Papa pede perdão por genocídio em Ruanda. “Tranks”, disse Deus

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Todo mundo sabe que a nossa querida Igreja Católica Apostólica Romana tem um belo passado de conquistas e realizações, que a deixaram mais suja que pau de galinheiro. Aliada de grande déspotas, ditadores, maníacos e assassinos, a ICAR bem que tenta passar uma calma de uma religião de séculos, mas séculos também datam a selvageria com que conseguiu as coisas.

Uma lista de coisas… ruizinhas que a ICAR fez não caberia em todos os livros do mundo, mas isso não é lá muito diferente das outras religiões. Aí, chega o Papa Chicão e diz “mal aê, não devia ter sido assim.”

Em 1994, em apenas 100 dias, o horror caiu sobre Ruanda, um dos vários países que pessoal sabe que fica na África, mas seria incapaz de apontar num mapa. Cerca de 800 mil pessoas foram massacradas sem dó nem piedade por extremistas étnicos hutus, num genocídio sem precedentes de forma que até nazistas ficariam impressionados (ok, nem tanto). Aqueles psicopatas mandaram para a vala membros da comunidade minoritária tutsi, adversários políticos (independentemente da sua origem étnica) e qualquer um que dissesse um “Ah” a respeito.

As listas de opositores do governo foram entregues às milícias, e que se dane o que elas fizessem com eles (não raro: morte com requintes de extrema crueldade). Quem era opositor ao governo? Bem, qualquer um, bastava o chefão lá acordar de mau humor. Nem os familiares escaparam. Acham que isso é ruim o bastante? Calma que piora. Maridos foram obrigados a matar suas esposas tutsis sob a ameaça dos dois morrerem junto com os filhos e/ou qualquer parente próximo. Era vizinho contra vizinho. Ninguém sabia quem passaria o rodo em quem, na maioria das vezes a golpes de facão.

E a ONU nessa? Bem, ONU e Bélgica tinham suas forças de segurança em Ruanda. Por que Bélgica? Porque depois da Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações (a sementinha feliz do que seria a ONU mais tarde) entregou a província de Ruanda-Urugundi à Bélgica, depois de ter sido domínio alemão. Nem a ONU nem a Bélgica quiseram se meter. EUA já tinha sido expulso da Somália e resolveu deixar a África para lá.

O detalhe é que quando a Bélgica assumiu o protetorado (colônia para os íntimos) deu maior poder aos tutsis, a quem eles manipulavam. Sabem quem ajudou a Bélgica nisso? Sim, ela mesmo: a ICAR. Quando deu a merda e os hutus, que junto com os tutsis eram governados de forma não muito amiga, estes se rebelaram e saíram passando o rodo em todo mundo. A Bélgica viu a merda que ia se desenrolar dali e disse algo na base do “toma que o filho é teu”. A ICAR tirou o cuzinho da reta e a ONU mandou outra carta mal-criada. Os hutus limparam a bunda com ela e a carnificina começou.

Ninguém se meteu. Ninguém deu a menor bola. Os homens eram mortos violentamente. Algumas mulheres foram levadas como escravas sexuais. A ICAR fingia que não via nada e vários clérigos resolveram que era melhor dar “longa vida ao rei” a quem estava assumindo o poder, passando para o lado dos hutus e participaram, de uma forma ou de outra, ao assassinato de mais de 800 mil pessoas, mas o número exato não s e sabe até hoje.

Milhares de mulheres tutsi foram levadas e mantidas como escravas sexuais.

Hoje, o Papa Francisco I se reuniu com o atual presidente ruandês Paul Kagame e implorou perdão a Deus pelos horrores cometidos pela Igreja em Ruanda, naquele fatídico ano de 1994.

— Imploro o perdão a Deus pelos pecados e faltas da Igreja e de seus membros, entre eles padres, religiosos e religiosas, que cederam ao ódio e à violência e traíram sua missão evangélica — afirmou o Papa ao referir-se ao genocídio em Ruanda que, em 1994, deixou cerca de 800.000 mortos.

Tradução

Pô, Deus. Mal aê, cara. Participaram do genocídio mas isso acontece nas melhores famílias. Flw Vlw

Em 21 de novembro do ano passado, autoridades católicas em Ruanda pediram perdão pela participação no genocídio. O documento foi assinado por nove bispos do país. Infelizmente, o documento estava com algum defeito de fabricação, pois nenhuma das pessoas assassinadas barbaramente, frente a um deus indiferente (inexistente?), voltou à vida. Porque, né?, Jesus disse que bastava ter a fé do tamanho de um grão de mostarda que pessoal seria capaz de fazer coisas mais grandiosas do que ele mesmo fez. Bastava então erguer a varinha mágica e dizer “Defuntus voltarum” e pronto.

Não, não aconteceu nem vai. É fácil dizer “é, hehehehe, acho que demos uma escorregadinha”, mas quem foi exterminado continua exterminado e dizer que eles estão sentadinhos e rebolando no colo de Jesus não é consolo nem muito menos desculpa.

O pedido de perdão fica lindo nos jornais e os católicos ficarão maravilhados com este gesto. Mas qualquer mente criteriosa vê que é apenas blábláblá inócuo, prestando apenas para as manchetes, mesmo.

E eu preciso tocar no assunto que Deus não fez nada para impedir? Dizem os religiosos que nada acontece sem a permissão divina. Esta era a sua vontade? A única desculpa cabível a esse deus é a sua inexistência.


Fonte: O Globo

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Idi Amin mandou lembranças…
    Mas do ponto de vista prático, o que esse pedido de perdão efetivamente traz? Digo, além de parecer bonitinho na foto do PR…

    NestorBendo respondeu:

    Duas palavras:

    1) PORRA
    2) NENHUMA

  • Lucas Monteiro

    E caso esta desculpa não for suficiente para as pessoas religiosas, possivelmente irá chegar alguém do clero da ICAR dizendo que por causa de estas 800.000 pessoas não seguirem o deus piedoso e misericordioso deles, eles provavelmente mereceram isto, ou deus não podia agir já que eles não seguiam ele.

    É sempre a mesma merda, já estou cansado de ver a Igreja Católica pedir desculpas por algo que simplesmente não há mais nada a ser feito. Para eles, pedindo perdão por seus pecados já é o suficiente. Mas quer saber de uma coisa ? Não, não é o suficiente para as milhares de pessoas que sofreram nas mãos destes, em que foram torturados, mutilados, mortos, por causa de ideias que se opuseram as suas, e até mesmo por terem visto o massacre ocorrido e não terem feito nada em relação, isto só mostra como os religiosos são as pessoas mais hipócritas no mundo, adoram esfregar na cara dos outros o quão são santos e estão preocupados com os outros, mas na hora de agir, eles somente no máximo omitem.

    Termino minha reflexão com o mesmo pensamento que Jesus teve dos fariseus, em Mateus 23 : “Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés[…].Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los.[..].Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Por isso serão castigados mais severamente.”

    Urdnot Huex respondeu:

    Essas pessoas sofreram pq não tinham deus no coração. (Hipocrisia level +9000)

  • cloverfield

    Eu ja lí sobre um livro que dizia que na época da guerra do Vietnam a ICAR tinha grande influencia no governo do Vietnam do Sul e que tinha, inclusive, campos de conversão forçada, mas nunca achei nenhuma outra fonte sobre isso.
    Alguém sabe de alguma coisa sobre isso ou é so boato?

    Lucas Monteiro respondeu:

    Procurei algumas fontes para ver se é verdade isto, acabei encontrando algumas dizendo que a Igreja Católica tinha sim grande influência no Vietnam do Sul, e exerciam perseguição contra outras religiões como, por exemplo, o Budismo, mas não encontrei falando em que havia campos de conversão forçada.

    Fontes :

    https://en.wikipedia.org/wiki/Catholic_Church_in_Vietnam#Roman_Catholicism_in_South_Vietnam_.281954.E2.80.931975.29

    http://christianity.stackexchange.com/questions/53480/what-was-the-stance-of-the-roman-catholic-church-on-the-vietnam-war

    https://www.reddit.com/r/AskHistorians/comments/2ch9wn/what_was_the_catholic_churchs_position_on_the/