Química do cérebro faz ratos serem mães melhores

Qual é o segredo do amor parental? Uma dádiva divina, que ilumina e aquece nossos corações, fazendo-nos diferentes dos outros animais? Quando uma de nossas crias está em perigo, clamando por nossa ajuda, se um animal fôssemos, nada faríamos, certo? Pois, é exatamente pelo fato de sermos animais que corremos em seu socorro, mas isso não acontece com todos. Por quê?

Tudo começa no cérebro e aquilo que todos odeiam, mas sempre dependem: Química, essa ciência tão ridicularizada. No caso, uma substância química é quem nos salva, que ajuda a nos manter vivo, estimulando nossas mães a cuidarem de nós.

A ocitocina é um hormônio produzido pelo hipotálamo, que muito pouco tem a ver com cavalos e hipopótamos. Esse hormônio, depois de produzido, é armazenado numa região chamada neuro-hipófise. Esta queridinha substância tem a função de promover contrações musculares uterinas, as quais reduzem o sangramento durante o parto, promovem a liberação de leite materno e é responsável no desenvolvimento de apego e empatia.

Ok, você olhou com cara de "grandes coisas".Passará a dar mais importância quando descobrir que ela é quem desencadeia o orgasmo. Interessado agora?

Não, não foi Jesus quem nos deu as sensações. Isso é comum em vários animais, e é oque nos ajuda a nos manter vivos. Pensem que é através de empatia que protegemos uns aos outros, nós no defendemos, sentimos pena, amor, tristeza e até satisfação sexual, o que nos dá mais vontade de fazer fuc-fuc e, com isso, termos maiores probabilidades de fecundação, gerando novos indivíduos

Sendo assim, não foi Jesus quem salvou a nossa espécie. Foi Darwin.

O dr. Robert Froemke é prfessor assistente no Departamento de Neurociência da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York. Ele estuda neuromodulação e plasticidade do córtex cerebral, com o foco sobre as consequências funcionais de mudanças para a transmissão sináptica e os circuitos neurais, em termos de melhoria de comportamento e percepção sensorial reforçada.

Bem, as palavras são dele e muito certamente você não entendeu porcaria nenhuma, ou não estaria aqui para eu lhes explicar.

Com o passar dos bilhões de anos de Evolução, chegamos a ter um cérebro. E cérebro, como muitos comentaristas provam, não é uma coisa que basta ter, é preciso usar. Passando mais alguns milênios, camadas foram se somando, até chegarmos ao córtex cerebral, a parte mais maneira de nós, mamíferos, e inexistente em répteis, anelídeos e comentaristas de sites de jornais. O córtex é "plástico", isto é, não é que ele seja feito de petróleo, mas por ter capacidade de muitas de suas funções serem assumidas por diferentes regiões, principalmente no caso de algumas lesões. Tudo isso funcionando por bioquímica e física, com impulsos elétricos pulando de lá pra cá, com neurotransmissores fazendo as pontes e substâncias química comandando tudo.

Qualquer alteração na bioquímica cerebral e teremos mudança de comportamento. Isso é evidenciado pela pesquisa do dr. Froemke e seus estagiários de luxo, digo, seus graduandos. E usaram ratos para suas pesquisas.

OH MEU DEUS, OS POBRES RATINHOOOOOOOSS!!!!

Como boa parte dos mamíferos pequenos, ratinhos são tão frágeis quanto… quanto ratinhos. Ao estarem em perigo, seus pequenos grunhidos alertam seus pais para virem ajudá-los. Curiosamente, fêmeas que não tiveram filhos ficam indiferentes a essa barulheira toda. Como boa parte da ocitocina nas fêmeas é produzida durante o período de gravidez, as ratinhas que não engravidaram não tinham a substância e não deram a menor bola praquela coisa barulhenta.

Froemke e seus colaboradores experimentaram o seguinte: "e se colocássemos mais ocitocina direto no lado do cérebro em que se processam os sons?". Feito isso, perceberam que aquelas ratas sem graça, que só pensavam em si mesmas passaram a agir como se fossem mães zelosas, mesmo com o filho dos outros. Não é nada diferente do que acontece com nossas mulheres, que ficam mais melosas ao verem crianças depois de já terem filhos.

Mas porque na região do córtex onde se processa os sons? Era para funcionar em qualquer parte do cérebro, certo? Sim, seria o que qualquer de um de nós pensaria, mas o cérebro não funciona dessa forma. O cérebro recebe estímulos de todos os pontos, e aprende a simplesmente ignorar. Com todo tipo de barulhos acontecendo, o córtex auditivo simplesmente ignora os sons mais repetitivos. Isso impede que você surte durante o dia, com essa barulheira infernal.

A "mágica" da pesquisa, ao se injetar o "hormônio do abraço" (que nome idiota! Deve ter sido criado pelo pessoal de Humanas) nesse local, ele fez com que qualquer estímulo desencadeasse uma resposta emocional. Pense em uma série de lâmpadas de diferentes potências. A cada momento, várias são ligadas, e algumas lâmpadas acabam não sendo percebidas, pois está tudo sendo iluminado. Agora, suponha que no interruptor de uma determinada lâmpada você emende um fio que faça com que ligue uma sirene também. Mesmo que a lâmpada seja fraca, o barulho da sirene despertará sua atenção. É mais ou menos isso que fizeram.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature (aquele lugar onde não se fala nada de Criacionismo, Homeopatia, Radiestesia, Tarô e outras "ciências").

Com a melhoria das pesquisas da bioquímica cerebral, desvendamos muita coisa. Antes, achava-se ruim isso, e pendia-se para a psicologia, quando a razão dos fenômenos estavam lá, em átomos, moléculas e partículas subatômicas.

Dizem que a Ciência tira a graça, a magia das coisas. Não amamos porque nossas almas unidas se conheceram em planos celestiais. Amamos porque é tudo um desencadear bioquímico. Quando você abraça seu amigo, pega seu filho no colo ou beija seu cônjuge, toneladas de substâncias químicas entram em ação. Não é ruim isso. É nossa sobrevivência. Nós comemos porque nossos organismos precisam repor nutrientes, sentimos sede para repor a água e por aí vai. Um gostoso jantar com um bom vinho e um passeio com a pessoa amada nos dá prazeres, desfrutes que nos fazem seres vivos. O filé não deixará de ser mais gostoso, o vinho não deixará de ser encorpado e a pessoa não será menos amada por sabermos disso. Diferente das trilhões de substâncias químicas, nós temos consciência disso e capacidade de dizer "dane-se, amo assim mesmo. Até que o último fóton saia do Sol, penetre as camadas da atmosfera e chegue até meus olhos, prestes a se fecharem e o último pulso de energia flua pelo meu corpo deixando apenas um corpo inerte mas vários elétrons na região da memória.

Entender a ciência é entender a nossa imortalidade.

14 comentários em “Química do cérebro faz ratos serem mães melhores

  1. Não tenho nada relevante para comentar, mas me senti na obrigação de passar por aqui e parabenizá-lo. Excelente post, principalmente o último parágrafo. Inspirado e inspirador. ????????????????????????

  2. A cada nova informação vc passa a ver o mundo de uma nova forma. Como ele realmente é.
    E isso graças a pesquisas como essa publicada em periódicos indexados.

  3. Compartilho do pensamento do Ramofits, receber esse tipo de aprendizado diaramente é maravilhoso.
    Obrigado André por mais esse texto, pena não termos mais professores como você nas escolas. Ou melhor, pena eu não ter tido nenhum professor como você.

    1. Sabe, eu nunca comprei um livro na vida. Sempre herdei dos tios ou ganhava às vezes, de presente. Mais tarde, com a “comodidade” dos downloads, ficou bem mais fácil. Mas se o André resolver, um dia, publicar uma obra, faço “questã” de comprar. Esse profe é f@#a.

      1. Pode crer, eu também compraria no lançamento.
        Eu gosto de ler livros usados porque gosto de imaginar o que a pessoa que já leu ele pensaria sobre as passagens. É tipo uma mania.

          1. Feito! e obrigado pelos artigos do site. Você, o Cardoso e os caras do Scicast fazem um ótimo trabalho!
            Obrigado!

          1. Se eu imprimir, ganho gratuitamente di grátis uns autógrafos dos Senhores do Ceticismo.net?
            :D

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