Quando é hora de dizer adeus… Para sempre!

Ontem o pessoal teve a triste notícia do passamento do ator e comediante Robin Williams. Vítima de severa depressão, Robin, ao que tudo indica até agora, suicidou-se enforcando-se com um cinto no pescoço, e tendo cortes superficiais nas partes internas do pulso esquerdo. O ator resolveu dar fim ao seu sofrimento, sua enorme tristeza, com sua vida e todos nós lamentamos muito.

Todo mundo começou a compartilhar que depressão é uma doença séria e precisa ser encarada com essa seriedade. Não é uma questão "tô tristinhu!". Grupos de ajuda foram divulgados etc. Mas Robin ainda está morto e ninguém fala por ele. Digo ELE, ele mesmo. A questão é: Podemos realmente dizer que ele não podia se suicidar? Temos mesmo que forçá-lo a fazer o que não quer (a saber: continuar vivendo)?

Depressão é uma doença, então, a pessoa não sabe o que faz. Assim, ela não pode se matar.

Toda morte é trágica. Principalmente para quem convive. Mas e a tragédia da vida de quem efetivamente se matou? Nós lamentamos a morte de Robin, mas quantos de nós foi conversar com ele?

Ah,. mas eu estou longe.

Não importa.

Mas eu não era amigo dele.

Ponto interessante, mas não no momento. Poderia tê-lo abordado na rua.

Mas e se ele me repudiasse? Ele não iria falar comigo. Ele iria achar que eu ia pedir esmola. Ele iria achar … sei lá.

Não importa. Nada disso importa. O ponto é: lamentar a morte de alguém é fácil, mas você nunc conviveu com essa pessoa. Nunca soube dos seus dramas. O que as pessoas estão lamentando não é a morte do Robin Williams e sim por causa de um pensamento mesquinho que ele tem que estar presente para nos dar alegria. Mas e as alegrias dele? Ele não era uma pessoa feliz, e se você pensa que só porque alguém está sorrindo fica provado que está feliz, realmente você deve ser a pior das pessoas mais egoístas.

Uma amiga minha estava conversando com o pai certa vez.. O pai levou as mãos ao peito e caiu duro. Infarto fulminante. Ela me confessou depois que daria tudo pro seu pai estar em cima de uma cama, mesmo que em coma, porque ela precisava que ele estivesse ali, com ela.

Ela me olhou e disse: eu era a pior das pessoas, pois estava pensando apenas em mim mesma. Não pensei que por mais brutal e rápida que foi a morte dele, ele não sentiu o desconforto nem o sofrimento de passar semanas ou meses num hospital.

Somos egoístas. Queremos aqueles que nos alegram perto de nós, mas nunca olhamos o outro lado da moeda. Nunca paramos para entender aquele que está ali, só nos importamos com o que aquela pessoa nos traz. E isso me lembra:

Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador.

O médico diz: "O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade. Assista ao espetáculo! Isso deve animá-lo."

O homem se desfaz em lágrimas. E diz: "Mas, doutor… Eu sou o Pagliacci!"

Boa piada. Todo mundo ri. Rufam os tambores. Desce o pano.

– extraído de Watchmen

Quantos amigos, próximos ou distantes, estão pensando em morrer agora? Mas não queremos isso. Queremos que eles vivam, apenas para que eles estejam entre nós. Mas quem somos para dizer quem pode viver ou morrer?

Ainda é uma visão tacanha medieval. Se ele morrer vai pro inferno, não queremos isso. Se ele morrer, eu estarei sozinho e deprimido (porque o que o outro tinha não era depressão. Era… era… não sei, mas eu estou deprimido e preciso de fulano para me animar).

É um conflito de pensamentos. Se matar unicamente porque o DNA fez merda e não codificou uma proteína, que fez um cérebro mais gambiarrento que de costume, cuja neuroquímica acabou que não produz substâncias que ajudam na alegria, pois tudo é química e física na cabeça. Não temos alma depressiva, não temos energia obsessora. Temos um cérebro que defeito de fabricação.

Ainda assim, fica a pergunta: Por que Robin não podia tirar sua própria vida? Porque Jesus não quis? Não era hora dele? Se não era hora, não era para ele ter morrido. Que diabo de destino é esse que um cinto destrói a harmonia da divina providência?

.Por que ele se matou? Vamos ser sinceros: porque quis. Isso é certo? Não sei responder e você também não sabe. É moral e ético? Não sei, não há como julgar. Temos o direito de mandar na vida alheia? Tudo depende unicamente de "ele não está em condições mentais de avaliar isso" Quem está?

O Washington Post veio com um artigo (idiota) alertando que as pessoas estavam compartilhando um tweet postado pela Academy Awards (Oscar, para os íntimos), fazendo referência ao Gênio do desenho Alladin, da Disney, como homenagem:

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Os "especialistas" ficaram om medo que a frase "Genie, you’re free" da homenagem fosse encarado como "Vai fundo, mermão, se mata mesmo e se liberte dessa bagaça".

Cá pra nós, uma pessoa em estado avançado de depressão poderá basear sua decisão de suicídio em muita coisa, mas creio que um tweet não será uma delas, porque o depressivo não precisa disso. Seu próprio cérebro criará motivos "perfeitos" para tal (aspas, prestem atenção nelas).

Dito isso tudo, que conclusão chegamos? Nenhuma, não sabemos nada. Somos apenas egocêntricos achando que só porque (achamos que) temos uma vida perfeita, os outros devem ter e enfrentar sus medos e desejos, mantendo-se firmes feito rochas.

Mas mesmo a água é capaz de destruir a mais dura das rochas.

2 comentários em “Quando é hora de dizer adeus… Para sempre!

  1. Nem só a depressão leva ao suicídio. O que se pode fazer por que sofre da doença é dar apoio para que ele se trate, não simplesmente aceitar que ele queira morrer. Não é ficar falando “deixa disso, se anima, vai no circo”. Eu não sou médico e não posso tratar qualquer doença, só dar força para que as pessoas se tratem.
    Outras pessoas que querem se matar podem estar passando por um mau momento e esses sim podem ser dissuadidos. Já tive parentes que “queriam” morrer mas era uma fase ruim, desistiram. Outros estavam realmente cansados de viver e a morte parecia ser o melhor pra eles.

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