Teste clínico que deu errado prova por que testes clínicos são necessários

A França não é um país tão tosco quanto o Brasil. Não que não seja tosco; é, mas por outros motivos. Diferente daqui, a França leva a sério o conceito de pesquisas clínicas, ao invés de distribuir qualquer bosta para a população porque algum imbecil no Facebook disse que cura. E mesmo fazendo testes clínicos, às vezes, dá caca, como é o caso de seis pessoas que foram hospitalizadas no Hospital Universitário de Rennes depois de testar um analgésico como parte de um ensaio clínico. Uma está declarada com morte cerebral.

O que isso nos ensina?

Ensina que testes clínicos existem exatamente para minimizar esse tipo de efeito. Claro, antes de continuarmos, devemos lembrar que as pessoas que foram submetidas ao teste clínico proposto pelo laboratório Biotral desse medicamento foram voluntárias. Elas foram avisadas que era um procedimento de teste, diferente de juizão maroto que ordena uma Universidade a produzir em massa (sem ter como) e distribuir para as pessoas, porque algum boçal falou que era ótimo pro câncer, já que cura todos os tipos de câncer, assim como chá de chuchu, bicarbonato e outras receitinhas mágicas.

O pedido de ensaio clínico foi enviado em 30 de abril de 2015 à Agência Nacional de Segurança de Medicamentos (a ANVISA da França) pela Biotrial, a autorização foi liberada em 25 de junho desse mesmo ano tendo iniciado em 8 de julho. Os pesquisadores intuíram em trabalhar com 128 voluntários. Até agora, cerca de 90 pessoas têm participado, mas os participantes anteriores tinham recebido as doses mais baixas da droga experimental do que as seis pessoas que foram internadas.

Em 10 de janeiro de 2016, um dos voluntários foi correndo pro Hospital Universitário de Rennes em estado grave, que de início achava-se estar sofrendo de um acidente vascular cerebral. A Biotrial decidiu não correr mais riscos e interrompeu o teste em 11 de janeiro, porque mais quatro pacientes foram hospitalizados. Em 14 de janeiro, o Ministério da Saúde foi informado do incidente. O primeiro paciente que deu entrada no hospital foi dado com morte cerebral no dia 15 de janeiro, e foi declarado oficialmente morto no dia 17/01.

Quatro dos pacientes estão mostrando distúrbios neurológicos e quinto, que não tem sintomas, está sob observação minuciosa. Três pacientes estão em uma condição muito séria, com suspeita de deficiência irreversível. A ressonância magnética revelou lesões cerebrais necróticas e hemorrágicas.

Começou a rolar um boato que o medicamento era feito à base de canabinoides, mas a Ministra da Saúde Marisol Touraine visitou no local e viu a papelada. Não, não tem canabinoide nenhum, apesar de ele atuar nos sistema endocanabinoide.

O remédio não tem nome comercial ainda. É conhecido pelo código BIA 10-2474. Ele é tomado por via oral, e ainda estava na Fase 1 dos testes clínicos. Para ter chegado a este ponto, o remédio deve ter sido testado em diferentes cobaias. Indo pela lógica dos idiotas que ficam vociferando para liberar a fosfoetanolamina, deveria ser distribuído que nem bala, já que parece ter sido bem assimilado pelas cobaias, mas Ciência não funciona do jeito que querem, porque Bioquímica não é a besteirinha de decorar o nome de funções orgânicas no colégio.

Quando foi divulgado que um dos pacientes morreu, deu um arranca-rabo na França. O Ministério da Saúde classificou como “acidente grave” e mandou parar os testes (coisa que a Biotral já tinha feito). Mesmo sendo ainda na fase teste, o Ministério Público francês não quis saber e o Ministério da Saúde abriu uma investigação. Deve ser legal morar em país de primeiro mundo assim.

Então, fica a dica. Não é porque funcionou em rato que vai funcionar em você. O Governo francês está ais que certo em abrir a investigação, mas quem se voluntariou também sabia que era apenas um teste, e isso mostra que testes existe porque, senão, teríamos mortes em larga escala. Procedimentos existem para isso, mas tal coisa é entendida por pessoas cultas, não conspiracionista de Facebook.


Fonte: Independent

8 comentários em “Teste clínico que deu errado prova por que testes clínicos são necessários

  1. Não se iluda. Daqui a pouco aparece a turma da Luisa Mel pra falar “Tá vendo? Testes não provam nada!”.
    Sem contar a galera desinformada que vai reclamar da malvada empresa que vendia o remédio sem autorização ou testes finais!

    1. Estava pensando justamente nisso. E ainda há os idiotas que ficam zurrando que os testes são restritos aos animais, não contemplando humanos.

    2. kkkkk…..comparar uma substancia encontrada no leite materno(fosfoetanolamina)que já é vendida na Europa como suplemento há mais de 60 anos com uma molécula100% estranha no oraganismo.é de LASCAR…kkkkkk…..vamos ESTUDAR…ESTUDAR…

        1. Ele está dizendo que a fosfo sintética é completamente diferente da natural e tem efeitos não conhecidos? é isso?

  2. As pessoas precisam entender que testes clínicos são necessários,e que como são testes,erros podem ocorrer e pelo que eu li em outras matérias,as pessoas se voluntariavam-se e eram pagas(alguns testes chegando a pagar 4.500 euros).
    Bioquímicos são seres humanos e erram também,por isto é preciso testes e mais testes,até ter certeza de que é seguro comercializar o remédio.

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