Como é o sono dos astronautas?

Eu diria que deve se uma bela porcaria, mas não sou profissional dessa área, então, minhas opiniões têm pouca relevância. Como eu não sou médico nem trabalho em Harvard, só posso trazer o trabalho de pesquisadores que apontam que astronautas vivem em alto stress e possuem graves níveis de privação de sono, o que fatalmente pode ser fatal, ou bem desagradável, colocando a vida de todos os tripulantes em perigo.

Em resumo, o sono dos astronautas é uma bela porcaria!

A drª Laura Barger é professora de Medicina na Faculdade de Medicina de Harvard, em Boston, EUA. Seus interesses incluem os efeitos dos voos espaciais sobre o sono e o sistema de temporização circadiana e os efeitos do horário de trabalho estendido e perda de sono subsequente, afetando a saúde e segurança, avaliando o impacto das longas horas de trabalho sobre a saúde e segurança dos trabalhadores e do público, isto é, não é só o caso de astronautas não, mas do populacho em geral que tem que ralar à beça, dormindo o mínimo possível.

Juntamente com o dr. Charles Czeisler, também de Harvard, a drª Barger pesquisa o desenvolvimento de intervenções que reduzam a duração das horas de trabalho prolongadas, mas qualquer um que tenha trabalhado em comércio rirá disso, pois é muita inocência.

Barger e Czeisler pesquisaram grupos profissionais que trabalham em horas fora do padrão, como policiais, bombeiros,  trabalhadores da estrada de ferro, agentes federais e astronautas.

No caso dos astronautas, há um pequeno fator chatinho: microgravidade e o padrão dia/noite bem estabelecido. Antes, vamos entender um pouco o sono. Eu ia explicar, mas tm videozinho e português lusitano, ó pá!

Como praticamente no Espaço é… noite? O corpo vai se adaptando em ciclos de sono e vigília, mas isso fica totalmente zuado. Isso significa que como o teor de luminosidade é quase sempre o mesmo, a produção de melatonina fica descontrolada. A pessoas acaba se forçando a dormir, depois que está exausta. É meio com o que aconteceu com o Michel Siffre, que depois de longo tempo nas cavernas, teve seu ciclo circadiano todo alterado.

O problema é que um vendedor de loja dormir na hora errada vai acarretar em você ficar esperando seu   sapato mais do que deveria. Astronautas, policiais etc. dormindo na hora errada põe em risco a integridade física dele e de quem o acompanha. Os cientistas estudaram os padrões de sono de 64 astronautas em 80 missões de ônibus espaciais e 21 dos membros da tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) antes, durante e após o voo espacial. Os pesquisadores descobriram que, em média, os astronautas têm menos de seis horas de sono quando estão em naves espaciais em órbita e pouco mais de seis horas nas missões da ISS.

Isso ocorreu apesar da NASA programar 8,5 horas de sono por noite para os astronautas que viajam no espaço. O problema é que programar é moleza, mas com o Sol "nascendo" e "se pondo" a cada 90 minutos, fazer o cara ter sono na hora agendada é um problema, e esse sono ser restaurador é outro ainda.

Cerca de três quartos dos astronautas também recorrem a pílulas para dormir durante o voo espacial, levantando preocupações sobre o efeito das drogas pode ter sobre o seu desempenho. Se o organismo estava zuado com o ciclo circadiano alterado, o negócio só piora. E ele está com milhões de dólares de tecnologia nas mãos… ou o seu companheiro, que não tem preço e master card não resolve.

Os padrões de sono dos astronautas foram estudados utilizando um actigraph, um dispositivo usado no pulso, que registra os ciclos de sono e vigília. Além disso, os pesquisadores também analisaram entradas do diário de gravação astronautas agilidade e qualidade do sono. A pesquisa foi publicada no periódico Lancet.

Obviamente, vem a pergunta "Para que eu deveria me importar com astronauta dormindo, com tanta gente passando fome?"

Bem, dormir com fome não é tão legal assim, então, nem é essa a questão. A questão é que submeter-se a ambientes extremos, seja dentro de uma caverna, no fundo do oceano ou no gélido Espaço, nos faz entender nossa própria fisiologia, é entender como o ambiente pode nos matar de múltiplas formas e como nós mesmo podemos reagir contra isso. Podemos aplicar isso em outras profissões estressantes, mas não tanto como saber que está a milhares de quilômetros do chão, sem nada te segurando. São estas profissões extremas que garantem nossa segurança, pois é sempre bom primar pelo exagero quando se fala em ficar seguro, com uma boa noite de sono.

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