A moléculas esquecidas de nossas vidas no Espaço

Qual o segredo da vida? Quais as moléculas que estavam presentes aqui? Elas podem ser encontradas em algum lugar no espaço? São coisas que bioquímicos e cosmologistas procuram responder. Buscando a nossa história a 27.000 anos-luz de distância, cientistas descobriram o que parece ser a chave que abrirá um cofre cheio de surpresas. Trata-se de uma molécula orgânica que não é nada comum, mas estava escondida numa nuvem de gás interestelar.

Então, moléculas complexas podem ser encontradas fora da Terra? Obviamente sim, e ali está a prova.

O dr. Rob Garrod é pesquisador sênior do Centro de Radiofísica e Pesquisa Espacial da Universidade de Cornell. Apesar de ter uma página que parece ter sido construída na década de 1990, Garrod trabalha com Astrobiologia e Astroquímica molecular. Coisas que muito provavelmente você deve saber do que se trata, já que acompanha meus maravilhosos textos. Se não sabe, fique sabendo que a Astrobiologia estuda a possibilidade de vida em outros lugares do Universo, enquanto que a Astroquímica estuda toda a dinâmica química em planetas, cometas, nebulosas e estrelas, mesmo quando acontece algo errado e a culpa é dela.

Com os poderes conferidos pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array ou ALMA, uma equipe formada pelo dr. Garrod e o dr. Arnaud Belloche, do Instituto Max Planck de Radioastronomia, descobriu duas moléculas que podem ser como quaisquer outras, mas um químico sabe o que significa elas estarem lá. É o cianeto de isopropila e o cianeto de n-propila. Mas o que elas têm de especial? Na verdade, nada. Na verdade, tudo!

Moléculas orgânicas são facilmente encontradas em nebulosas, graças às explosões magníficas que estrelas que forjaram o carbono no seu interior. Normalmente, apresentam os átomos de carbono dispostos numa cadeia linear, pois é preciso energia para "entortá-lo" até virar um hidrocarboneto cíclico, que terá muita energia armazenada em si, que poderá ser liberada uma hora ou outra, quebrando-se o anel.


Clica que cresce!

A detecção inicial dessas moléculas foram realizadas em 2009 (e sim, eu noticiei isso). O ALMA dá uma perspectiva melhor dessa quantidade, mostrando que suas formações não foram um caso isolado. Apesar de suas estruturas parecerem simples, elas são complexas o suficiente para levarmos em conta as condições adversas do Espaço. Isso porque temos o problema de temperatura, pressão (quase inexistente), bombardeamento de partículas de alta energia etc. A descoberta sugere que moléculas complexas necessárias para a vida pode ter suas origens no espaço interestelar, apesar de eu ver de outra maneira.

Eu penso que seria muito difícil (mas não impossível, é claro) que moléculas complexas chegassem até a Terra nos primórdios do planeta, em meio ao Hadeano. De qualquer forma, seria um indício que a ocorrência de vida não é algo fortuito, pois moléculas complicadinhas podem aparecer a zilhões de quilômetros daqui. Se as primeiras moléculas auto-replicantes conseguiram ir pra frente e a seleção natural deixou, pode ter vida à solta por aí, mas ainda longe de nossas mãozinhas (a imagem obtida pelo ALMA, frise-se tem 27 mil anos!).

Os pesquisadores examinaram a composição química de Sagitário B2, a região próxima do centro da Via Láctea, e uma área rica em moléculas orgânicas complexas interestelares. Com o ALMA, o grupo realizou uma pesquisa espectral completa à procura de "impressões digitais" de novas moléculas interestelares, com sensibilidade e resolução 10 vezes maior do que as pesquisas anteriores.

A pesquisa foi publicada na Science, e mostra como nosso conhecimento científico vai ampliando, se modernizando e demonstrando que uma descoberta que se fez há 5 anos continua.

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