Da escuridão à esperança

Em 1994, o pânico atacou com força os moradores de Los Angeles, Califórnia. As linhas do número de emergência, o famoso 911, começaram a ficar congestionadas. Havia de algo muito errado no céu e algumas pessoas pensaram até que era o Juízo Final. Os atendentes ouviam relatos de estranhas nuvens no céu, como se a Ira de Deus estivesse se manifestando, pronta para punir os pecadores e levar os justos para o reino do Senhor.

A cidade estava um caos. Um terremoto tinha acontecido, as linhas de força foram cortadas e a cidade estava às escuras. O que diabos era aquilo que estava ali em cima, então?

Eram 4 horas e 30 minutos (Hora do Pacífico) do dia 17 de janeiro de 1994 (9h30min, horário de Brasília). O planeta que nunca pára. Placas tectônicas em sua lenta viagem se chocaram. Isso acarretou um senhor terremoto, cujo epicentro foi em Reseda, na região centro-norte do Vale de San Fernando,  a uma profundidade de 18km, marcando 6,7 pontos na escala de magnitude.

Acredite, isso efetivamente VAI estragar o seu dia.

A onda de choque reverberou rapidamente pelo leito rochoso, podendo ser sentida em Las Vegas, a 360 km do epicentro. No caminho, a destruição tomou conta. Casas, prédios, ruas etc. foram destruídos. 57 pessoas morreram, mais de 5 mil ficaram feridas. Algo parecido com o filme do Super-Homem, mas sem bombas nucleares e muito menos o Filho de Krypton voltando no tempo para salvar as pessoas.

A destruição chegou a um raio de 160 km e os prejuízos materiais foram de mais de 30 bilhões de dólares, a dinheiro de hoje. Mas como medir o valor de cada vida perdida? Equipes de emergência eram chamadas a todo instante. A Guarda Nacional foi ativada. Todo efetivo da polícia e bombeiros estavam nas ruas. O medo era generalizado e ficou muito pior quando as pessoas olharam para cima e viram aquela coisa estranha: luzes esquisitas, nuvens bizarras, pontos brilhantes que nunca tinham sido vistos antes… aquilo só podia ser um sinal, ante a tantas desgraças. O SENHOR estava avisando que viria buscar os sus, mas apesar do que parecia ser uma boa notícia, 911 começou a receber mais e mais chamadas, relatando tudo aquilo.

E aquilo que as pessoas estavam vendo era apenas… o céu. A abóboda celeste tão conhecida de nossos ancestrais, cuja única iluminação que tinham era uma simples fogueira. Se antes, com a absurda quantidade de iluminação artificial, o que se via era um céu negro, as pessoas passaram a ver algo como isso aqui:

É triste saber que não sabemos como é a Via Láctea. Muito mal temos fotos e vídeos, mas não é a mesma coisa.Nossa vida moderna nos deu muita coisa, mas nos tirou a fascinação pelo Universo. Ele ficou etéreo, distante. As estrelas nos guiaram desde quando éramos caçadores-coletores até a viagem à Lua, e mesmo assim parece que viramos as costas para elas. Quando foi que você olhou para cima, apenas para olhar as estrelas? Se fizer isso, seus amigos dirão, no mínimo, que você é retardado. Nem mais socialmente aceitável é, enquanto tem cerveja em cima da mesa e uma televisão ligada.

Eu fico imaginando que nosso modo insano de poluir o mundo vem, em parte, da falta de contato que temos para com o mundo. Só vemos prédios, casas e shoppings, mas não o céu noturno. Muito mal a Lua, ou a chuva que amaldiçoamos porque queremos ir à praia. Queremos um céu limpo, mas reclamamos do calor do Sol. Viramos bebês chorões que nunca estão satisfeitos. E isso porque simplesmente perdemos o contato com a Natureza e isso começou quando deixamos de ver as estrelas. O fotógrafo Nicholas Buer imaginou o que aconteceria se Londres passasse por um blackout, e o resultado foi este vídeo:

Alguns imaginarão que a visão de 1994 era uma mensagem do Deus Todo-Poderoso, mas eu resisto a essa ideia. É apenas o céu, com as estrelas lá, mostrando que nunca nos abandonaram; e se aquele vislumbre serviu como mensagem, tanto melhor. As pessoas viviam num inferno naquele momento, mas aquilo era um sinal que por mais negra que seja a noite, sempre haverá uma luz de esperança.

E até mesmo no inferno existe esperança

5 comentários em “Da escuridão à esperança

  1. Este vídeo do Cazaquistão é bem melhor. Principalmente depois do minuto 3.

    Porém a tecnologia blackout não chegou lá ainda.

  2. Lembro quando voltei de Bonito a Campo Grande no MS, a estrada era totalmente sem iluminação, paramos para olhar o céu. Não era nada como as imagens mostradas mas era impressionante.
    Curioso pensar que há nem tanto tempo assim era isso que as pessoas viam todas as noites.

    Em tempo, uma curiosidade: como se tem imagens da Via Láctea vista de longe? Outras galáxias são observadas por fora, mas como são criadas as imagens da nossa própria galáxia já que não temos como observá-la de longe?

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