Sensor fluorescente para diagnóstico barato de fibrose cística

Fibrose cística é uma bosta de doença. Tendo causa genética e hereditária, esta tristeza é causada por um gene que deu bug, sendo transmitido tanto pelo pai quanto pela mãe. Esta doença leva ao mal funcionamento das glândulas exócrinas que produzem substâncias (muco, suor ou enzimas pancreáticas) mais espessas e de difícil eliminação. Os ductos pancreáticos são inundados pela secreção mais viscosa, o que impede as enzimas digestivas atuarem no intestino, acarretando má absorção de nutrientes, maior número de evacuações diárias e eliminação fezes volumosas, com odor forte e gordurosas. O fígado acaba sofrendo inflamação por causa do acúmulo de bile e se desgraça pouca é bobagem, o aparelho respiratório se ferra de vez, com o pulmão produzindo um muco espesso que acaba obstruindo as vias aéreas e virar um lindo e charmoso viveiro de bactérias.

Seria legal se pudéssemos ter um sistema de diagnóstico eficiente, certo? Bem, um novo teste de diagnóstico para a fibrose cística promete uma maneira mais barata e mais fácil de detectar a doença. Com aquela coisinha inútil, segundo o deputado Izalci Lucas, chamada “Química”.

O dr. Jian Yang é químico (com ele a oração e a paz). Sua especialidade é química orgânica, com ênfase em química de polímeros. Foi membro da Academia Chinesa de Ciências, e atualmente é professor de Engenharia Biomédica na Universidade Estadual da Pensilvânia, EUA. O dr. Yang se debruçou num problema: como determinar que uma pessoa está sujeita a sofrer de fibrose cística de forma a usar um método não invasivo e eficiente para detecção da miserável. Daí ele resolveu estudar o… suor.

O dr. Yang não tem nenhuma tara obscura que eu saiba (ok, ele deve ter, mas não é problema meu); ao que se sabe, ele se interessa por suor porque as concentrações de íons cloreto são elevadas em pacientes com fibrose cística. É uma ideia e tanto, que já nos leva a nos perguntar: será que em outras doenças acontece de haver maior concentrações de outros íons no suor ou demais secreções? É algo se pensar, mas hoje fiquemos apenas com a fibrose cística.

Cerca de 2% da população mundial é portadora assintomática de mutações no gene associado à fibrose cística. Muitos indivíduos com fibrose cística morrem jovens, em torno de 25 anos de idade. As crianças são mais afetadas e a expectativa de vida é de, aproximadamente, 15 anos. Um diagnóstico em que basta analisar níveis de íons cloreto é simples e fácil de ser aplicado. Para tanto, basta desenvolver um sistema de detecção, o que não é nada caro, já que esta tecnologia existe, só precisa ser adaptada.

Yang e seus colaboradores desenvolveram primeiro um corante baseado em íons citrato, com a capacidade de emitir luz fluorescente. Na presença de cloreto, no entanto, a quantidade de luz emitida pela molécula diminui. Sendo assim, quanto mais cloreto, menos fluorescência. Junte isso tudo a um espectrofotômetro, e voilà!

Submetendo o aparelhinho aos testes, viram que ele não devia nada aos métodos anteriores de detecção da doença, podendo trabalhar com concentrações de cloreto superiores, e plenamente automatizado, sem depender de um humano adivinhar o que tem ali. Calibrou o aparelho, pronto!, já tá funcionando.

A pesquisa foi publicada no periódico Chemical Science, e o dr. Yang é um cara legal, assim como o pessoal do respectivo periódico. Sendo assim, você poderá ler o paper inteiramente de graça. Mande um abraço pro bom doutor depois, sim? Sejam educados.

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