Pesquisa mostra sistema predador-presa em protocélulas

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Você deve achar o ser-humano um pulha por ser um predador sádico, que caça suas presas de forma louca e descontrolada. Pensando assim, no mínimo, você nunca saiu de casa e só vê Disney Channel. Predadores e presas existem desde que o mundo é mundo e a primeira molécula começou a competir por recursos.

Interações predador-presa são estudadas até em sistemas celulares, e pesquisadores olham para quando as primeiras protocélulas começaram a apresentar comportamento predatório.

O dr. Stephen Mann é químico (com ele a oração e a paz), e é professor de Química no Departamento de Química, da Universidade de Bristol, Inglaterra. Ele acha que qualquer um que diga que químicos só fazem explosões em laboratórios. Bem, eu acho que ele pensa isso, já que todo químico pensa dessa forma. De qualquer forma, a preocupação com o dr. Mann está voltada para sínteses químicas, bem como a caracterização e emergência de formas complexas de matéria organizada.

Emergência biológica é, numa explicação simplificada, o processo de formação de padrões complexos a partir de uma multiplicidade de interações simples. Não, não me intorrmpa com os blockquotes dizendo “Hã?”. Preste atenção.

Tomemos o exemplo do formol. O formol é o aldeído mais simples, o metanal (não, sem lenny face, também). O formal naturalmente se trimeriza formando o paraformaldeído. Eu não preciso intervir. Você não precisa intervir. Jesus não precisa intervir. Eu tenho uma molécula simples formando algo mais complexo. Se eu jogar uma barra de ferro com 99% de pureza, em presença do ar ela vai reagir e formar óxidos de ferro, o que você conhece por “ferrugem”. Uma substância simples (em todos os sentidos) formando uma substância complexa e composta.

Claro, pessoal vai criticar que tem muita diferença entre o paraformaldeído e a gostosona do 702. Sim, tem, e essa diferença são bilhões de anos. Pequenas reações simples que vão se somando ao longo do tempo, dando substâncias cada vez mais complexas.

Mann e seus colaboradores estudam como sistemas que nem eram células ainda (por isso são chamados de “protocélulas”) mas funcionavam no sistema de captação e competição por recursos. Eles combinaram em diferentes dispersões aquosas duas protocélulas diferentes: proteassomas, protocélulas com revestimento de proteínas formada por multienzmas, com capacidade de atacar outras proteínas, e microgotas contendo coacervados, que também é um aglomerado de moléculas proteicas envolvidas por água em sua forma mais simples. A diferença é que coacervados não vêm com enzimas de fábrica, ou seja, um dos dois está mais apto a passar o cerol no segundo. Adivinhe quem é.

Os pesquisadores resolveram dar umas mexidas nesse sistema. Incorporaram uma enzima chamada protease K no sistema contendo os coacervados. A protease K é destruidora de proteínas. Em outras palavras, o que Mann e seu pessoal fez foi tornar a disputa um pouco mais justa. Os coacervados foram capazes de digitar IDKFA e ganhar armamento e partiram pra porrada. As microgotículas tinham condições agora de quebrar o revestimento de proteínas dos proteassomas, que não sabiam que tinham que digitar IDDQD. Começou o massacre. E Mann e seu pessoal provavelmente ja estavam com banquinha de apostas para saber quem ganhava a bagaça. Se não fizeram isso, são muito carrancudos.

Os coacervados ganharam, devorando todos os proteassomas. RIP.

Claro, você pode argumentar que isso não pode ter acontecido na Terra, pois não havia estas substâncias, o que é verdade, nem era isso o que Mann estava procurando. Ele estava pesquisando como adições aleatória de substâncias faria diferença e como as condições de predador-presa poderiam ser alteradas e qual a sua importância na competição pela vida.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • NestorBendo

    Doom!