitas que o sexo pode variar mediante a velocidade de crescimento. Isto é, dependendo se elas crescerem devagar ou rápido, podem acabar se tornando menina ou menino.

O dr. Nicholas Johnson é pesquisador do Centro de Ciências dos Grandes Lagos, do USGS. Grandes Lagos (Great Lakes) são um conjunto de lagos de água doce interconectados, a saber os lagos Superior, Michigan, Huron, Erie e Ontario, somando uma área de cerca de 244 mil km2. O USGS é o United States Geological Survey (Serviço Geológico dos Estados Unidos). Mas o que um serviço geológico tem a ver com lampreias?

Simples, estes seres, que seriam capazes de fazer o Stephen King sair correndo gritando, fazem o favor de zuar um ecossistema, já que sempre acabam parando em algum lugar que não deveriam, virando uma espécie invasora. E espécies invasoras não são algo legal.

Johnson, ao estudar o comportamento das lampreias, descobriu que esta… coisa ainda tem a capacidade de ter seu gênero mudado mediante condições específicas. As que possuem taxas mais lentas de crescimento, demorando bastante para sair da fase larval até a adulta, possuem maiores probabilidades de se tornarem machos. E o que pode retardar o desenvolvimento? Falta de recursos, como comida, por exemplo. Ambientes com falta de alimentos acabava por ter 78% da população de lampeiras do sexo masculino. Em contrapartida, ambientes mais propícios ao crescimento (com mais comidinha) produziram apenas 56% de lampreias machos.

Entre 2005 e 2007, os cientistas marcaram e lançaram larvas de lampreia marinha em lagos improdutivos e riachos produtivos. Esses ambientes incluíam afluentes de lagos Huron e Michigan e áreas desses lagos perto das bocas de rios. Os pesquisadores então recapturaram os peixes marcados quando adultos durante suas migrações de desova. As relações de sexo em ambientes produtivos e improdutivos foram inicialmente semelhantes, mas rapidamente divergiram com lagos improdutivos, cada vez mais dominados por espécimes machos.

Uma vez que as larvas mudaram para seu estágio adulto parasítico, seu sexo não mudou, e suas taxas de sobrevivência geralmente não diferiram entre ambientes produtivos versus improdutivos.

As lampreias estão entrando em extinção em alguns locais da Europa, mas são um câncer nos Grandes Lagos, por ser uma espécie invasor e por não ter predadores, como sempre acontece com seres que invadem habitats que não é originalmente deles, o que leva a desequilíbrio ecológico. Somando o fato que o sexo do bicho muda conforme seu desenvolvimento e recursos disponíveis, o resultado só pode ser um impacto ambiental bem sério.

Como se ser mais feio que um Uruk-Hai chupando limão não fosse o bastante.

A pesquisa foi publicada no periódico Proceedings Royal Society B.

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Sobre André Carvalho

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