O que nos fez humanos pode estar no nosso DNA

Uma das principais perguntas sobre nós mesmos é "o que nos fez humanos?". Há muitas respostas, até mesmo partindo das pseudociências da Sociologia e Psicologia. Também tem o pessoal da Filosofia, mas, coitados, eles precisam se sentir úteis uma vez na vida. A resposta pode estar mais dentro de nós do que havíamos imaginado. Nossas habilidade, nossa capacidade de criar escrita, intelecto, cultura e a potencialidade de criar uma bomba nuclear pode estar muito bem mais enraizado do que imaginávamos. O segredo pode estar bem dentro de nossos genes, comandados pelo DNA.

Mas como chegar a essa conclusão?

Lomax Boyd é estudante de graduação que conduz uma pesquisa no Departamento de Microbiologia e Genética Molecular da Universidade de Duke. Ele estuda o que somos e como nós nos tornamos isso. A chave parece estar nos HAR, Human accelerated regions. (Regiões humanas Aceleradas)

Estudos anteriores demonstram que seres humanos tiveram uma "evolução acelerada", digamos assim[1] [2]. No segundo link, um pdf de um artigo da Scientific American (pelo amor de Deus, né? Cobrarem 8 dólares por UM artigo é sacanagem!) vemos um trabalho da drª Pollard sobre os HAR. E a pesquisa enfoca a mesma coisa entre os 5 e 7 milhões de anos de evolução que nos separam dos chimpanzés, muita coisa mudou, apesar da ridícula diferença entre nossos genes. O que nos fez humanos, então?

Algumas partes do nosso genoma evoluíram com uma velocidade absurda, acumulando rapidamente mutações que nos distinguem muito. Pesquisadores já começaram a identificar essas HAR (você leu o artigo da drª Pollard, né?). Mas o que seria isso?

Basicamente, uma HAR controla a atividade dos genes, na parte do lado que dá origem ao polegar, enquanto algumas outras são encontradas perto genes envolvidos no desenvolvimento do cérebro, e pelo menos dois são ativos no cérebro em crescimento. O problema é "O que diabos estas porcarias de HAR fazem e como fazem?". É aí que entra o estudo de Boyd. Ele caiu logo dentro da HARE-5, que já havia sido identificada, mas nunca deram-lhe muita atenção. Alguém tinha que ser o primeiro.

Boyd e os vassalos introduziram as versões humanas e de chimpanzés do HARE5 em dois grupos distintos de ratos. Eles também colocaram esses potenciadores no comando de um gene que faz com que um produto químico ficasse azul, de forma a rastreá-lo. Assim, com o desenvolvimento do embrião, os pesquisadores veriam diferentes partes do corpo ficando azul, identificando as regiões onde o HARE5 estava ativo-as. A imagem de abertura do artigo ilustra exatamente isso.

Embriões de camundongo começam a desenvolver os seus cérebros em seu nono dia de vida, e ativaram o HARE5 pouco depois. A equipe percebeu que a versão humana é mais fortemente ativa do que o chimpanzé, sobre uma faixa maior do cérebro, e a partir de um pouco mais cedo começar.

A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology.

À medida que os embriões de camundongos se aproximavam do final da gestação, as suas diferenças de tamanho do cérebro se tornaram perceptíveis a olho nu. Então, Boyd começou a dissecar o cérebro dos embriões antes que o pessoal do PETA chegasse, para olhá-los sob um microscópio.

Os "Mickeys" com HARE5 humano tinham cérebros 12% maiores em comparação com camundongos HARE5 dos chimpanzés. O neocórtex, envolvido na função de nível superior, como linguagem e raciocínio, foi a região do cérebro mais afetada.

A equipe está estudando o HARE5 humano e chimpanzé nos camundongos HARE5 até eles chegarem na idade adulta, para  examinarem possíveis diferenças na estrutura cerebral e comportamento. O grupo também espera explorar o papel das outras sequências no desenvolvimento do cérebro.

Esses camundonguinhos conseguirão fazer ferramentas, inventar a escrita e criar partidos políticos? Provavelmente não. No máximo, algum desejo insano de tentar dominar o mundo.

4 comentários em “O que nos fez humanos pode estar no nosso DNA

    1. Bem interesssante, mas como todo humano não deixo de ter aquela curiosidade perigosa, de qual seria o resultado se o Senhor Boyd deixasse a ética de lado e realiza-se alguns experimentos mais hardcore com outros animais, sem dissecá-los antes de nascer…

  1. André, poderia, por favor, responder uma pergunta minha: você concorda que a ciência é feita de fatos? Essa dúvida me tortura a dias.

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