Pesquisa estuda como plantas podem ser usadas para detectar explosivos

Venenos não são legais. Contaminantes não são legais. Tudo o que não for natural e não deveria estar num determinado lugar não é legal. O problema é semelhante a xixi na piscina: depois que está lá é difícil tirar, mas, como sempre, podemos dar um jeito. Exceto no caso do xixi.

Remover contaminantes do solo não é nenhum problema, ainda mais tendo tempo e dinheiro. A questão é que é um processo complicado, demorado e caro. Nem sempre se age com a rapidez necessária antes dos contaminantes se espalharem e caírem em lençóis freáticos, alastrando-se pelo subterrâneo. Será que há alguém que pode nos defender?

Sim, existem heróis anônimos capazes disso. São os químicos.

Min Hao Wong é químico (com ele a oração e a paz). Ele faz parte do programa de doutoramento do Departamento de Engenharia Química do MIT. Com ele não tem essa de minor, mesmo sendo japa. Ele resolveu estudar as possibilidades de usar fitorremediação.

Fitorremediação é o processo pelo qual se usa plantas para filtrar e despoluir locais. Um exemplo são as gigogas, plantas aquáticas que atuam como verdadeiros filtrantes. Infelizmente, a altíssima poluição de matéria orgânica fez com que as gigogas se alastrassem de maneira absurda. Antes de continuar, devo salientar que gigoga não “come” matéria orgânica e muito menos de se alimenta de cocô. Quem come cocô é o imbecil que afirma uma besteira dessas.

A matéria orgânica acaba sob a ação de agentes decompositores, como fungos e bactérias. Estes reduzem a matéria orgânica a substâncias mais simples, deixando uma alta concentração de sais minerais, substâncias que plantinhas amam de paixão, junto com oxigênio, gás carbônico e luz solar.

A alta quantidade de gigogas faz com que elas vão se alastrando até chegar ao mar. Como são plantas de água doce, morrem ao entrar em contato com a água salgada, deixando um lindo e gigantesco tapetinho de plantas mortas, que sofreram ação de outros agentes decompositores, irão estragar e tudo fica imensamente fedido, atraindo outros tipos de microorganismos e animais.

Mas Min achou isso so Wong (desculpem) que resolveu abordar de outra maneira, e a ideia dele é usar… espinafre. Sim, a comidinha do Popeye. Min explorou a pobre plantinha, estudando o processo de evapotranspiração (sim, um tipo de “suor de planta”) mais detidamente.

Plantas usam esse sistema para puxar água do solo, que tem sais minerais dissolvidos, e assim se alimentar. Ela não transpira pelo mesmo sistema que nós porque, não sei se você sabe, mas plantas não têm sistema termorregulador nem precisam de um sistema para aquecer seus órgãos vitais.

Conforme a planta vai chupando a água do solo, tudo o que estiver dissolvido nessa água, vai junto. Depois, é só analisar a presença dessas substâncias e ver a quantas andam a absorção desses produtos malévolos.

Para explorar este potencial, Wong e seus colaboradores fizeram uma planta nanobiônica que possa consegue detectar explosivos na água subterrânea e alertar um usuário sobre essa presença na área.

Sim, isso mesmo. Wong criou uma planta que não é uma planta, mas age como uma, com o diferencial que retorna resultados. É como se sua alface falasse com você, independentemente de você ter tomado seus remédios contra esquizofrenia ou não.

Wong e seu pessoal, creio que na pura falta do que fazer, primeiro injetou substâncias corantes no espectro do infra-vermelho em nanotubos de carbono, platando-os em folhas de espinafre. Uma vez tratadas, as raízes do espinafre foram envoltas em gaze, e uma solução de ácido pícrico (o 2,4,6-trinitrofenol) foi pipetado sobre as plantinhas fofas.

Os nanotubos foram projetados para agir como sensores que respondem apenas a sistemas nitroaromáticos. E antes que você fale alguma coisa, sim, pois é. A planta só age para chupar água do solo, mais nada. Dane-se a planta!

A planta puxa os nitroaromáticos através dos vasos condutores de seiva até suas folhas, onde o nanotubo faz o seu serviço e emite um sinal infra-vermelho, que então é captado por uma câmera da visão noturna (a saber, que capta luz no espectro infra-vermelho) e envia para um smartphone via WiFi, tudo isso com tecnologia para produzir imagens de alto contraste.

Quanto a mim, achei uma ideia absurdamente idiota. Você enche uma planta com sensores, só parta ela puxar os nutrientes? Ora, eu faria isso com um sistema de sucção nível “seringa”. Sim, dessas de injeção. É uma ideia e vale a pesquisa? Sim, mas como ciência desvendando métodos, técnicas e conhecimento. Como aplicação prática? Impraticável.

A pesquisa foi publicada na Nature Materials. Que tal dar uma olhada? (sim, tem paywall do Inferno)

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