Eu adoro estes programas de TV falando sobre "vida simples". Lindo e maravilhoso, principalmente quando você está num apartamento equipadão, com Internet banda largam ar-condicionado, geladeira e trocentas luzes acesas. Eu não dou a mínima pro boizinho, adoro vida moderna, mesmo sabendo que pagamos um preço por isso: deixamos de ver as estrelas e a própria Via Láctea.
Mas e nossa saúde? Até que ponto ela é afetada pela quantidade de luzes artificiais que nós temos?
De computadores a tablets. De celulares a ebook readers. Temos notebooks, lâmpadas eletrônicas, led, TV e outros trecos com luzinhas acesas fazendo nossa vida mais clara, mas é claro que isso não sairia de graça. Essa quantidade de luzes mexem com nossa saúde, já começando com nosso ciclo de sono.
O dr. Richard Stevens é professor e pesquisador da Universidade de Connecticutt. Ele vem estudando os efeitos da iluminação artificial sobre a saúde humana por três décadas, analisando o ciclo de exposição à luz natural durante o dia e exposição excessiva à luz artificial à noite, o que para ele é algo bem inadequado.
O dr. Stevens observou como a iluminação artificial típica está afetando a nossa fisiologia. Dessa forma, ele estuda alternativas, já que ninguém quer ficar na sala, esperando o escuro chegar e nos abraçar em seu negrume noturno. Para começar a resolver o problema, Stevens sugere luzes de comprimentos de onda mais longos e, à noite, evitar o azul brilhante de e-readers, tablets e smartphones. Por quê?
Você nunca se perguntou por que quartos de revelação de filmes fotográficos (pergunte ao seu pai) são iluminados com lâmpadas de cor vermelha? Não, não é cromoterapia. Sabemos que a energia de uma emissão eletromagnética é calculada por E = h.f , onde h é a constante de Planck = 6,63 x 10-34 J/s e f é a frequência dessa onda. A frequência de uma onda é o inverso do seu comprimento de onda. Assim, f = λ-1. Em outras palavras, E = h.λ-1.
Se você prestar atenção, quanto maior o comprimento de onda, que é o denominador da fração, menor será o resultado da fração. Assim, quanto maior esse comprimento de onda, menos energia esta onda eletromagnética terá. Por isso radiação gama é tão perigosa: seu pequeníssimo comprimento de onda faz com que sua energia seja alta e sua penetração (ui!) mais intensa que a luz vermelha. Sugerindo luzes de comprimento de ondas maiores (como as luzes amarelas), não só nossos olhos agradecerão, já que eles evoluíram num mundo com um Sol amarelo, como nossos órgãos, já que haverá menos penetração (ui!2).
Stevens e seu co-autor o dr. Yong Zhu, professor de Epidemiologia do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Yale publicaram um artigo no periódico Philosophical Transactions of the Royal Society B.
Segundo seu trabalho usuários de dispositivos que emitem muita luz azul, quando usados à noite, acabam por suprimir o hormônio melatonina, responsável pela indução do sono, além de perturbar o ritmo circadiano do corpo. Por isso que você fica zuado e acaba trocando a noite pelo dia, e nem se falou ainda na quantidade de outros seres vivos afetados, como insetos, aves etc.
Nossa vida sem iluminação noturna era bem diferente. DSifícil dizer se era melhor ou pior se levarmos em conta apenas a luz. Tínhamos mais saúde?: Naquele mundo não fazia diferençal com altas taxas de mortalidade infantil e baixa expectativa de vida. A iluminação artificial nos permitiu ver nossos parentes à noite, nos proteger de ataques, poder ficarmos acordados e, talvez, seja um bem e um mal ao mesmo tempo. Não existe luz grátis, nem almoço.

Ótimo texto!
CurtirCurtir
Costumo ler e-books à noite, na cama, antes de dormir. Para ficar mais confortável(e não incomodar a patroa), eu uso a inversão, deixo o fundo em preto e as letras em branco e pouco brilho. Acho que isso não adianta muito, porque quase sempre durmo bem tarde.
CurtirCurtir
Na verdade, é pior.
CurtirCurtir
É mesmo? Mas com a tela normal chega até a me doer a vista, por isso acabei invertendo. Seria melhor parar com leituras noturnas ?
CurtirCurtir
não pesquei as referencias
CurtirCurtir