As estratégias de ataque de bactérias que usam armas químicas

Bactérias são um sucesso evolutivo. Demandam poucos recursos, alta taxa de reprodução e mutação e são capazes de resistir às provas determinadas por Darwin. Se uma cai, sempre sobra uma mais forte, que se multiplicará rapidamente, formando novas colônias e prontas para lhe ajudar ou ferrar seu dia de vez.

O que pouca gente sabe é que bactérias, assim como o Império, contra-ataca. Para tanto, ela faz uso de “arpões moleculares”, uma secreção que age contra aqueles que a virem como banquete. Mas como é isso?

O dr. Marek Basler é biólogo especializado em estudar processos infecciosos. Ele trabalha no Biozentrum da Universidade de Basiléia, Suíça. O dr. Basler resolveu entender melhor como funciona os torpedos fotônicos arpões moleculares, que nada mais são que substâncias químicas secretadas que agem feito antibióticos, reciclando componentes proteicos para usá-los como armas.

Essas armas são conhecidas como sistema de secreção do tipo VI (T6SS), e são carregadas com moléculas tóxicas que mandam seus competidores, rivais e adversários pra vala evolutiva. O que o pessoal do dr. Marek Basler fez foi demonstrar como algumas bactérias da espécie Vibrio cholerae dão uma injeção de T6SS nos desafetos, reutilizando proteínas específicas para produzir os seus próprios arpões. Assim, as estirpes bacterianas relacionadas ajudam umas às outras para ampliar o seu arsenal de armas e lutar contra os seus concorrentes.

A estratégia, do grego στρατηγία, acaba vencendo a força bruta. Quando as V. cholerae disparam seus arpões moleculares, a bainha contrai-se rapidamente em apenas alguns milissegundos e ejeta a lança para fora da célula. Os atacantes então reciclam as proteínas do arpão que foi disparado, da mesma forma que um grupo de arqueiros despejaria uma saraivada de flechas sobre os oponentes e, em seguida, outros arqueiros viriam rapidamente, pegariam as flechas que não atingiram um alvo, mas ficaram pelo meio do caminho, e as disparariam de novo até acertar algum alemão que estivesse dando sopa.

O entendimento desta técnica de ataque pode nos dar, não só muitas respostas como nós mesmos somos atacados por estas miseráveis, como estas queridinhas podem nos dar pistas sobre como usar esta técnica de ataque ao nosso favor, destruindo outros patógenos.

A pesquisa foi publicada no periódico Cell.

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